O Ladrão de Casaca (Maurice Leblanc)

Título Original: Arsène Lupin, Gentleman Cambrioleur
Editora: Martin Claret
Número de Páginas: 200
Gênero: Contos policiais
Cedido em parceria com a Martin Claret

Imaginem se os melhores detetives de todos os tempos, como Sherlock Holmes ou Hercule Poirot, resolvessem rebelar-se e passassem então para o lado negro da força? O quadro sem dúvida alguma, não seria nada favorável para os agentes da polícia. Pois o fato é que ele já existe, e não só é mestre no que faz, como também possui um charme e carisma todo próprio, tornando completamente impossível para qualquer um de nós - meros cidadãos do bem - torcer contra esse grande gênio do crime.

Sabe aqueles casos em que a gente fica vibrando o tempo inteiro para o lado oposto ao da justiça? É isso que acontece assim que conhecemos o galante Arsène Lupin, o ladrão de casaca mais famoso de todos os tempos. Quando ele resolve entrar em ação é certo que será bem sucedido, pois é dotado de uma enorme capacidade mental; como diria o nosso querido Poirot: eis um homem que sabe usar muito bem as suas células cinzentas. 

Lupin é carismático ao extremo e, por mais que seja ladrão, como todo bom cavalheiro impõe sempre os seus limites: ele não mata, não costuma utilizar da violência, só rouba dos ricos e deixa sempre o seu cartão de visitas na cena do crime. Um ladrão com padrões, não? Poderia até mesmo ser considerado uma espécie de Robin Wood elegante, porém com a grande diferença de que não rouba para os pobres, rouba para si; ele não tem escrúpulos em relação a isso, mas o mais impressionante é que não importa nenhum pouco, pois consegue nos conquistar desde o início com o seu bom humor constante e extrema inteligência.

"Trabalhava por prazer e por vocação, certamente, mas também para se divertir. Dava a impressão do autor que se diverte com a peça que faz representar e nos bastidores ri sem dissimulação de seus ditos espirituosos e das situações que imaginou."

Arsène Lupin significa para a França, o mesmo que Sherlock Holmes significa para Londres. O personagem fez extremo sucesso no momento da sua primeira aparição e desde então tornou-se queridinho dos leitores. Apareceu pela primeira vez em 1905, onde o conto que o originou, A Prisão de Arsène Lupin, foi então publicado em um folhetim mensal francês. Mas o mais interessante é a forma como o famoso personagem ganhou vida.

Maurice Leblanc, já com 40 anos de idade e uma longa carreira, foi desafiado pelo seu amigo, Pierre Laffitte, a criar um personagem que conseguisse competir no mesmo nível do famoso Sherlock Holmes. Leblanc não só aceitou o desafio, como o elevou a outro patamar, pois acho que nem o próprio imaginava o enorme sucesso que o seu ladrão de casaca alcançaria em tão pouco tempo. Outro fato curioso, é que assim como Conan Doyle, Leblanc também tentou matar o seu personagem após alguns anos, mas a revolta do público foi tão grande que o autor decidiu continuar com as suas façanhas.

O livro contém 9 contos em ordem cronológica, tornando-os ainda mais viciantes; assim que terminamos um, queremos imediatamente começar outro para descobrir qual será o próximo grande golpe. O primeiro de todos, é o conto de estreia do autor, onde podemos conferir a primeira grande aparição do personagem; o último, um dos épicos momentos onde temos a oportunidade de conferir cara a cara o encontro do maior criminoso de todos os tempos, com o maior detetive de todos os tempos, Sherlock Holmes (no original o nome se manteve, mas devido a um processo que o Leblanc sofreu do Conan Doyle por tomar emprestado o seu personagem, o nome teve que ser modificado para Herlock Sholmes). Aqui então, fica a enorme indagação: quem saiu vitorioso?

Lupin é o ladrão dos mil disfarces e o mais divertido e fascinante de tudo, é começar cada história tentando imaginar qual personagem ele interpretará a seguir. É raro que use o seu nome verdadeiro, pois todos o conhecem, mesmo assim, sempre consegue levar a melhor, e mantém o seu bom humor e elegância intactos em todas as ocasiões, mesmo nas mais perigosas.

Impossível dizer com certeza qual a sua aparência, ele a muda de acordo com os seus interesses. Com o tempo vamos pegando o jeito e já adivinhando de antemão em qual dos personagens do momento podemos identificar alguns vestígios da sua personalidade única e expressiva e, lógico, torcendo sempre para que tudo dê certo para o nosso querido criminoso. Amante do gênero policial e de façanhas detetivescas de todos os tipos, ainda não consigo entender como passei tanto tempo sem tomar conhecimento da existência desse personagem, que já se tornou, tão rapidamente, em um dos meus favoritos. 

"O seu retrato? Como posso descrevê-lo? Já vi Arsène Lupin vinte vezes, e cada vez era uma pessoa diferente, ou melhor, a mesma pessoa da qual vinte espelhos me refletiriam tantas outras imagens distorcidas, cada uma com seus olhos particulares, sua forma especial de rosto, seu gesto próprio, sua silhueta e seu temperamento."

19 comentários:

Adriana T disse...

Com uma resenha entusiasmada como essa é difícil resistir. Já estava morrendo de vontade de ler, agora mais ainda.

Andressa Leite disse...

Uau. Sou uma devoradora de livros de Sherlock Holmes e Poirot e nunca tinha ouvido falar de Arsène Lupin. Com certeza vai para minha lista de desejados *-*.

Millena Bezerra disse...

Também não havia antes ouvido falar a respeito deste tal Lupin, mas só sua resenha já bastou para me deixar simpática com o cara.
Acho detetives charmosos, imagino o que um criminoso charmoso é muito mais carismático!
E tem um lado interessante de se observar, sabe-se que ele rouba (é um crime, um pecado), mas como ele tem seus pudores, seus limites, ele é capaz de cativar as pessoas, onde está nosso senso de moral? Hahahahaha.
O que acho legal na Agatha é que ela matou o Poirot quando morreu. Mas concordo com o público que não "permitiu" que ele matasse o personagem dele, rs.
Nisso tudo, só lamento ser um livro de contos porque (não sei explicar o motivo) o gênero não me atrai.

jayane disse...

Simplesmente amei,também nunca tinha ouvido falar de Arsène Lupin,mas gostei muito da resenha as vezes torcer para o ladrão e muito bom.

Ricardo Biazotto disse...

Logo que li "Sherlock Holmes, ou Hercule Poirot" sabia que seria um livro que precisava conhecer e com todas as suas palavras, quero entender porque ainda não conhecia o autor/personagem. Fiquei curioso para conhecer esse conto que há o confronto com Sherlock e pelo que pude entender, não seria fácil escolher o lado para quem torcer. É isso mesmo, Duda?

Esse sem dúvidas vai para a lista de futuras leituras.
Depois vou procurar um pouco mais sobre o Leblanc. Você pretende usá-lo no Especial Autores?

Beijos, Duda.
Ricardo - www.overshock.blogspot.com.br

leitura hot disse...

Adorei a sua empolgação nessa resenha...fiquei até curiosa pela estória.

Beijokas
Amanda
leiturahot.blogspot.com

Gih Pinheiro disse...

Faz muito tempo que ouvi falar desse livro e sempre tive muita vontade de ler, mas é a primeira vez que vejo alguém falar dele e adorei!!!
beijos

http://kastmaker.blogspot.com/

Aione Simões disse...

Duda, você não está sozinha nessa de conhecer o personagem. Eu não fazia ideia de sua existência até ler sua resenha!
Agora estou curiosíssima pra ler, os contos parecem ser incríveis!
Beijão!

Alinne disse...

Que resenha mais empolgada! Isso me contagiou! Fiquei curiosa para ler esses contos, ainda mais porque eu não fazia ideia deste personagem ;p
Beijos.

Lucas Martins disse...

Não conhecia o livro, Duda, acredita?
Acho que já tinha visto no site da editora, mas ainda não havia lido nenhuma resenha, nem muitos detalhes, não...
Mas achei super interessante a construção do personagem... Um personagem do lado oposto da força, rsrs
Você citou Poirot (acredita que eu sou mais da Miss Marple? Rsrsrs Adoroooooo ela!)
Fiquei bem curioso para conhecer as histórias e o personagem (que me lembra HP, Lupin, rsrsrs)
Beijão, Duda!

Aline Coelho disse...

Eita amiga esse é bem seu estilo, bela resenha e ótima indicação.
Ainda não conhecia esse livro mas vindo dessa editora já é meio caminho andado para ser um livro bom né!!!!
Fiquei impressionada com o que vc relatou sobre o autor do livro muito inteligente e criativo ele!!!
Criar um tipo de anti-heróis parea competir com Sherlock Holmes, adorei o desafio que ele aceitou.
É um verdadeiro toque de mestre criar um personagem que tenha tamanho poder de conquistar por tantos anos o público, perfeito!!!
Nossa amiga obrigada por me apresentar algo tão interessante!!!
Saudades!!!

p.s. Como vc conheceu esse livro???

João Victor disse...

Oi ..

Não conhecia a obra, portanto sua resenha foi muito útil em me apresentar o livro, rs.
Apesar de não ser fã de contos, o livro parece ser legal. Fiquei bem curioso!

Ótima resenha.

João Victor
Amigo do Livro
http://amigodolivro.blogspot.com.br/

Julia G disse...

Oi Eduarda, não conhecia esse ladrão tão impecável, mas já me interessei muito com a sua resenha. Normalmente não gosto muito de contos, mas quando se trata de histórias viciantes, é impossível não querer ler. E fala sério, eu me sinto "culpada" quando eu torço pelo bandido ;x
UIAhua

Beijos

Andressa Tomaz disse...

Oi Dudinha!
Não conhecia esse livro, nunca tinha ouvido falar na história. Mas agora fiquei imaginando realmente como seria ter um Sherlock Holmes no mundo do crime. Não deve ser um vilão que todos pensam em encontrar né?
Fiquei curiosa para conhecer a personalidade deste personagem que você tão bem descreveu. Mesmo assim não sei se saberia diferenciá-lo em algumas cenas (sou um pouco ler).

Beijos!

HONORATO, Sandro disse...

Duda :)
Como vai?
Excelente resenha *-*
Eu não conhecia a obra e agora fico imaginando: se o meu mestre Sherlock Holmes fosse do lado do inimigo?Acho que eu iria admira-lo mais ainda kkkkkkkkkk

Beijos e cuide-se

Ana Ferreira disse...

Duda, eu nunca tinha ouvido falar no "Ladrão de Casaca" e, por sua resenha, adorei saber que há um antagonista, assim digamos, no melhor estilo Sherlock Holmes. Adoro romances policiais clássicos e tudo me leva a crer que o de Leblanc não perde em nada para os outros.
Agora, venhamos e convenhamos, esse processo do Conan Doyle só vem pra acentuar a rivalidade entre franceses e ingleses. Transformar Sherlock em Herlock? hahahah Soa até cômico.

Beeeijo!
Ana - Na Parede do Quarto

Effy disse...

Não conhecia o livro. Contos são bons, a única coisa um pouco chato é que normalmente quando estamos entrosados e gostando a história acaba. Já que ele muda em cada personagem, acho que sempre tentaremos adivinhar quem será ele, qual personagem. A capa traz muitos detalhes e o livro nem é tão grosso..

Até mais!
Beijos ^^

Vê Inamonico disse...

Já é a segunda crítica positiva que leio de "O Ladrão de Casaca" e isso me deixa muito curiosa para ler o livro.
Encontrei um exemplar dele na midiateca da minha escola de francês, mas, como ainda sou iniciante, não teria condições de ler o original o que, posteriormente, seria muito interessante!
Enquanto meu francês não avança, ficarei satisfeita em ler a edição da Martin Claret que sempre arrasa nos clássicos!!
Adorei a resenha!!

xx

Only The Strong Survive

Kica disse...

Nossa! Fiquei super curiosa.
Sou amante dos livros de Sherlock Holmes e do Poirot, e fiquei morrendo de vontade de conhecer este Arsène Lupin!
Obrigada pela dica!
Bjs

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