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by • maio 6, 2013 • ResenhasComments (23)2198

[Resenha] As Virgens Suicidas, de Jeffrey Eugenides

As Virgens Suicidas é (brilhantemente) relatado a partir do ponto de vista de um grupo de garotos que utilizam da mesma voz para contar a história das irmãs Lisbon, ocorrida há muitos anos. O episódio foi de tal impacto em suas vidas que mesmo décadas mais tarde ainda exerce poder e magnetismo sobre eles.

Moradores de um típico subúrbio norte-americano, os habitantes entram em choque com o súbito suicídio da jovem Cecilia, de apenas 13 anos, acompanhado posteriormente pelo de todas as suas outras quatro irmãs adolescentes. Tal fato é passado desde o início (presente até mesmo no título), mas, diferente de algumas histórias onde saber o que vai acontecer diminui o nosso interesse, aqui ele é atiçado justamente pelos caminhos que levaram a tão terrível acontecimento.

As cinco irmãs, geralmente vistas como uma mesma e única entidade (já que não andavam separadas umas das outras), despertavam enorme atenção em seu bairro. As garotas quase não saíam de casa, e o fato de não manter contato com outras pessoas acabou por incutir-lhes algo de mítico e reverenciado, especialmente pelos jovens seguidores, narradores desta história, que constantemente se reuniam para observá-las à distância.

“Nunca conseguimos entender por que as meninas queriam tanto ser maduras, ou por que se sentiam na obrigação de elogiar umas às outras, mas às vezes, depois que um de nós lia algum trecho mais longo do diário em voz alta, precisávamos lutar contra o ímpeto de nos abraçarmos ou de dizermos um ao outro como éramos bonitos.”

Um dos grandes trunfos do livro advém de sua magnífica construção narrativa e da exímia habilidade demonstrada por Eugenides ao elaborar um romance tão envolvente quanto estarrecedor. Contado atipicamente na primeira pessoa do plural, sua fala em conjunto contagia o leitor, deixa-o igualmente fascinado e intrigado. Compartilhamos do encanto comunitário exercido pelos passos das irmãs, e nos questionamos sobre suas ações e o porquê de suas atitudes.

Com teor nostálgico e sedutor, As Virgens Suicidas traz um maravilhoso mergulho por dentro da mente masculina adolescente. Os meninos conseguem passar os seus sentimentos mais profundos, atiçando sensações. Ainda que meros expectadores, permaneço com a impressão de que os seus papéis foram muito mais importantes e cruciais do que eles poderiam imaginar. Seu tom saudoso ao rememorar tempos que nunca voltarão me comoveu. Suas vozes trouxeram-me alento e sinto que compartilhei de suas dores, alegrias e esperanças. Um livro de beleza única.

Título original: The Virgin Suicides
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 232
Gênero: Romance contemporâneo/Drama
Cedido em parceria com a Cia das Letras

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23 Responses to [Resenha] As Virgens Suicidas, de Jeffrey Eugenides

  1. Lygia Netto disse:

    Oi Duda!
    Minha resenha desse livro ainda encontra-se no rascunho pq não consigo falar adequadamente dele. É muito bizarro. O autor prende e narra de forma linda algo tão triste que ocorreu com a família. E também o sentimento de indignação com os pais, pq de certa forma, foi culpa deles o que aconteceu com as outras 4! =/ Mas é complicado julgar tendo em vista apenas a visão “de fora” dos fatos!

    Ótima resenha, como sempre! 😉

    Beijos!

  2. Rayane disse:

    Oi Duda!

    Sempre vi esse livro e o descartei pela capa e pelo título (nunca tinha lido sequer a sinopse), no entanto após ler sua resenha fiquei muito curiosa, especialmente pelo fato de ser narrado na primeira pessoa do plural (tô tentando imaginar como isso seria porém sem sucesso).

    Adorei a quote que vc selecionou, ao imaginar um grupo de adolescentes do sexo masculino quase com vontade de se abraçar e dizer uns aos outros o quanto são bonitos começo a rir…

  3. Glenda R. disse:

    Oi!!!

    nooossaaaa!!!! amei sua resenha!!!! Qdo vi a capa desse livro por ai, fiquei curiosa pelo título e achei a capa bacanérrima. Quis ler por pura questão estética! ahahahaha Mas agora lendo sua resenha… putssss…. a curiosidade me consome!!!! ahahahaha
    Vc escreve brilhantemente!!! Adoro ler suas resenhas!!! Parabéns por todas elas, sem exceção!!
    Assim q possível tb vou ler este livro realmente parece fantástico!!!!

  4. Oi Duda! Tudo bem?
    Já havia visto a capa, e achei o nome do livro bastante curioso, mas ainda não tinha lido nenhuma resenha dele. Só posso dizer que depois da sua, super bem escrita e articulada, fiquei com muita vontade de ler.
    Fiquei extremamente intrigada com essa questão de 5 garotas suicidarem-se, e achei muito bacana a narrativa ser na primeira pessoa do plural (muito diferente!).
    Adorei a quote que você colocou, achei engraçada hahahahaha
    Agora preciso ler hahahahaha… Ótima resenha 🙂
    Obrigada pela visita e comentário 🙂
    Tem post novo no blog: Resenha – Hollywood É Como a Escola
    Beijos, Nathi
    @bookswonderland
    Books in Wonderland

  5. Mari Moreno disse:

    Faz tempo que tenho vontade de ler esse livro e sua resenha me empolgou bastante. Nunca li um livro narrado pela primeira pessoa do plural, achei interessante. O livro parece ser muito bom e espero ter a oportunidade de ler em breve.

    Bjs
    http://www.marianaesuaestante.com

  6. Gabi disse:

    Eu quero muito ler esse livro! Com certeza vai ser a minha próxima compra. Sua resenha me deixou com mais vontade ainda porque eu não tinha lido nenhuma ainda, só pensava que o livro deveria ser bom. Gostei do fato de ser narrado por meninos.

  7. Ei Duda!

    Confesso que eu nunca tinha ouvido falar do livro, e agora que vi a capa e li sua resenha, vou procurar por ele! É o tipo de leitura que eu gosto… E pelo que li em sua resenha, sei que vou adorá-lo!

    Beijos

  8. Aione Simões disse:

    Oi Duda!
    Tenho curiosidade pela leitura principalmente por conta de também ter curiosidade para ver o filme.
    Fiquei encantada por seus comentários sobre a narrativa, ela deve ser incrível!
    Achei curiosíssimo que ela seja no plural, um tanto quanto diferente mesmo!
    Beijão, querida!

  9. Aline Coelho disse:

    Miga como sempre vc arrasando na resenha, parabéns e que bom que vc gostou. Não tive as mesmas impressões, vc pode ver lá na minha resenha, mas te entendo.
    Enfim, parabéns por mais uma leitura!!!

  10. Vanessa Llona disse:

    Não tinha dado muita atenção para esse livro pq não gostei da capa e do titulo, mas pelo jeito ia deixar escapar um dos bons.

  11. Oi Duda!
    Esse livro parece ser bom mesmo, hein?
    Eu sinceramente fiquei, deveras, mais interessado. A premissa parece ser ótima e diferente, o que torna o livro ainda mais interessante, eu acredito.
    Espero lê-lo em breve e gostar muito, assim como você.
    Acredito que seja uma leitura nostálgica mesmo. Ao ler a sinopse e ver o título, já esperava isso.
    Parabéns pela resenha!
    Abraço!

    “Palavras ao Vento…”
    http://www.leandro-de-lira.com

  12. Sofia disse:

    Oi Duda!
    Fiquei curiosa a respeito da narrativa, é um dos pontos que são mais cruciais para um maior envolvimento com um livro. É a partir da narrativa que muito do que se envolve com a obra surge, pois possivelmente (e em muitas vezes) se a narrativa não é agradável algumas outras coisas também acabam indo junto. Mas enfim. rsrs
    Curioso o “atipicamente na primeira pessoa do plural,”!

    Beijão, lindonaaaa!!

  13. Isla Carvalho disse:

    Oi, Duda!
    Eu ja tinha lido em algum lugar esse titulo como sendo um filme dirigido por Sophia Copppola. Então, pesquisando descobri que essa é uma nova edição pela Companhia das letras, você sabia??
    Logo que vi essa capa na sua resenha o conteúdo já me chamou atençao, mas nao tenho certeza se o enredo em si me atrairia por se tratar de um drama. Acredito que nao estou numa fase para lê-lo ainda.

  14. Dani Gomes disse:

    Oi Duda,
    Primeiro a capa desse livro é linda né!
    Quando vi que seria lançado esse livro, lembrei que já tinha um filme mas nunca assisti.
    Fiquei mais curiosa pois adorei a sua resenha e por essa narativa diferente que vc citou.
    Bjs

  15. Lindsay Leão disse:

    Oi Duda,
    Pode parecer meio mórbido o que eu vou dizer, mas eu amo esse livro! As personagens bem construídas unidas num enredo diferenciado, não poderia ser melhor!
    As palavras que você usou para terminar a resenha descrevem perfeitamente o que eu quero dizer, esse é realmente um livro de beleza única.
    Beijos

  16. Oi Duda

    Ah esse é um desses títulos que ficam com você por muito tempo, a narração é bonita e perturbadora.

    🙂

  17. Suzi disse:

    Oieee!!!
    Que bela resenha *-*
    A capa me deixa um pouco incomodada apesar de ser linda rsrsrs
    Amei o fato de ser garotos quem narram a historia, bem interessante e com essa narrativa que me parece deliciosa fiquei bem interessada em ler!!
    Livros que fazem vc se sentir próximo dos personagens e faz com que os sentimentos saltem as paginas são únicos mesmo!!Beijos

  18. UpArte disse:

    Olha, nunca li o livro, mas fiquei com vontade agora.
    Já o filme, vi mais de 30x, sou apaixonada, Sofia Coppola surpreendeu.

    Vou procurar para ler!

  19. Raíssa Lins disse:

    Oi, Duda tudo bom?
    Assisti ao filme e, por ter gostado muito dele, tinha receio de que o livro não seguisse a mesma linha do filme (na verdade, o contrário, né?) mas vejo que foi uma adaptação bastante fiel e tem tudo pra me agradar! Vi essa edição na Saraiva e fiquei bastante tentada a levar, se soubesse que era assim tão.. diferente do usual e tão hipnótico teria levado na hora!

    Beijos

  20. oie Duda
    não sabia que o relato era do ponto de vista masculino, e este foi o fato que mais me chamou atenção na obra. Certamente é uma trama única, e estou com vontade de ler após ler sua resenha.
    bjos

  21. Mariana FS disse:

    Oi Duda!
    Que resenha linda!
    Eu assisti o filme da Sofia Coppola baseado nesse livro e embora tenha achado ele belíssimo e comovente (adoro histórias melancólicas) nunca tinha me interessado pela leitura. Até agora. Como já conheço basicamente a história, não foi ela que me chamou atenção aqui, mas sim todo o resto que você apontou. Todo mesmo, desde a narrativa em primeira pessoa do plural (curiosa para conferir como é isso) até (e principalmente) as sensações que o livro despertou em você como um todo. Se minha lista de livros em espera não estivesse assustadoramente grande eu correria comprar esse (rsrs) mas foi para a wishlist, com certeza.
    Me surpreendeu que o livro tenha apenas 232 páginas e consiga ser profundo e contar todas essas histórias.
    Beijos
    alemdacontracapa.blogspot.com

  22. Nilsen disse:

    Menina, como eu amo suas resenhas!
    Cara, eu tenho lido muitas resenhas desse livro nos últimos tempos, e se antes eu já queria ler, ultimamente essa vontade tá gritante. Gosto muito desse ar meio mórbido que esse livro tem.
    Infelizmente eu tô em contenção de gastos e não posso comprar livro nenhum por um tempo, mas com certeza As Virgens Suicidas vai ser uma das primeiras compras depois que tudo for liberado HAHAHA
    Beijos.

  23. Ai esse livro tem me incomodado tanto. Já li mas não gostei muito, talvez porque esperasse outra história ou até mesmo não estava nos meus melhores dias rs, não consegui sentir/enxergar tudo isso que falam de bom sobre ele, infelizmente não achei tudo isso. Mas sua resenha está ótima, como em todas. Beijos.

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