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by • fevereiro 24, 2012 • FilmesComments (9)1137

Pausa para o Artista

Eu preciso falar sobre esse filme fantástico. O Artista já se mostra diferente desde o início. Primeiro, por ser um filme em preto e branco em uma época em que é fácil esquecer que eles um dia existiram – salvo nossos pais e avós. Na era do 3D e da alta definição, os grandes clássicos de antigamente ficaram para trás, relegados ao grande buraco do esquecimento, ou assim se pensava.

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Eis que aparece em pleno 2012, um filme que não é apenas em preto e branco, mas também onde os atores não emitem os usais sons de diálogo ao falar. Eu poderia até utilizar da definição “mudo” para descrevê-lo, mas, se assim o fizesse, estaria classificando-o erroneamente no texto, pois filme mudo é aquele que não possui nem mesmo trilha sonora de acompanhamento, sendo ela substituída por uma série de instrumentistas ou de algum efeito sonoro externo, presente dentro do local de exibição do mesmo. No Artista nós podemos até não ouvir os atores de fato executando sons audíveis ao falar, mas a trilha sonora é algo que não pode e nem consegue ser deixada de lado… ela é espetacular, assim como todo o resto, e de extrema importância ao filme.

Acompanhamos a história de George Valetin, um grande artista do cinema mudo, aclamado e adorado por todos. Só que o cinema estava prestes a encarar uma nova fase de transição e, devido ao seu orgulho, o ator acaba sendo relegado ao esquecimento, assim como os seus filmes sem áudio. Nesse ponto devo dizer que o ator francês, Jean Dujardin, está fantástico no papel do carismático Valetin. Em um filme que cada expressão vale mais do que mil palavras, não é qualquer um que conseguiria passar a emoção necessária apenas através das suas expressões faciais, mas Dujardin faz isso sem o menor esforço, emprestando todo o seu jeito extrovertido e carisma pessoal ao personagem. Não é nem um pouco a toa que ele levou em janeiro passado o Globo de Ouro de melhor ator pelo filme, por falta de merecimento é que não foi.

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Quem completa a outra metade do sucesso é a atriz argentina Bérénice Bejo, que dá um show à parte no papel da charmosa Peppy Miller. Aliás, casal mais carismático é difícil encontrar. Miller é uma aspirante a atriz que durante o decorrer da história caminha no lado oposto ao fracasso. Devido a rápida ascensão do cinema falado, Valetin coloca a si mesmo em sérias dificuldades, enquanto a maré está mais do que favorável à talentosa Pepper que, ironicamente, só conseguiu o seu primeiro papel devido a um rápido flerte – extremamente engraçado de se assistir – com o próprio Valetin. Porém, a nova queridinha de Hollywood não consegue ser feliz, não enquanto o seu amado é relegado cada vez mais ao esquecimento. Nada para tornar uma história mais interessante do que uma boa dose de romance.

Durante todo o filme não é necessário escutar uma palavra, pois tudo é tão interessante e mágico que somos tragados para dentro de uma história onde tudo já está sendo dito, basta apenas olhar para a tela. A trilha sonora nos embala de forma espetacular, atingindo ápices de emoção em diversos momentos. Havia ocasiões em que me via chorando de rir e outras em que ficava na maior expectativa, com os olhos vidrados na tela.

Não poderia terminar o texto sem mencionar aquele que também emprestou bastante do seu brilhantismo para tornar o filme ainda mais inesquecível, o charmosíssimo Uggie, cachorrinho do Valetin e seu companheiro de todos os momentos. Os dois formam um dupla singular, prestando leveza e ainda mais carisma ao filme, sendo várias das cenas em que contracenam juntos alguns dos momentos mais engraçados.

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Ao final, é impossível não ficar com um enorme sorriso no rosto. A história passa uma linda mensagem de superação e remete ao amor que sentimos pelos grandes clássicos, resgatando todo o glamour dos filmes antigos. Embalado com atuações de primeira, um roteiro espetacular e uma explosão de sons, sentidos e emoções que há tempos não experimentava em um filme, o Artista é um espetáculo visual altamente recomendado para todos os amantes do cinema.

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9 Responses to Pausa para o Artista

  1. Pra mim já era fantástico como o filme demonstrava ser com as imagens e afins, mas com o que você escreveu para ser ainda melhor. Achei legal a ideia como o filme foi criado, e talvez não tinha outra forma de fazê-lo né?
    Vou assistir em breve \o/

    Parabéns pelo post Duda
    Beijos
    Ricardo – http://www.overshock.blogspot.com

  2. Eu nunca tinha visto nada sobre esse filme. Interessante que agora pensei que do “cinema mudo” só Charles Chaplin e Tempos Modernos continuam sendo amplamente divulgados (nas aulas de história sobre revolução industrial). Os demais sucessos caíram no esquecimento.

    Outra coisa que acho fascinante em filmes sem diálogos, é o quanto o ator precisa transmitir com suas expressões e não deve ser tão simples. O cinema hoje é muito ajudado pelos textos para transmitir o sentimento da cena.

    Fiquei curiosa por este filme 🙂

  3. Luana Feres disse:

    O único filme mudo que assisti foi do Charles Chaplin, Tempos Modernos, então apesar de O artista não ser considerado mudo, não tenho muito contato com esse tipo de produção. Concordo contigo quando diz que não é qualquer um que consegue passar emoções genuínas em suas expressões faciais! Lembro que era muito engraçado assistir o Chaplin e como você disse que chorou de rir, eu assistiria de bom grado! Dificil é encontrar boa companhia, duvido muito que meu namorado amante de ação toparia assistir um filme mudo. :/
    Mas deve ser curioso assistir um filme que passe uma mensagem ser dizer nada!

    Beijos, Duda.

  4. Eu também sou apaixonada por cinema *-* Eu e minha mãe costumávamos alugar filmes e assistir juntas, infelizmente não temos mais esse tempo que tínhamos antes, só que sempre que dá fazemos isso, e é tão bom!!

    Como a Millena e a Luana falaram, também lembrei imediatamente do fofíssimo Charles Chaplin! Minha professora de história passou Tempos Modernos, e eu me encantei pelo Charles!

    É tão gostoso você assistir a um filme assim, no qual não precisam de falar, apenas as expressões já dizem tudo, é tão fofo. E o trabalho dos atores é meio que dobrado pra conseguir transmitir tudo a quem está assistindo né? O bom é que eles conseguem fazer isso muito bem!!

    Fiquei super curiosa, e tentarei assistir logo!!

    Beijão,
    @flafsbp
    { http://17ezesseteinvernos.blogspot.com/ }

  5. O FILME É LINDO MESMO DUDA! ADOREI!TÃO DELICADO…SENSÍVEL… NOSTÁLGICO…. UMA LINDA HOMENAGEM AO CINEMA MUDO, OS PROTAGONISTAS SÃO ESPETACULARES! É DISPARADO O MEU PREFERIDO NA CORRIDA AO OSCAR! ESTOU TORCENDO MUITO POR ELE!
    ADOREI SUA RESENHA.
    BJOS!!
    MOMMYS

  6. Lucas Martins disse:

    Duda, eu super atrasado, tenho que correr para assistir O Artista! Tu não tem noção do quanto eu amo o Oscar, sério. Então já viu. Gosto de assistir todos (ainda mais quando é um recordista de indicações na edição).
    Que bom que você gostou e que ele passa uma mensagem positiva ao seu final.
    Adorei sua análise, bem detalhada, como sempre, Duda!
    Enfim, bjão! 😀

  7. Duda, assim como você eu adoro cinema. É uma pena que eu não possa ir com mais frequência e que aqui na minha cidade os filmes exibidos não sejam sempre os melhores e sim os mais populares.
    Eu sou amante dos filmes mais antigos, acho que até os prefiro. Então, acredito que assistir um filme produzido atualmente seguindo características de produções antigas seja algo único. Pretendo assistir O Artista, mas acho que terei que baixar ou esperar chegar o DVD já que ele não veio para o cinema daqui.

    Beijos, Carol.
    http://www.perdidanaestante.blogspot.com

  8. ka macedo disse:

    Duda, eu estou completamente louca para ver esse filme. Queria ter assistido antes de hoje (apara poder entender melhor por que ele é o favorito ao Oscar), mas infelizmente não está passando na cidade em que estou e não tive tempo de ir antes.
    Mas com o que você disse tenho certeza que ele realmente merece ser premiado.
    Confesso que vi pouquissimos filmes em preto e branco e ‘mudos’ até hoje, mas esse despertou muito meu interesse. Acho que pela estória em si e o modo como é contada. Achei simplesmente genial! Sem contar que é bom ver alguém inovar dessa maneira – já que todos hoje querem fazer filmes com imagens cada vez mais bonitas, nítidas e coloridas.
    E imagino que a trilha sonora seja de arrepiar (literalmente) mesmo. Acredito que seja até o elemento mais importante do filme, não?
    Com certeza vou assisti-lo ainda essa semana!

    Beijooos!

  9. Adorei o teu post, Duda! Assisti O Artista, me apaixonei pelo filme, achei o Jean Dujardin ótimo para o papel, muito expressivo. Já viu Hugo Cabret? beijo!

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