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by • outubro 26, 2012 • ResenhasComments (34)2531

[Resenha] O Lamento do Violino, de Gabriel Rolón

Um psicanalista é chamado por uma jovem milionária que o pede ajuda para atestar a incapacidade de seu irmão com problemas mentais, acusado de assassinar o pai. Javier havia assumido a autoria do crime por meio de uma carta, antes de tentar o suicídio e, desde então, encontra-se internado em uma clínica psiquiátrica em estado de coma induzido.

O Lamento do Violino é um thriller psicológico escrito por um dos profissionais que melhor entendem sobre a mente humana e suas tortuosidades, o psicanalista e escritor argentino Gabriel Rolón. Por causa disso, é possível encontrar ao longo do livro explicações mais elaborados e didáticas sobre os termos utilizados, levando em consideração que o próprio protagonista da história também exerce a profissão e, esta, tem tudo a ver com o desenrolar da trama.

Pablo Rouviot reluta em aceitar o caso, e antes de dar uma resposta definitiva, resolve investigar. A medida em que vai percorrendo mais a fundo as suas camadas, percebe que há muito mais ali do que as aparências demonstram e, ao concluir que talvez o jovem acusado não seja na realidade o executor do crime, a sua obsessão pela verdade o coloca em uma situação extremamente perigosa, onde a sua própria vida pode estar em perigo.

Ao dar início a leitura, primeiramente imaginei que o livro prometia muito, mas entregava pouco. O ritmo é lento, e nota-se no começo, uma narração meio travada, ainda tímida, deixando claro ser esta a primeira tentativa do autor no ramo ficcional (ele já havia escrito outros livros não-ficcionais relacionados a sua profissão). Com o tempo, porém, vai pegando o ritmo e a história fica mais interessante, ainda que em algumas situações nas quais o protagonista se arrisca desnecessariamente e, consequentemente prova o seu talento analítico, tenham me parecido meio forçadas.

Um ponto muito positivo é que o autor, apesar de saber estar escrevendo para leigos sobre um assunto que claramente domina no campo real, não subestima a capacidade do leitor, e nos apresenta uma explicação plausível e de fácil entendimento para todas as suas teorias e conclusões. De certa forma é estranho ver o protagonista conversando com um psiquiatra/ou outro psicanalista de modo tão mastigadinho quando sabemos não ser necessário, mas, de outro modo, ficaríamos voando no assunto e o livro perderia o seu sentido.

A história é interessante e nos impele a continuar até descobrir o desfecho do que aconteceu, mas não tem aquela característica marcante de nos deixar ansiosos a caminho do clímax derradeiro. É mais uma curiosidade natural, não chega a se tornar maçante, porém. A vítima do crime não inspira a menor simpatia e, assim como muitos dos personagens, o leitor chega a ficar contente pela sua morte (pode parecer cruel mas só lendo para entender) o que, imagino, influencia no nosso julgamento e vontade de deixar como estar; não é como se alguma justiça precisasse ser feita, ela meio que já foi, de uma maneira não-tradicional e um tanto primitiva, mas ainda assim.

Pablo tem sede pela verdade e por isso não consegue repelir o impulso de desencavar o que de fato aconteceu, doa a quem doer. Em certos momentos eu entendia essa compulsão, em outros não. Às vezes me parecia que o protagonista estava apenas arriscando coisas demais, com motivação de menos, e alguns dos recursos utilizados na investigação me pareceram exagerados.

“A verdade. Tão desejada e temida ao mesmo tempo. Às vezes, por maldade, outras pela dor ou simplesmente porque o tempo estendeu um véu de fatal encobrimento, jaz oprimida e quanto mais oculta, mais forte. Porque não sabe morrer. Porque sabe ser silenciada, escondida ou esquecida, mas ainda assim clama que a notem, grita a sua presença. Onipresente em sua aparente ausência. Marcando e condicionando o modo de gozar e padecer, de nos relacionarmos com os outros e com nós mesmos. Ninguém pode ser completamente feliz senão ao custo de certa ignorância, mas essa ignorância não está ao alcance de qualquer um.”

Mesmo com alguns deslizes aqui e ali, o livro é um bom thriller. O final é satisfatório, com uma explicação interessante que remete a algumas informações e diálogos pregressos, já do conhecimento do leitor, que adquirem um novo significado à luz das revelações – apesar de, infelizmente, deixar algumas pontas soltas, ou ao menos fracamente explicadas. O título, embora fuja um pouco da sua tradução original, tem tudo a ver com o livro e, de certa forma, concede-lhe um ar até mais poético e interrogativo. Não é um livro indispensável, mas vale a pena como leitura passageira.

Título Original: Los Padecientes
Editora: Planeta
Número de Páginas: 304
Gênero: Thriller psicológico/Suspense
Cedido em parceria com a Planeta

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34 Responses to [Resenha] O Lamento do Violino, de Gabriel Rolón

  1. Sofia disse:

    Oi Duda!

    Fico me perguntando qual será a ligação existente com a música ou então só o violino e apesar da história não ter me interessado tanto, fiquei curiosa em relação a ele, tanto por seu título misterioso (:d), quanto pelo seu gênero!

    Beijos!!

  2. Ana Ferreira disse:

    Duda,
    Não sei quanto a você, no momento em que o escolheu, mas esse livro me ganhou pelo título extremamente poético. Lindo! A história, por outro lado, não me chamou muita atenção. Acho que talvez ela não tenha nenhum elemento arrebatador e desconfio de que em seu desenvolvimento também não, como li em sua resenha. Ótima, a propósito.
    E muito bom esse trecho sobre o antagonismo entre a verdade e a ignorância. Fico com a verdade ^^
    Beijão!

  3. Oi duda,
    Estava aguardando por essa resenha e estava esperando mais.
    Admito que senti um tom de decepção na sua resenha rsrs.
    Mas sendo o primeiro livro ficcional do autor, quem sabe os próximos sejam melhores.
    Se tem algo que me frustra são finais com pontas soltas. Acho que é por encontrar isso com tanta frequência que gosto cada vez mais de Agatha Christie e Michael Connelly.
    Abraço,
    Alê
    alemdacontracapa.blogspot.com

  4. Aione Simões disse:

    Oi Duda!
    Uma pena que o livro não tenha te agradado como um todo. Pelo que você citou, acho que o interessante do livro não é sua história em si, mas o fato de o autor ser um psicanalista e isso influenciar positivamente o enredo.
    Confesso que fiquei curiosa por conta disso!
    Beijão, querida!

  5. Olá!
    Eu gosto desse tipo de livro mas não costumo me prender à ele sabe… por isso não tenho muitos do estilo. Mas que nome e capa mais lindos!
    Uma pena que não tenha sido aquilo tudo né!
    Parabéns pela resenha!
    Beijos!

    Andressa
    umdiaacadalivro.blogspot.com.br

  6. Duda, apesar de gostar da maioria dos thrillers, as últimas duas experiências com thrillers psicológicos não foram das melhores. Não diria porque eram livros ruins, apenas não atenderam a expectativa criada por seus lançamentos. Assim como todos os outros, esse parece ter uma ideia interessante, ainda que você tenha afirmado que a leitura não seja indispensável.
    Como não conhecia o livro e sua resenha já dá uma ideia do que vou encontrar, acredito que posso gostar mais do que os anteriores, principalmente por ter sido escrito por um especialista.

    Ótima resenha – espero que não ache isso repetitivo 😡
    Beijos.

  7. Oii Duda!
    Achei a capa linda e o título super atraente, mas a resenha em si, não me chamou muito a atenção, sabe? Acho que não faz o meu estilo literário, rs.
    Beijo!!

  8. Oi Duda

    Não sei se leria, um livro desse estilo e lento é daqueles que eu levo 1 ano para ler rsss por outro lado adoro quando vão a fundo da parte psicólogica.

    Bjus

  9. Alinne disse:

    Duda, adoro livros com este tema em questão. Sempre estou a procura de um…Pena que este deixou algumas coisas a desejar, porém é interessante o fato do autor conhecer bem o assunto.
    Beijão.

  10. Lucas Martins disse:

    Eu gostei quando você comentou sobre ele, Duda, mas essas ressalvas me deixaram meio com um pé atrás. Sempre fico assim com livros que começam lentos.. Fico pensando que poderia ler outros mais rápido. Mas dá para compreender, visto que esta é a primeira experiência do autor no romance.
    Beijão!

  11. WilLDuarte disse:

    Tenho um problema enorme com livros com um começo lento. Sempre estendo a leitura muito mais que o necessário, então quando percebo que um livro possui essa característica geralmente torço o nariz para ele. E acho que esse é um dos principais motivos para O Lamento do Violino não me chamar muita atenção.
    Pelo que você falou parece ser um bom thriller, mas não acho que iria se encaixar muito bem com meu gosto.
    Beijão, Duda!

  12. Aline Coelho disse:

    Não conhecia, que capa linda. Adorei sua resenha e todas as explicações que vc apresenta. Valeu pela dica de leitura!!!!

  13. Cris Aragão disse:

    Tem muita gente que compra livros por causa da capa, eu sou fascinada por títulos, embora eu não chegue a comprar livros exclusivamente pelo nome, títulos sugestivos ou poéticos como o desse livro podem me fazer decidir por uma compra. Eu acho que iria gostar de ler esse livro, embora você tenha mostrado suas deficências tais como o início lento e a visível inexperiência do autor, creio que no todo a sua resenha mostrou que se trata de uma leitura que pode ser muito interessante.

  14. Clara Lopes disse:

    Meu pai leu e gostou bastante disse que tenho que ler.

  15. Neny disse:

    Eu gosto muito de ler triler psicologicos, eles sempre me prendem.
    Pena pelos deslizes mas infelizmente isso esta cada vez mais normal, uma pena,
    beijos.

  16. Confesso q o q me chamou atenção mesmo foi o nome.
    Mas eu tb quero saber o q realmente aconteceu, então, mesmo q ele tenha uma leitura meio devagar, ao q parece, ainda assim quero ler.

  17. Oi Duda, confesso que esse livro me deixou muito curiosa. Imagino que a trama seja intensa e carregada de drama, estou certa? O título da obra é bem sugestivo. Parabéns pela resenha. Bjs, Fê – http://segredosemlivros.blogspot.com.br/

  18. Fiquei interessada. Gostei da sinopse e sua resenha, apesar de citar alguns pontos negativos, não fio netagiva com relação ao livro. E o título me deixou bem curiosa.

    Carissa
    http://artearoundtheworld.blogspot.com

  19. Gustavo disse:

    eu adoro livros escritos assim, por psicologos e pessoas muito sabias, aposto que este livro é assim, vou gostar de ler ele…

  20. Olá,td bem?
    Achei a capa do livro bem legal.Esse livro é o tipo de leitura que nos deixa entusiasmados para lê-lo.
    Quero muito poder lê-lo,para assim poder tirar minhas proprias conclusões.Desde já confesso que gostei muito da sua resenha.Bjos

  21. VANESSAANGELQ disse:

    Nossa esse livro O Lamento do Violino,chamou minha atenção, sendo um thriller psicológico com certeza vou ficar envolvida querendo desvendar o mistério e descobrir o que acontece no final

  22. Hummmm interessante!
    Eu não leio muitos livros nesse estilo e nem com essa temática mais psicológica, mas confesso que fiquei curiosa.
    Não sei porque (uma vez que uma coisa não tem nada a ver com a outra), mas lendo sua resenha eu pensei no filme Millennium (da trilogia). Apesar de ter visto só o filme, dá para imaginar quanto o livro deve mexer com o psicológico do leitor, assim como “O Lamento do Violino”.

    Parabéns pela resenha. Impecável, como sempre!

    Beijos

  23. Vanessa disse:

    Tá aí um livro que eu leria sem pensar duas vezes.
    Sou muito fã de thrillers psicologicos e acho este gênero extremamente inteligente.
    Com certeza é um livro que eu quero ler neste próximo ano.

    Vanessa – Blog do Balaio

  24. Gostei demais do trecho na resenha, acho que gostarei se ler o livro…

    😀

  25. Nardonio disse:

    Como fã do gênero,. achei essa história bem interessante. O grande ganho é que o autor é psicanalista e tem “bagagem” pra desenvolver uma história. E mesmo com esses poucos pontos negativos, lerei, sim!

    @_Dom_Dom

  26. Mariana FS disse:

    Oi Duda!
    A sinopse é muito interessante, pena que o autor não tenha conseguido desenvolve-la tão bem.
    Me chamou atenção o que você comentou a respeito dos dialogos e essa é realmente uma das maiores dificuldades de autores iniciantes: escrever um dialogo que seja verossímil para as personagens, ou seja, sem comentarios feitos apenas para o leitor, mas ainda deixando o leitor a par de tudo.
    É uma pena que a execução de uma ideia tão interessante tenha deixado a desejar.
    Beijos

  27. Genilda Silva disse:

    Gostei da trama, ainda mais sabendo que foi escrita por um psicanalista que pode explicar um pouco melhor sobre a mente humana e sua influência nas atitudes.

  28. Gostei da resenha. AO enredo é interessante, apesar de não ser novo. O que parece ser interessante é que é escrito por psicanalista

  29. Gabriela disse:

    Gostei do enredo e acho que me daria perfeitamente bem com o livro. Só que tem alguns na minha lista de prioridades antes deste.

  30. Cíntia G. disse:

    Olá Duda, muito curiosa para ler o livro, só ainda não entendi o tal do violino…

  31. Nunca me interessaria por este livro se não tivesse lido esta resenha, sério… Sei lá, o título é vago… Mas o importante que fiquei com vontade de ler depois de sua resenha…
    Parabéns!

  32. Mary E. disse:

    \O/ amo Thrillers. Acho tão mais emocionante ler um livro desse tipo do que romance, haha. Gostei muito da resenha. Fiquei com uma super vontade de ler esse livro. 🙂

  33. Kayla Alves disse:

    Acho que leria esse livro numa tarde de descanso, sendo totalmente leiga sobre esse assunto acho que teria partes que eu não ia entender, mas parece ser um livro interessante, ao menos o titulo chama a atenção.

  34. diegordss disse:

    Muito interesante a resenha! Pelo visto o livro vai percorrer os mistérios da mente humana junto de uma investigação de um assassinato em aberto.
    Adoro também este estilo de conto cheio de suspense e quero muito ler este! Abraço!

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