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by • setembro 22, 2011 • ResenhasComments (9)1058

[Resenha] O Grande Gatsby, de Scott Fitzgerald

Há livros que representam uma época de forma tão única e vívida que neste ponto reside grande parte de seu encanto. O Grande Gatsby é um desses exemplos, ambientado na década de 20, período entre-guerras. Anos prósperos, entremeados de festas, bailes, saídas noturnas, bebidas, amores e desamores, ao som de muito jazz, uma atmosfera nostálgica e sonhadora.

Narrado em primeira pessoa por Nick Carraway, a obra já apresenta seu diferencial nessa questão, pois a história não é sobre ele, que representa mais o espectador de um grande espetáculo do que de fato um de seus personagens centrais. Nick mora em uma casinha singela, ao lado da grande mansão de Gatsby, um personagem misterioso, de natureza escusa.

Gatsby é o anfitrião de grandes festas. O dono da casa é um completo desconhecido, mas mantém as portas sempre abertas ao público com um propósito em mente: atrair o seu grande amor de juventude, agora uma mulher casada e residente na mansão do outro lado do rio. Gatsby fez fortuna, e agora que mostrar tudo para Daisy na esperança de tê-la de volta.

“Se a personalidade é uma série ininterrupta de gestos bem sucedidos, então havia algo magnífico nele, uma sensibilidade exacerbada diante das promessas da vida, como se estivesse ligado a uma daqueles máquinas intricadas que registram terremotos a quinze mil quilômetros de distância. Essa receptividade nada tem a ver com aquela suscetibilidade inconsistente que é dignificada sob o nome de “temperamento criativo” – era um dom extraordinário de esperança, uma disponibilidade romântica que jamais encontrei em outra pessoa e que muito provavelmente nunca voltarei a encontrar.”

A história é atraente e se desenrola em torno da figura misteriosa de Gatsby e suas vontades. Apesar de torcer por grandes romances, no entanto, para mim o grande trunfo de Fitzgerald não foi o romantismo em si, mas a ambientação, tensões e costumes. O destaque está na ambientação e, principalmente, na maneira que o autor consegue delinear e incutir forma aos seus personagens; o poder de síntese que ele conseguiu atribuir às palavras. O próprio Scott declarou ter cortado de O Grande Gatsby material suficiente para construção de um novo livro e, mesmo assim, não sentimos falta desses cortes.

Ainda que Gatsby seja o personagem central, me senti completamente dependente e conectada ao Nick. É ele quem conduz o leitor, e, através dos seus olhos, faz um relato da história e de tudo que aconteceu desde que Gatsby entrou em sua vida. Mesmo contado como relato, é interessante notar que não devemos nos levar pela ideia de que o personagem conseguiu isentar-se da parcialidade, pelos comentários e pensamentos podemos delinear o tipo de homem que ele é, o que acaba, de certo modo, coagindo o leitor a igualmente adotar seu ponto de vista.

Vejo o Nick um pouco como o leitor (ou o leitor um pouco como o Nick?), os nossos pensamentos se entrelaçam com os dele. Nota-se que o Fitzgerald não quis realmente dar forma ao personagem como alguém ativo na trama, e sim um contador de histórias. Apesar de tudo, ele foi o personagem ao qual mais me afeiçoei. Seus devaneios e reflexões dão um toque especial à trama.

“E no entanto, elevando-se sobre a cidade, nossa fileira de janelas amarelas teria contribuído com sua parcela de segredo humano ao observador comum nas ruas que escureciam e eu era ele também, olhando para o alto e imaginando. Eu estava dentro e fora, simultaneamente encantado e repelido pela variedade inexaurível da vida.”

A edição da imagem traz vários extras interessantes que contextualizam a obra: Introdução à Edição de 75º Aniversário; Prefácio da Edição Brasileira; O Texto de O Grande Gatsby por Matthew J. Bruccoli; Prefácio da Edição Crítica de 1991; Pósfácio do Editor Norte-americano; Notas Explanatórias; Nota Sobre o Autor e A Breve Vida de F. Scott Fitzgerald. Há um certo fascínio pela vida e obra de Fitzgerald. O Grande Gatsby é uma ótima porta de entrada no universo do escritor e pode mostrar o que há de melhor em sua escrita, não à toa tornou-se o seu título mais difundido.

“E assim prosseguimos, barcos contra a corrente, arrastados incessantemente para o passado…”

Título Original: The Great Gatsby
Editora: BestBolso
Número de Páginas: 252
Gênero: Clássicos/Romance

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9 Responses to [Resenha] O Grande Gatsby, de Scott Fitzgerald

  1. Déia disse:

    Eu adorei este livro. E essa frase que você postou é a minha favorita do livo, e uma das minhas favoritas de todos os livros que já li *-*
    Pretendo ler mais Fitzgerald em breve!

    Sua resenha ficou ótima 🙂

    Beijos

    ‘Nowhere Girl’

  2. Nunca tive oportunidade de ler o livro e também não tinha muita vontade, pra falar a verdade! Mas pelo modo que descreveu me pareceu um livro incrível, e eu nem sabia que tinha um filme sobre ele!

    Beijos,
    Abrigo Literário.

  3. Pabline disse:

    Fitzgerald é simplesmente fantástico, mas ainda não li esse livro dele. Vou colocá-lo nesse momento na minha lista XD
    Resenha maravilhosa.
    BJ!

  4. Gabi disse:

    Eu tenho esse livro em inglês, e estava meio desanimada para ler, mas agora com a tua resenha fiquei mais ansiosa! Ótima resenha!

    Gabi

  5. Naty disse:

    Que resenha comprida essa, rsrs’ Mesmo estnado grande foi gostosa de ler, dá para ver o quanto você curtiu o livro…

    Eu tenho interessem em ler clássicos, até porque não quero ficar apenas nos livros atuais e lançamentos e assim que tiver a oportunidade irei ler esse livro.

    Com tudo o que você falou sobre ele já deu vontade de ler. Acho que o fato de ser uma história narrada entre-guerras me interessa mais ainda já qe gosto desse tipo de livro que relata a vida antes, durante ou depois das 2 grandes guerras.

    Amei a resenha!

    Bjão;*
    Naty – Just Books !

  6. Aline Lopes disse:

    Oi
    Adoro livros que contam fatos, principalmente sobre guerras sempre me interesso por histórias deste tipo. E sobre o filme também pretendo ver.
    Beijinhos.

    Books e Desenhos

  7. jayane disse:

    Nunca ouvir falar de O Grande Gatsby,mas pela sua resenha mega grande deve ser muito bom mesmo,tem filme e bem mas fácil eu ver o filme primeiro sempre demora para conseguir os livros primeiro.

  8. Aione Simões disse:

    Oi Duda!
    Com vergonha, admito que nem ao menos conhecia o livro!
    Entretanto, você o resenhou com tanto encanto que fiquei curiosa! Confesso que a temática em si não me foi muito chamativa, o que me cativou foi a maneira como é narrado! Pelo que você falou, é uma escrita incrível!
    Vou aguardar o Roteiro Adaptado!
    Beijão, querida! Parabéns por mais uma excelente resenha!

  9. Ana Ferreira disse:

    Duda,
    Você falou com tanta paixão sobre o livro nessa ótima resenha, que foi impossível não me sentir atraída ao universo de Scott Fitzgerald e o breve momento de celebrações do povo norte-americano, que em muito me lembra as épocas mais importantes da história de “O Curioso Caso de Benjamin Button”, por exemplo.
    O jazz de Nova Orleans, o foxtrot, é impossível não nos sentirmos encantados, entusiasmados com o viço do momento, os Estados Unidos que estavam crescendo e aparecendo ao mundo após tantos problemas.
    O que mais me impressionou em sua resenha foi o fato de sua personagem favorita ter sido o narrador. É realmente impressionante que alguém criado para ter um caráter figurante tenha lhe encantado de tal forma e, pelas quotes por você disponibilizadas, gostei especialmente da narrativa clássica, bem composta do autor.
    No mais, posso dizer que após tantos comentários positivos e a descoberta de uma adaptação aos cinemas de um Coppola não poderiam ter me deixado mais curiosa quanto ao potencial dessa obra.
    Nota-se pela extensão de meu comentário, a propósito rs

    Beijinhos,
    Ana – Na Parede do Quarto

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