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by • fevereiro 19, 2013 • ResenhasComments (32)2176

[Resenha] Filhos do Fim do Mundo, de Fábio M. Barreto

A premissa de Filhos do Fim do Mundo é interessantíssima, principalmente para quem tem uma queda por cenários apocalípticos e desesperadores (como eu). De um dia para o outro todos os recém nascidos morrem, mas não apenas eles: todos os bebês até um ano de idade são encontrados mortos. Misteriosamente.

“Seu filho estava morto.Todas as crianças da maternidade estavam mortas. Todas.Atrás dele, o relógio marcava meia-noite e cinco minutos. A luz verde do calendário eletrônico brilhava com ar fúnebre. Eram os primeiros minutos do fim do mundo.”

Não se sabe o que ocasionou tamanha catástrofe, e o mundo não demora para virar uma completa bagunça. O desespero impera por todos os lados, afinal, são mortes de entes queridos e, mesmo aqueles não afetados diretamente, temem pelo seu futuro. É aí que entra o Repórter. Prestes a se tornar pai, ele se prontifica para seguir em uma viagem investigativa juntamente com um membro das forças militares, pois, além de tudo, será diretamente afetado se a cura não for imediatamente descoberta.

Achei interessante o cenário devastador criado pelo Barreto. Os seres humanos, quando em perigo, tendem a ser virar uns contra os outros. A máxima de “cada um por si”, apesar de aterradora, não é incorreta. As pessoas procuram a quem culpar, incitam guerras que só irão piorar o que já está terrível e a ameaça passa a ser vista por todos os lados, mesmo pelos supostos aliados. A construção desse cenário é progressiva, perspicaz e crível; imagino que não seria muito diferente da realidade, se algo semelhante viesse a ocorrer.

Os personagens não têm nomes. Todos as pessoas presentes no livro são identificadas pela sua profissão: a Esposa, o Diretor, o Major, o Blogueiro, o Filho. Tampouco sabemos o lugar onde a história é ambientada. Não é mencionada cidade, país, região. Em determinado ponto da história, o protagonista viaja para outro país, mas não sabemos de onde veio nem para onde vai. Este tipo de artifício é arriscado, pois tanto pode funcionar muito bem, quanto pode – como no meu caso – distanciar o leitor do que está acontecendo. É algo que não funcionou bem para mim, porém não significa que não irá funcionar para você. De toda forma, isso por si só, não teria contribuído menos ou mais para que eu gostasse do livro.

Um dos primeiros problemas iniciais foi a narrativa, que achei um pouco confusa. Me vi relendo alguns trechos pelo menos umas três vezes para conseguir ter uma ideia mais clara do que aconteceu. Às vezes acabava desistindo e simplesmente deixava passar. Felizmente, estava achando o desenvolvimento interessante, queria saber o que ia acontecer e, principalmente, encontrar respostas. Afinal, quando a gente começa a ler sobre algo tão catastrófico, a busca e descoberta do que ocasionou tal evento é um dos principais pontos.

Então é aqui que eu deixo bem claro a maior decepção de todas: o final. Para mim foi extremamente frustrante quando virei a última página. Não foi nem um pouco esclarecedor, longe disso. Durante o livro inteiro nos deparamos com um cenário. No final, do nada, a situação muda completamente sem explicação (tanto do novo cenário, quanto do que ocasionou a mudança), e fica simplesmente como está, sem mais nem menos.

Fiquei com aquela sensação de que toda a história foi em vão. O autor não se preocupou em trazer a mínima explicação de como, quando, onde e por quê. Na verdade embaralhou tudo e só trouxe ainda mais dúvidas. Fiquei me perguntando qual o sentido de tudo aquilo. Sim, é ficção, mas gosto de pensar que mesmo em histórias não-reais há uma razão lógica por trás das coisas e, a forma como o livro terminou, tirou qualquer lógica racional que pudesse existir.

A minha expectativa completamente frustrada foi o que me fez não gostar do livro. Talvez elas estivessem muito altas, não sei. Talvez eu estivesse esperando algo completamente diferente do que foi. O que sei é que gostar ou não de Filhos do Fim do Mundo parece-me algo completamente relativo. Até agora, só tenho lido resenhas positivas a respeito do livro. Pode ter sido algo estritamente pessoal, principalmente quando a minha opinião vai de encontro ao que tenho encontrado. Como experiência de leitura não atingiu as expectativas e o desfecho inconsistente deixou o seu gosto amargo.

Título Original: Filhos do Fim do Mundo
Editora: Fantasy
Número de Páginas: 288
Gênero: Ficção científica

INFORMAÇÕES ADICIONAIS:
Fábio M. Barreto
é também jornalista e cineasta. O autor filmou um curta-metragem baseado no prólogo de Filhos do Fim do Mundo, que pode ser conferido abaixo:

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32 Responses to [Resenha] Filhos do Fim do Mundo, de Fábio M. Barreto

  1. Tiago Vieira disse:

    Oi Duda! Bem, eu já não gosto da temática (o fim do mundo) e depois de ler sua resenha tive a certeza de que não vou querer ler esse livro.
    O fato de os personagens não terem nome, não haver o nome do país onde se passa e outras coisas ocultas, fez com que eu não gostasse também…
    Gostei da sua resenha! Infelizmente, não tive o mesmo sentimento pelo enredo do livro.
    Até a próxima!

  2. Sammysam Rosa disse:

    Quando vi o lançamento do livro, confesso que espera um pouco mais. Fiquei em dúvida se leria o livro, afinal, um final fraco deixa mesmo o leitor chateado e ainda por cima com uma narrativa confusa, pode deixar a leitura complicada.

    Enfim, acho que não exatamente meu tipo de livro. Mesmo assim, gostei de sua resenha, foi clara e bem escrita =D

    Bjs

    daimaginacaoaescrita.com

  3. Aione Simões disse:

    Oi querida!
    Acredito que seja completamente compreensível a sua decepção. Só de ler a premissa, eu já fiquei cheia de perguntas do tipo “nossa, por que será que isso aconteceu?” e se eu não vou encontrar exatamente a resposta, aliás, vou encontrar algo que vai me deixar com mais perguntas, provavelmente eu me decepcione também.
    Uma pena, porque a premissa é realmente interessante, mesmo que a narrativa seja um pouco confusa.
    Beijão!

  4. Viviane disse:

    Oi Duda!

    Ainda não tinha lido nenhuma resenha a respeito desse livro. A sinopse realmente não me chama muita atenção, e depois de ler a sua opinião, tenho certeza que não lerei este livro. Que pena!

    Abraços

  5. Rafaela Regis disse:

    Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Aloha Duda!!! Aii me acabo de rir com as suas resenhas e sei bem sobre o q vc esta falando! Realmente não sou muito fã de livros apocalipticos, mas não suporto autores que não explicam o porque da historia! O.o

    E pelo visto tinha um motivo muito bom, como assim matar todos os menores de 1 ano e não explicar porque… #frustraçãomodeon

    Mas a ideia dos nomes eu achei bacana ^^

    =*

  6. Lili disse:

    Nossa, isso de os personagens não terem nome me lembrou demais Saramago e o Ensaio sobre a cegueira.
    Confesso que preciso me preparar para um obra assim. Quando as referências são muito diretas eu fico com a tendência ao preconceito ruim. Fico com aquele receio de que o autor não vá me surpreender mas caminhar por algo que já foi sucesso de outrem.

    Isso é um motivo diferente de frustração (a sua foi a da alta expectativa). Ainda assim acho que eu arriscaria ler.

    liliescreve.blogspot.com

  7. Maria Amorim disse:

    Poa, que pena que o livro foi uma frustração.. Adoro livro nesse estilo, e gostei da estoria, mas elo visto o livro não é tão legal quanto parece.

  8. Leandro disse:

    Um livro cuja premissa é uma copia descarada do filme “Filhos da Esperança” (que é baseado num livro), misturado com algo que apenas o mestre Saramago soube utilizar até hoje. Fadado ao fracasso e as resenhas positivas é só porque ele é famosinho e tem muito amigo famosinho. O curta já era horrível, o livro não ia ser muito melhor.

  9. Caroline Curi disse:

    O início da sua resenha já estava aguçando a minha curiosidade, porém o fim foi como um balde de água fria. Eu achei a sinopse do livro bem interessante, mas depois dessa resenha, deixo passar. E concordo com você sobre o fato de, apesar de ser ficção, sempre existe uma lógica para que o autor tenha decidido criar a história. Parece que quis escrever algo diferente e impactante, mas no fim não sabia como concluir, portanto escreve algo “qualquer” na esperança – ou ignorância – de passar despercebido pelo leitor.

    Beijos!

  10. Oi Duda

    Nossa e termina assim sem sombra nem um conto para esclarecer?
    Eu já não gosto de série em que o livro termina assim, imagina quando não é série. Eu concordo com você, sei que tem gente que não se importa, mas eu gosto de uma lógica mesmo nos livros mais viajantes.

  11. Rayane disse:

    Ai Duda! Que pena que o final não foi bom…odeio quando o livro não traz as respostas às perguntas que ele levanta…adorei a ideia mas não devo ler pois sei que ficaria frustada…

  12. Suzi disse:

    Oi Duda!!!Ha =/ As minhas expectativas desse livro estavam altíssimas mas fiquei meio receosa agora não gosto de personagens sem nomes acho importantíssimo que tenha uma personalidade e o nome faz o leitor criar um laço com o personagem..Já pensou ler um livro com uma proposta de historia dessa e o final ser ruim?!Da até vontade de chorar!! =S Adoro esse tema mas talvez o autor não conseguiu explora-lo direito néah!!Bjão

  13. Raíssa Lins disse:

    Oi, Duda, tudo bom?
    Ai, detesto quando isso acontece. É tão frustrante quando você se envolve com a leitura, quer muito entender os porquês e como o autor vai conseguir dar um final legal pro livro e… isso simplesmente não vem. Confesso que não li nenhuma outra resenha de Filhos do Fim do Mundo e que inicialmente a proposta do enredo me pareceu muitíssimo promissora, mas só de dizer que o final trás um balde de água fria dá aquela desanimada de ler, sabe?

    Beijos

  14. Oi Duda, tinha me interessado pelo livro mas fiquei bastante decepcionada depois de saber isso tudo, principalmente pela falta de nomes, lugares e etc, logo pra mim que sou tão detalhista kkkkkkkk

    Beeijo

  15. Oi Eduarda!
    Eu estava super empolgado com a sua resenha, já pensando em adicionar o livro à lista de desejados do skoob, quando chego ao parágrafo em que diz que o final foi insatisfatório. Pude sentir e entender sua frustração e também sentiria o mesmo. Juro. Não curto finais assim e sem falar que, como você citou, muitas coisas não foram explicadas. Assim como você, acredito que sempre há uma explicação por trás de tudo.
    Parabéns pela resenha!
    Abraço!

    “Palavras ao Vento…”
    http://www.leandro-de-lira.com

  16. Oi Duda!
    Como tinha dito na sua caixinha de correio, fiquei interessada na história do livro quando você falou sua sinopse resumidamente. Porém agora vejo que provavelmente também não iria gostar dele. Gosto de livros que explicam os acontecimentos e não aqueles que querem que acreditemos no que aconteceu sem mais nem menos. Também canso de narrativas confusas e o único livro que li que o personagem não tinha nome eu não gostei. Acho melhor deixar de lado este então!
    Muito boa a resenha, fico feliz que tenha decidido fazê-la!
    Beijos.

  17. Eu sempre penso em como é ou seria legal escrever um livro contendo tramas super meticulosas baseadas em fatos históricos e reais. Para obter um bom resultado seria necessário também um bom tempo de pesquisas sobre o assunto. Até mesmo para criar uma história sobre o fim do mundo (que é tão comum hoje em dia), ocasionado por diversas razões, deve haver uma explicação científica para isto, haha. Não sei se existe no livro “Filhos Do Fim Do Mundo”, pois não li, mas é por isso que eu penso que, se algum dia eu fosse me arriscar a fazer isso, eu teria que reservar pelo menos um ano ou até mais para tentar trazer o melhor de tudo e ainda juntar com a minha ideia de ficção, deixando-a com começo, meio e fim. Acabei de ler um livro também de um brasileiro que foi, inclusive, traduzido para o inglês, e que junta a história real de um antropólogo americano que se suicidou aqui no Brasil, no final dos anos 30, com sua própria ficção. A história em si não é nada “óóó”, pelo menos para mim, mas todas as pesquisas do autor sobre a vida do antropólogo que conseguiram se encaixar com a sua invenção, e o “suspense” que foi criado a partir disto, fez com que eu aumentasse um pontinho na minha nota. O livro se chama “Nove Noites” (Nine Nights, no inglês), do autor Bernardo Carvalho. Não estou dizendo que o Fabio Barreto não tenha feito isso, pois como jornalista e cineasta, ele deve saber imensamente a importância da pesquisa para os trabalhos, a boa escrita, etc. É só a minha opinião mesmo sobre o assunto e que eu achei interessante escrever aqui, pois, de verdade, eu sempre, sempre, penso nesta questão da dedicação dos autores às pesquisas sobre os temas que serão relatados em seus livros.
    Ufa! Acho que foi isso, haha. Até a próxima resenha! 😀

  18. Ahh!! Esqueci de escrever que, ainda no vídeo que você postou domingo, quando mostrou o livro pela primeira vez, me veio o Saramago na cabeça também, mas não o Ensaio Sobre A Cegueira, como a Lili, aqui dos comentários, achou. Eu me lembrei do “As Intermitências Da Morte”.

  19. Uma pena que um livro que tem uma ideia tão bacana não tenha sido tão bem aproveitado por você, Duda. Como já disse inúmeras vezes, sua opinião conta muito e saber que você não gostou tanto é um pouco desanimador. Acho que um autor deveria se preocupar muito em não deixar finais assim, e nesse caso isso iria me incomodar mais do que a própria falta do “espaço” ou “nome de personagens”.
    Essa é apenas a primeira resenha do livro (o que basta), mas já tenho medo de imaginar o que faria toda a história ter sido em vão :S

    Beijos, Duda!

  20. Ah, qualquer hora vou assistir esse curta, apesar de que se fosse uma animação iria me interessar ainda mais.

  21. Oi Duda!

    A premissa do livro é realmente bem interessante, fiquei curiosa de ler esse livro cujo personagens não tem nome e os ambientes onde a história se passa não são citados, de alguma forma acredito que eu poderia vir a gostar desse ‘mistério’. Mas sabendo que você não gostou tanto do livro e que o final chega a ser decepcionante não me animo tanto a ler.

    Adorei a resenha!

    Beijo;*
    Naty.

  22. Quando você mostrou esse livro na caixa de correio, eu fiquei muito curiosa, porque achei o enredo totalmente diferente. Mas achei estranho agora com a resenha, gente como assim os personagens não tem nome? E nem fala do lugar onde se passa a história? Isso pra mim não dá, falei mesmo! Acho que nem quero mais ler o livro, não gosto nem um pouco disso.
    beijos

  23. Talita Silva disse:

    Também tenho uma quedinha por cenários apocalípticos. Acho que nunca cheguei a ler alguma obra em que as personagens não fossem identificadas pelos nomes. Putz, serio que o final foi trágico assim!? Eu não curti a curta-metragem, várias coisas me incomodaram, mas em relação ao livro, eu daria uma chance ao livro sem pensar duas vezes.

  24. Nossa, que estranho os personagens não terem nomes, tipo, como assim? Acho que deve até ficar um pouco confuso um livro não colocar o nome dos personagens. Eu só tinha lido resenhas positivas desse livro, mas ainda quero ler o livro, pra tirar minhas próprias conclusões.
    Bjss

  25. Mariana FS disse:

    Oi Duda!
    Que pena que o livro foi uma decepção para você. Eu também tinha gostado da premissa (há pouco comecei a me interessar por esses cenários catastroficos e apocalipticos).
    Fiquei curiosa para ver como funciona a questão de os personagens não terem nomes e serem referidos de acordo com suas profissões e também de não ficar claro onde a história ocorre. Acho que em algumas (raras) histórias esses detalhes (se é que podemos chamar de detalhes) não são tão importantes. Às vezes não é fundamental saber como ou porque , mas simplesmente as consequencias do determinado acontecimento.
    Em vários pontos a sua resenha me remeteu à Sob a Redoma, do Stephen King (um excelente livro!) que para mim é um perfeito exemplo disso que comentei. Ao tentar explicar as razões por trás da redoma, King decepcionou. O mais importante, naquele caso, era as reações das pessoas e as consequencias que a redoma trouxe para aquelas vidas. Enfim. Que pena que Barreto não conseguiu dar a essa ideia tão boa a execução que ela merecia.
    Beijos
    alemdacontracapa.blogspot.com

  26. Estou começando a ficar enjoada da temática distópica….
    No seu vídeo até que achei a história interessante inicialmente…. mais este não entrará na minha lista.

  27. Oi Duda,
    Sempre gostei muito da capa deste livro.
    MAs de agora em diante vou passar longe dele, pelo jeito a históra até é interessante , mas que pena que teve este desenvolvimento.
    Certemente é um livro que que não está na minha lista de compras.
    Beijos,
    Katielle

  28. Que resenha maravilhosa. Mas, preciso dizer, que uma coisa que me chama muita atenção nesse livro é o fato de os personagens não terem nomes. Bem legal o jeito de ele narrar o livro!

  29. Serio fiquei super animada no inico da resenha, mas se o final é assim a acho que nem irei lelo, porque vou xingar horrores quando finalizar o livro.

  30. camila rosa disse:

    Que livro interessante curti muito ele e fiquei com muita vontade mesmo de ler ele, parece ser muito bom.

  31. jayane disse:

    Acho que eu não ia gosta muito dessa leitura,e para mim se o final não for bom ou convenceste já acho o livro todo ruim.

  32. Raquel Moritz disse:

    Pooooxa Duda, sério? Que coisa :/

    Esse é um dos meus livros favoritos, adorei a narrativa, adorei os personagens e, principalmente, achei o final ousado e sensacional.

    Bjs

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