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by • junho 13, 2012 • ResenhasComments (21)3034

[Resenha] O Prisioneiro do Céu, de Carlos Ruiz Zafón

Ler Zafón é uma experiência única em diversos sentidos. Os seus livros são do tipo que conseguem deixar marcas no leitor, despertando inúmeros sentimentos ao longo das páginas. O autor é um verdadeiro mestre das palavras e, além desse dom extraordinário em contar histórias, ainda possui uma imaginação incrível entrelaçando acontecimentos em épocas distintas do tempo, mesclando-os habilmente de um livro para o outro, nos mostrando diferentes pontos de vista através de pedaços de uma mesma história separada pelo tempo.

O Prisioneiro do Céu é a continuação do aclamado A Sombra do Vento, mas me enganei ao pensar que O Jogo do Anjo não possuiria uma influência tão direta neste volume quanto o seu antecessor – ele possui, e muita. É como se a narrativa dos dois livros tomassem caminhos separados, porém paralelos, culminando nos acontecimentos relatados neste volume.

Grande parte da leitura consiste em uma retrospectiva ao passado para que possamos conhecer aspectos importantes que não haviam sido abordados nos livros anteriores, mas que são de suma importância para nos fazer entender tudo o que está por vir. Conhecemos mais a fundo o passado do adorável Fermín e, finalmente, iremos tomar conhecimento de tudo o que aconteceu com ele durante os seus dias mais obscuros.

Nesta viagem ao passado, iremos mergulhar no dia a dia de uma prisão maldita localizada num castelo acima da cidade onde os de pouca sorte eram relegados ao esquecimento para uma morte certa. As coisas assim funcionavam, até um grupo peculiar encontrar-se encarcerado ao mesmo tempo naquele lugar de misérias e mudar para sempre o rumo da história de cada um dos envolvidos. Uma vez começada a leitura é impossível parar de ler e nem de longe eu poderia imaginar o significado de tudo o que estava prestes a ser revelado e o quão o relato do Fermín iria afetar boa parte do que havíamos pensado até então, tornando tudo ainda mais interessante e complexo.

” – Colocaria minha vida em suas mãos de olhos fechados. Não é isso. Só contei uma parte da história para proteger você.– Proteger? A mim? Proteger de quê?Fermín abaixou os olhos, arrasado.– Da verdade, Daniel… Da verdade.”

Só um autor com extremo domínio de escrita conseguiria passear por tantas épocas distintas no tempo e separá-las de forma tão inteligente em diferentes livros de uma série que, não importa a ordem lida, será igualmente entendida. Cada uma dessas histórias, quando reunidas, contarão apenas uma só: a de personagens inesquecíveis, mergulhados em uma vida de mistérios e segredos familiares; o relato único de pessoas que se defrontaram com uma vida de escolhas e tiveram que carregar para sempre o peso das mesmas, cujas marcas assombrariam e mudariam o rumo das gerações seguintes.

É difícil falar sobre O Prisioneiro do Céu sem entrelaçá-lo a outro da série. No entanto, ao menos para um melhor entendimento e visão geral dos fatos, recomendo prioritariamente a leitura de A Sombra do Vento, pois a história irá adquirir maior sentido, mesmo que este não seja extremamente necessário ao que será contado. Pode até não ser obrigatório, mas é indispensável para aproveitar a leitura do livro em toda a sua plenitude.

O Jogo do Anjo é um caso à parte. Vibrei ainda mais por já conhecer a história sombria do misterioso David Martín, um personagem de suma importância em Prisioneiro do Céuporém, para aqueles que quiserem tomar conhecimento sobre a sua vida apenas após o término desta leitura, será igualmente agradável e interessante; até mesmo diria que caso já não tivesse feito anteriormente, iria correndo adquirir o meu exemplar assim que virasse a última página do livro.

Os três romances são ambientados em uma Barcelona quase mística e cada um deles possui um mistério à parte a ser esclarecido. Porém, por mais que ofereçam uma história completa entre si, sendo este último o único detentor de um final mais em aberto, os laços que os unem são muito mais fortes do que primeiro aparentam, e tomam neste livro proporções ainda maiores em um passo definitivo para desvendar o grande mistério que envolve a todos eles.

Não poderia recomendar este volume sem, ao mesmo tempo, recomendar os dois anteriores. Ele é uma compilação das brechas geradas pelos outros. A narrativa poética e afiada do Zafón adquire contornos eletrizantes rumo a um grand finale que tem tudo para ser épico. Difícil vai ser dizer adeus no próximo (e último) volume para alguns dos personagens mais marcantes que já conheci na vida. Felizmente eles estarão sempre por perto, para qualquer leitor que queira se aventurar pelos corredores fantasmagóricos do maravilhoso Cemitério dos Livros Esquecidos.

“Há épocas e lugares em que ser ninguém é muito mais digno do que ser alguém.”

Título Original: El Prisionero del Cielo
Editora: Suma de Letras
Número de Páginas: 248
Gênero: Romance/Suspense

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21 Responses to [Resenha] O Prisioneiro do Céu, de Carlos Ruiz Zafón

  1. Você podia ser contratrada para ser a Zafon’s Girl!

    Primeira coisa que quero mencionar é que desde que te “conheço”, morro de vontade de ler livros do autor e vou colocar como prioridade na lista de desejados.

    Observo que os livros do autor não devem ser meramente lidos, mas sentidos. Parece algo metafórico e poético, mas aparentam ser livros para ler com a alma.

    Tenho muita admiração por autores que sabem mergulhar na história e criar memória (ou trajetória) para seus personagens numa trama ricamente trabalhada e bem elaborada.
    Eu considero uma particularidade essa névoa sombria que cerca seus livros.
    Em suas resenhas percebo que Zafón, mesmo sendo intrínseco, é loquaz.

    Beijocas!

  2. Layn disse:

    Quando eu li A sombra do vento, me apaixonei pelo Zafón assim como o Daniel se entregou ao livro que encontrou no Cemitério dos Livros Esquecidos. O Zafón ia narrando e eu me sentia perdida pela história.
    Não consegui ler O Jogo do Anjo até agora porque o preço nunca fica baixo o suficiente pra eu conseguir comprar, mas já to tentando descolar O prisioneiro do céu de presente de aniversário/dia dos namorados/natal ou qualquer coisa do gênero. :3

    taiyounorakuen.blogspot.com

  3. Michelle' disse:

    Oi Duda!
    Você fala tão bem desse autor que eu já coloquei A Sombra do Vento na minha listinha de desejados, pretendo conseguir ler logo.
    Adorei sua resenha, acho que poucos escritores têm esse dom de intercalar épocas sem nos deixar confusos ou por fora do que está acontecendo.
    Realmente quero começar a ler os livros do Zafón e ver se vou concordar com você, mas dada a sua resenha e seus comentários com certeza vou gostar!
    Beijinhos
    Michelle, Minha Bagunça

  4. Ola (:

    Zafón é um dos autores que estão na minha lista dos que não vou muito com a cara, não sei porque, mas não me chama atenção. Mas você falou muito bem dele, eu que sou uma garota muito difícil, hahah

    beijos!

  5. Mônica disse:

    Oi Duda, acabei de comprar esse livro. Eu o comprei em sua homenagem, sério!
    S´s que vamos ter um pouco de paciência pois eu ainda não posso ler, vai demorar.
    Adorei sua resenha,apaixonate, como sempre, mas principalmente pela sua orientação para leitura do Jogo do Anjo, que eu ainda não li, mas tenho ele aqui.
    Beijos

  6. Duda 🙂
    Como vai?
    Nunca li uma obra do Zafón mas nunca vi falarem mal de suas obras >.<
    Adorei a resenha *-*
    Meus parabéns 🙂

    Beijos e tenha uma excelente semana

    RIMAS DO PRETO

  7. Que delícia conhecer seu blog, frô!
    E como você adoro o Zafón e estou mega ansiosa por ler este, ainda mais agora com a tua resenha.
    Passarei sempre por aqui, porque adorei mesmo teu cantinho.

    E se quiser, me visite também, o blog é novinho, mas acredito que possa gostar!

    Xêros
    Pagu ou Paty, se preferir! ;oD

  8. Aione Simões disse:

    Adoro quando você fala do Zafón, porque é sempre com tanta paixão!
    Bom, há muito tempo tenho curiosidade de conhecer a escrita de Zafón. Minha ideia era começar por A Sombra do Vento, mas quero, agora, começar por O Jogo do Anjo e depois ler os outros dois da série. Estou bem curiosa pra ver como o autor conseguiu levar as histórias pelas diferentes épocas e, aparentemente, de maneiras paralelas, porem muito conectadas umas às outras!
    De qualquer forma, sinto que começarei por Marina, já que é o único livro do autor que já tenho!
    Beijão!

  9. Aline Coelho disse:

    Esses comentários que vc faz no inicio do texto vc falou no video não foi??? Mas adoro ver sua paixão por esse autor =)
    Acho o máximo quando começamos a ler um livro que nos prende e só conseguimos largar qnd terminamos.
    Ótima resenha \0/

  10. Duda, já disse isso, mas repito: poucas vezes vi alguém falando sobre um ator com tanta admiração e carinho como você fala sobre Zafón. Mais uma resenha dos livros do autor e mais uma vez despertou interesse pelo simples fato de você citar a forma como ele escreve e a parte sombria que existe em seus livros livros.
    Trabalhar com o tempo da forma como parece existir é uma coisa rara e por isso o autor merece destaque.
    Não posso dizer muito, já que não conheço a obra em si, mas sim, pretendo ler o quanto antes.

    Parabéns por mais uma fantástica resenha, Duda.
    Beijos

  11. Julia G disse:

    Nossa Duda, só posso dizer que estou cada vez mais apaixonada pela escrita do autor sem nem ter lido um de seus livros ainda. rsrs
    Espero poder ler alguns deles em breve, com tantos comentários positivos sobre sua desenvoltura e maestria na arte da escrita, é impossível não se sentir interessada.

    Beijinhos

  12. Brubs. disse:

    Me apaixonei pela sua resenha e muito mais pelo autor, não li ainda A Sombra do Vento, mais tenho uma enorme curiosidade e vontade em ler. O unico de Záfon que eu li foi Marina e me apaixonei, a escrito do autor nos prende de uma tal forma, que eu esqueço do mundo ^^
    Louca para ler esse livro. Sem falar nas capas que são linda
    Beijos
    Bruna-Livros de Cabeceira

  13. Dudinha e seu querido Zafón!
    Como acho que já comentei aqui um milhão de vezes, nunca li nada do autor e é você que me deixa com curiosidade de ler algo dele. Parece que eles sempre tem histórias envolventes e com tramas diferentes. Vou ler Marina primeiro e ver o que acho!

    Beijos.

  14. Lucas Martins disse:

    Olha que coisa linda o blogger me trollando, ê maravilha! Eu bem belo achando que o comentário tinha entrado. Ai ai.
    Você sabe (eu sempre comento) que sou louco para ler os livros do Záfon. Essa forma poética como ele escreve é o que mais me deixa com vontade de ler suas obras.
    Nunca li um livro que se passe nas redondezas onde ele escreve suas histórias. Garanto que, quando ler, será uma experiência ótima!
    Beijão, Duda!

  15. Nossa não falou muito sobre o livro ou a série, mas me deixou hiper afim de conhecer e desvenda todos esses mistérios… uahuah

  16. Ann Gominho disse:

    Apaixonei-me por este autor quando li “O Jogo do Anjo” e seu volume posterior (não lembro o nome agora.) Seus livros sempre conseguiram me prender e me levar para a realidade que Carlos escreveu. Não conhecia esse livro ainda, mas agora que conheço quero muitoo ler!! 😉

    Beijos
    Ann G. anngominho.blogspot.com

  17. Effy disse:

    Oi..
    Confesso que seu amor pelo autor me faz querer ler seus livros, mas especialmente Marina. Não sabia que esse seria continuação. É bom e ruim quando tá pra acabar uma série..

    Bjs

  18. Ainda não li nada desse autor , mas depois de ler sua resenha fiquei com uma vontade tremenda de ler , não gosto muito dessa capa acho meio sombria e triste mas é o estilo do autor que combina né ? Adorei a resenha assim que tiver oportunidade vou ler os primeiros livros para depois ler esse . Bjus

  19. Pabline disse:

    Vc não tem noção do desespero que sentir pra comprar esse livro quando o vi na livraria. Vc não tem noção.
    Preciso muito desse livro, vc meio que me viciou em Zafón, sabia? Já me apaixonei por esse homem e pela sua magia com as palavras. E como não poderia ser diferente, quero muito ler essa obra. Muito mesmo.
    Bj Duda, e como sempre, amo suas resenhas!

    -Amigas Entre Livros-

  20. Gostei muito desse livro é mais uma pecinha do quebra cabeças emocional criado por Zafon,to ancioso parA o proximo que vai fexar essa trilogia…Obs eu acho que deve ser um sentimento comum em que ler os livros de Zafon no caso dessa trilogia, que sempre que acabo de ler fico triste por não esatr compartilhando meus dias minhas horas com esses personagens incriveis apaixonantes como Carax, Daniel, Sr Sempere, Cristina, Isabela, Martin, Firmim entre outros…kkkk a palavra é saudade sempre que termino da uma saudade…

  21. Anonymous disse:

    Legal a tua resenha Eduarda. Pra quem gosta do Zafón e curte os personagens de A Sombra e O Jogo, é legal. Mas o livro é o mais fraco do autor, aliás, parece que Zafón não foi tão Zafón no livro. Aliás, eu diria que Zafón fez Marina e A Sombra num crescendo. Em O Jogo começa a cair (eu não vi tudo isso em O Jogo do Anjo – acho que ele não dividiu claramente a realidade da esquizofrenia de David e não deixou ao leitor base para saber bem o que era o real e o que não era – muitíssimo aquém de A Sombra) e em Prisioneiro bate no fundo. Mas é o fundo de Zafón, claro, que é mais alto que a média. Eu vou comprar o quarto livro quando sair porque sou dos que gostam de Zafón e porisso curti ler Prisioneiro. Mas nunca recomendaria ele ou O Jogo para quem não conhece Zafón. Recomendaria A Sombra e Marina, para serem lidos nessa ordem. Depois sim, seguir com O Jogo e Prisioneiro. Ler Marina antes de A Sombra, pra quem não conhece o Zafón, tira um pouco do impacto que a prosa dele causa à primeira vista.
    JOÃO ADOLFO GUERREIRO – jasguerreiro@ig.com.br

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