O Príncipe da Neblina (Carlos Ruiz Zafón)

Título Original: El Príncipe de la Niebla 
Editora: Planeta
Número de Páginas: 208
Gênero: Suspense
Importado de Portugal

Dizem que sempre quando a gente gosta muito de um livro, encontramos certa dificuldade em falar sobre ele. De certa forma é assim que me sinto algumas vezes, mas quando se trata de um livro do Zafón as palavras saem mais do que naturalmente, pois é tudo tão belo e sentimental, que elogios e congratulações brotam para fora da minha mente, de maneira quase ininterrupta.

"Dentro de momentos apagar-se-ão as luzes, ergue-se-á a cortina da sua mente e o feixe do projetor baterá na sua imaginação. A boa literatura, e até a má, deve ser como a eletricidade. Espero que saboreie a leitura, desta e de muitas outras que se sigam. E confio que um dia voltemos a ver-nos e a ler-nos mutuamente. Se nessa altura eu já tiver desaparecido por completo, encontrar-me-á aqui ou entre as páginas de outras histórias que tento contar-lhe da melhor maneira que sei e que vamos construindo, letra a letra, entre nós. Até à vista, aventureiro."

É com essas palavras que o mestre (desculpa gente, não consigo evitar os elogios) Zafón, se despede de nós em um dos prólogos mais interessantes  que já li. A verdadeira fascinação que o autor exerce nos leitores através da escolha muito acertada de palavras que emocionam, já transparece desde o começo de sua carreira literária. Considero O Príncipe da Neblina um marco na literatura mundial, pois foi nesta obra de ficção que o mundo finalmente vislumbrou pela primeira vez a escrita de um dos maiores autores que já existiu.

O livro foi o primeiro lançado por ele, mas nem por isso pode ser considerado menos merecedor de crédito, como uma obra de aprendizagem para um aprimoramento futuro. Nesta trama podemos conhecer personagens muito bem delineados, mesmo em tão poucas páginas, daquele tipo que nos toca quase sem querer e, que pouco a pouco, vamos nos familiarizando, quase como se o pequeno Max, fosse um amigo conhecido. 

A história gira em torno de uma pequena cidade litorânea afastada do resto do mundo na década de 40, onde Max e sua família mudam-se para escapar da guerra que se aproxima. Logo ao chegar na cidade, o garoto passa a perceber algo de diferente e estranho na atmosfera do lugar, como por exemplo o relógio da praça que gira ao contrário, uma das primeiras coisas a lhe chamar a atenção.

Com o tempo a sua família fixa moradia e Max sente-se mais confortável ao conhecer um novo amigo, o jovem Roland. Porém não demora para que o clima desconcertante volte a impregnar o ambiente, e acontecimentos bizarros envolvendo o estranho jardim de estátuas localizado no quintal da sua nova casa, um gato assustador e um antigo acidente no passado que acarretou na morte do filho do antigo dono da casa, estão de certa forma interligados e pouco a pouco prestes a culminar em um clímax aterrorizante.

Max parte em busca de respostas, tendo a sua irmã mais velha e o seu novo amigo como companhia. Só que os três não podiam nem imaginar até que ponto estariam irremediavelmente envolvidos em todos os acontecimentos que estavam prestes a ocorrer, que teriam o poder de mudar as suas vidas para sempre. 

Mais uma vez, ou melhor dizendo, desde a primeira vez, o autor nos envolve em uma trama intricada e cheia de mistérios, que se desenrolam aos poucos diante dos olhos do leitor, sempre vidrados na narrativa fantasmagórica e carregada do texto. Por mais que Zafón sempre carregue as suas histórias com os mais variados gêneros literários possíveis, considero este, junto com O Jogo do Anjo, um dos seus livros mais sombrios, onde ele não nos poupa de certos detalhes, nos faz ver que a vida é feita de escolhas e que nem sempre optamos pelo melhor caminho. Às vezes existe apenas uma linha tênue entre o bem e o mal, e é necessário sabedoria para conseguir visualizá-la pois o peso de nossas escolhas estarão sempre conosco, mesmo quando elas vão além do que podemos suportar.

O interessante é que nesses primeiros livros escritos pelo autor, culminando na escrita de Marina, já resenhado aqui no blog, o público-alvo primeiramente é juvenil, mas como o próprio Zafón costumava dizer, ele escrevia esses livros para crianças de 9 a 90 anos, e criava o tipo de história que ele próprio teria gostado de ler quando pequeno. Não se enganem com o aspecto juvenil da coisa, que talvez tenha a sua maior caracterização pelo fato de conter uma leitura rápida, simples, que vai direto ao ponto sem maiores complicações, mas que é uma narrativa que facilmente poderia ser encaixada para qualquer idade; e tenho sérias dúvidas se não teria ficado um tanto quanto aterrorizada demais, caso tivesse feito a leitura deste livro com os meus 10 anos ou um pouco mais.

De certa forma, imagino Zafón como um autor que merece ser degustado com o passar dos anos pois as lições presentes em suas tramas são direcionadas para qualquer faixa etária, mas iremos enxergá-las de formas diferentes dependendo em que ponto da vida nos encontremos no momento da leitura. Com O Príncipe da Neblina, pude verificar elementos de sua escrita que seriam utilizados de forma mais desenvolvida com o passar dos anos em suas obras posteriores, mas é inegável o talento que ele sempre carregou consigo de envolver o leitor com as suas histórias e nesta não foi diferente.

Outro aspecto interessante é que este é o primeiro livro do autor que leio, que não se passa na famosa cidade-personagem, Barcelona, sua marca registrada em quase todas as histórias. Mas, ainda assim, o clima nebuloso de uma cidade pequena, com seus poucos habitantes, um farol e um navio naufragado, foram muito bem construídos, e ambiente mais do que propício para a história de terror a que o livro se propõe.

No final da leitura entendi perfeitamente o que o autor quis dizer em alguns poucos parágrafos de apresentação, presentes no prólogo da história. É fácil perceber pedaços do seu ser, da sua escrita e da sua arte, em cada capítulo do seu primeiro livro e deve ser incrível poder olhar pra trás e revivê-los mais uma vez, sabendo que tudo aquilo faz parte de um tempo que não voltará, mas que ficou de certa forma registrado através dos seus caros amigos personagens, e que permanecerão para sempre em sua memória e na dos seus leitores do passado e do futuro.

"Naquele dia, sem o saber, enquanto contemplava a família a andar para cima e para baixo com as malas e segurava nas mãos o relógio que o pai lhe oferecera, deixou para sempre de ser uma criança."

17 comentários:

Beatriz Gosmin disse...

Gostei muiiiiiiiito da resenha!

Nunca li nada do autor, mas minha nossa, ele deve ser O CARA. rs

Relógio que gira ao contrário? Preciso saber mais!

Beijos
Bia | www.livroseatitudes.blogspot.com

Andressa Tomaz disse...

Oi Duda!
Nunca li nenhum livro de Záfon e por isso e pelos comentários sempre positivos a respeito dele, tenho vontade de comprar Marina, para experimentar.
Acho que realmente o momento que o leitor está passando na vida pode influenciar na sua avaliação da leitura. Gosto muito disso!

Beijos!

jayane disse...

Conseguir ler a resenha toda e adorei,vc fala muito desse autor e isso me deixou curiosa para ler algum livro do Zafón.

Mônica disse...

Oi Duda, eu sei como você adora o Zafón, por isso nem sei se devo confiar na sua resenha, pois sei que você escreveu com o coração e assim não vale, kkkk Estou brincando!!!
Mas me diga o que faço par ler este livro? você o comprou pela Wook?
Adorei sua resenha e já adicionei este livro no meu skoob. Beijos

Lucas Martins disse...

Eu tenho esse livro em ebook, e já estou há horas para ler... É bem curtinho, hein? 200 e poucas páginas...
Eu tenho dificuldade para falar dos livros que gosto. Parece que todos adjetivos não são suficientes para defini-lo...
Mas já notei essa sua relação de amor com o Zafón. Isso me estimula muito! Comecei a comprar os livros dele, agora só falta tempo, rsrs
Não curti muito essa capa, sabe. Gosto mais de uma verde que tem... Mas quando a é Zafón não importa a capa, rsrs
Beijão, Duda!

HONORATO, Sandro disse...

Duda :)
Como vai?
Bem legal a resenha mesmo *-*
Mas confesso que não conhecia o autor :(

Tem esse livro em ebook? vou procurar >.<

Beijos e cuide-se

Ricardo Biazotto disse...

Que resenha fantástica Duda :o
Já disse que sempre que vejo algo do Zafón, lembro de ti no mesmo instante né? E a cada resenha, você mostra porque esse carinho especial que você tem por ele e também que é um autor fantástico. Achei essa história muito interessante e talvez até seja a primeira que venha a ler do autor - mania de começar sempre pelas primeiras obras rsrs
Motivos para querer isso é o que não falta. Elogios - principalmente da sua parte - também não falta.

Parabéns pela resenha.
Beijos
Ricardo - www.overshock.blogspot.com

Alinne disse...

Oi Duda!
Faz tempo que não passo por aqui né? Peço desculpas por isso, mas a minha vida está uma correria menina, quase não tenho tempo para nada!
Bom, esse autor é maravilhoso, pude conhecer a sua obra através de suas resenhas e dicas, aliás até agora só pude ler A Sombra do Vento, mas esse aí também me chamou a atenção, quero lê-lo em breve!
Parabéns pela resenha.
Beijinhos.

http://booksedesenhos.blogspot.com

Luana Feres disse...

Mais uma vez, sua resenha me sugou a atenção, Dudinha. Eu quero tanto me encantar com a escrita de Zafón de tanto que você fala! Mal posso esperar pra começar a ler A sombra do vento. Não conhecia esse título do autor, nem de nome e me pareceu uma ótima leitura. Estou balanceando livros leves com esses mais pesados, é uma ótima forma de não ficar sobrecarregada com algumas sensações e no momento, estou sentindo falta de algo mais sombrio.

Beijos

Aione Simões disse...

Oi querida!
Uma certeza que tenho em minha vida: preciso ler algo do Záfon!
Essa questão dos mistérios muito me atrai e nunca acho que os livros dele tenham cara de juvenis (mesmo que não os tenha lido), então compreendo quando você diz que eles poderiam ser lidos por qualquer um e que você, caso lesse em seus 10 anos, se sentiria um pouco assustada.
De qualquer forma, o livro parece incrível e pretendo ler assim que puder todos os possíveis dele!
Beijão!

Vanessa Tourinho disse...

Fala sério, Duda, lá vai você me fazer comprar mais livros!
Não adianta. Esse vai para a lista de prioridades.
E nem preciso dizer que você me convenceu, né? ¬¬

Beijos.

Millena Bezerra disse...

Oi, Duds

acho que tão bom quanto o Zafón escrevendo é você escrevendo sobre o que o Zafón escreveu, rs.

Morro de vontade de ler alguma obra do autor só para voltar aqui e dizer: você tem razão!

O cara deve ser muito bom, por escrever livros que fogem da sua característica (Barcelona como plano de fundo e principal) e continuar sendo uma obra prima.

Beijocas :)

Camila Costa disse...

Tenho que ler, simples assim! Desde que terminei de ler A Sombra do Vento semana passada eu quero ler TUDO do autor, ele é como um Julian Carax para mim, preciso ler todos os livros! Pelo menos ninguém está queimando os livros dele é claro... bom, deixa eu parar de divagar aqui kkk Zafón é demais, simples assim, acho que ninguém leu de verdade uma grande obra até ler algum livro dele *-*
Beijos Duda!

Aline Coelho disse...

Poxa Duda vc realmente é apaixonada por esse autor, dá pra sentir em suas palavras sua admiração. Confesso ainda não ter conseguido ler nenhum livro dele completo, minha 1° experiencia foi antes dessa minha vida de leitora e devido suas resenhas inspiradores confesso ter ficado curiosa para ler esse livro.
Parabéns pela ótima resenha =)

Ana Ferreira disse...

Duda, muito pelo contrário do que dizem, acho que as resenhas de livros que gostamos saem bem mais apaixonadas e convincentes que as daqueles que talvez não tenham nos marcado tão positivamente. Você é uma prova disso.

Agora, em falando-se de Zafó, que prólogo genial (!!!!). Verdadeiramente, acho que ele é uma espécie de mago das palavras, pois insere fascínio em tudo que escreve.

Achei a história de "O Príncipe da Neblina" bem consistente e também fiquei impressionada com o fato de não haver Barcelona. Barcelona é quase que uma apêndice do nome forte do autor e não tê-la me desorienta um pouco, mas é sempre bom mudar de ares e criar diferentes obras que marquem diferentes leitores.

Parabéns pela resenha! :)

Um beijo!
Ana - Na Parede do Quarto

Adriana T disse...

Tenho muita vontade de ler mais livros de Zafón, só li Marina e já foi o suficiente pra me apaixonar. Espero poder ler este.

Gislaine d cruz disse...

duda vc ja leu a sobra do vento de Carlos Ruiz Zafón?estou interessada nele mais gostaria de um opiniao antes de comprar... bjinhus obrigado! obrigado entre em contato comigo sou ilustradora e faço fotos de pessoas voce quer uma? entre em contato comigo meu nome no face é gi cruz ,

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