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by • outubro 20, 2013 • ConversasComments (25)1867

Breve reflexão sobre o preconceito literário

Determinadas discussões literárias me deixam irritada. O preconceito é a principal delas. Creio que preconceito seja péssimo em qualquer sentido atribuído, mas não entrarei no mérito de discuti-lo de modo abrangente ou não pararia de escrever hoje.

Passeando por alguns sites e portais me deparei com algo que me deixou verdadeiramente incomodada. Estava lendo uma postagem feita por uma autora norte-americana no Huffington Post sob o título 10 Alpha Males In Literature (10 Machos Alfas na Literatura, em tradução literal). Resolvi clicar porque achei a ideia divertida e, tendo eu mesma lido vários livros com personagens que se encaixam na denominação, fiquei curiosa em saber quais foram as escolhas da autora.

Jill Shalvis, responsável pela postagem, começa em tom divertido ao escrever “O que me qualifica para fazer tal lista? Porque eu escrevo alfas, leio alfas, céus, sou mesma casada com um (Hi, Alpha Man!)”. Nomes como J. D. Robb (pseudônimo de Nora Roberts), Linda Howard (e nesse ponto fiquei feliz por ver um personagem queridinho na lista ), J. R Ward, entre outros, marcaram presença no ranking, de caráter claramente pessoal onde a autora tem todo o direito de escolher quem quiser para preenchê-lo.

Até aí tudo bem, mas qual exatamente o problema? Acontece que sou daquelas que tem o costume de dar uma espiada nos comentários (às vezes são tão interessantes quanto o texto), e fiquei impressionada ao perceber tamanho preconceito enraizado na cabeça das pessoas. Apenas para exemplificar:

“Você está abusando da palavra “literatura” com algum desses”. 

“Com exceção de O Morro dos Ventos Uivantes, nenhum desses outros livros mencionados são qualificados como Literatura”.

“Me pergunto que tipo de livros você considera literatura”.

Isso para citar alguns. O negócio foi tão absurdo que ainda parei para pensar se nos Estados Unidos as pessoas costumam usar a palavra de forma diferente, apenas porque me recusava a acreditar que tanta gente, em um post inofensivo, estivesse criticando tão arduamente as escolhas de uma autora apenas pelos livros utilizados.

Eis as definições, tanto em inglês, quanto em português:

Literature (from Latin litterae (plural); letter) is the art of written work. The word literature literally means: “things made from letters”.

Literatura: Termo provém do latim, “arte de escrever”, a partir da palavra latina littera, “letra”.

Agora me digam: Alguém tem alguma dúvida de que os livros escolhidos não se enquadram perfeitamente no uso da palavra? Independente de determinado leitor gostar ou não de certo tipo de livro, ninguém tem o direito de criticar o trabalho de vários autores, inclusive consagrados, ou mesmo o gosto literário de outrem, apenas pelo gênero, descaracterizando-os como literatura porque não se adequam ao seu gosto. Até porque só mentes limitadas concebem o pensamento de que certo gênero não deve ser levado em consideração. E igualmente apenas uma mente limitada tentaria restringir a palavra literatura apenas àquilo que considera “digno de ser lido”.

É uma pena, pois essas pessoas estão apenas encurtando os próprios horizontes ao fazê-lo. Respeito totalmente o direito de todos lerem apenas o que tiverem vontade, mas até o próprio García Márquez (sim, aquele que ganhou o Nobel de Literatura) falou, certa vez, sobre seu costume de ler romances de banca (e isso pode ser encontrado na introdução de uma das novas edições de Cem Anos de Solidão), ao comentar sobre a importância de não restringir gêneros literários.

Prefere não ler o que considera romances bobos, água com açúcar contemporâneos? Vá em frente. Só não pague mico na internet ao dizer que não se enquadram como literatura. O importante é ler.

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25 Responses to Breve reflexão sobre o preconceito literário

  1. Nadia disse:

    Concordo com você, Eduarda. E também fico irritada com o preconceito das pessoas. Eu adoro ler todos os gêneros literários. Cada momento pede um gênero diferente e todos me tocam de maneira diferente. 🙂

    Beijos e boas leituras.

  2. Natália Keli disse:

    Ótimo texto Duda. É bem revoltante ver a visão que as pessoas tem sobre literatura, parece que na mente dessas pessoas literatura é somente clássicos. O importante, sem dúvida, é você ler o que gosta, não importa o gênero.
    Beijos
    http://allmylifeinbooks.blogspot.com.br/

  3. Penso o mesmo. Adoro ler os comentários mas muitas vezes fico com raiva de ver tanta gente ignorante e sem respeito. Infelizmente as pessoas confundem LITERATURA com GOSTO PARTICULAR.

  4. Tay disse:

    Como estudante de Letras que tem um pouco de leitura de crítica literária (menos que eu gostaria), mas de outro lado, como leitora que lê o que gosta, independente dos cânones, acho essa uma discussão deveras problemática.
    Eu acho preconceito diferente de dizer que tal livro é ou não literário. A definição de literatura não é apenas isso (não que esteja errado, mas a definição de literatura é muito ampla, e o dicionário não conseguiria abarcar). Uma leitura literária é aquela em que a linguagem é mais trabalhada, é mais subversiva, entre outras coisas. Não sou nenhuma autoridade no assunto. E, de fato, esse tipo de literatura, visto de certa ótica, tem mais qualidades que outros livros, de linguagem mais simples e que visem apenas o entretenimento, sem tanta reflexão. Como eu já disse, eu gosto dos dois tipos. Mas gosto de separar o joio do trigo. Sei o valor de uma boa obra literária, e não digo pra parecer cult (aliás, ai que nojo desse termo). Mas quero muitas vezes, descansar e me divertir lendo um bom chick lit. Porque claro, eles também podem ser muito bons.
    Só que tem gente que usa esses argumentos com altivez demais. Aí, concordo com você, não rola mesmo! Tudo tem o seu valor, e se não fosse esses livros ditos mais fáceis, talvez muita gente nunca começasse a ler. E se ler é maravilhoso, por que não? E outra, tudo o que eu falei aqui tem a ver com o meu gosto, e as pessoas podem ter outros totalmente diferentes. A vida é isso.
    E só pra finalizar, pra mim uma boa obra literária independe de ser clássico, contemporâneo, best seller. Ele pode estar em qualquer categoria. Por isso não entendo esse preconceito por gêneros, realmente. Só se descobre lendo.
    Beijo, ótimo post, suscita sempre muita discussão. 🙂

  5. Acho que essa acusação de que isso ou aquilo não é literatura pode ser comparada à de que “funk não é música”. Já podem se remoer. 😉

    Sério. Tem muita gente que diria… “isso e aquilo é literatura, sim… mas funk não é música, não”. Mas calma, não é hipocrisia. É questão de gosto.

    As pessoas que dizem que esse tipo de obra não é literatura, não estão, a meu ver, sendo preconceituosas. Elas só detestam o gênero. O preconceito não pode cair sobre alguma “coisa”, somente contra pessoas. Dizer que funk não é música não é preconceito, é opinião, gosto. Dizer que funkeiro é isso e aquilo de ruim, aí sim. Dizer que tal gênero não é literatura, não é preconceito. Dizer que pessoas que leem tal gênero são isso ou aquilo de ruim, é.

    Então, acho que o pessoal disse coisas que poderia ter guardado pra si, mas foi uma questão de detestar o gênero, não de preconceito, por não discriminar aqueles que leem tal tipo de obra e nem os autores a nível pessoal.

    Destaco agora o seguinte trecho: “ninguém tem o direito de criticar o trabalho de vários autores…”. O pior é que tem. O que não tem direito, é de ofender autores a nível pessoal, mas criticar o trabalho é, não só um direito, como um dever.

    Outro trecho a ser destacado: “Até porque só mentes limitadas concebem o pensamento…”. Só mentes limitadas. Não seria esse um pré-conceito sobre quem critica? Criticou, tem a mente limitada, sem exceção. Mas era de preconceito que a gente tava reclamando.

    Enfim…

    É literatura? Eles não são bobos, sabem que é classificado como tal. Mas quiseram externar o quanto o detestam. Na minha opinião, é. Mas é questão de opinião, e a deles, eles também podem dar.

    A título de curiosidade: A Trilogia da Gratidão (Nora Roberts) é uma das minhas favoritas e me auxiliou em tempos de depressão.

    • Eduarda Menezes disse:

      Eu acho que uma coisa é questão de gosto, outra completamente diferente é rebaixar aquilo que não gostamos a ponto de descaracterizar uma tipificação própria da coisa. E realmente não estou falando do preconceito sobre pessoas, mas no significado mais amplo da palavra:

      Preconceito: 1. Conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos adequados. 2 Opinião ou sentimento desfavorável, concebido antecipadamente ou independente de experiência ou razão.

      E acho que você não me entendeu quando eu disse “criticar”. Estava me referindo ao contexto do assunto em questão, ou seja, “criticar apenas pelo gênero” e não pelo conteúdo. Uma coisa é ler determinada obra e criticá-la com embasamentos construtivos, mas sabemos que claramente essa não é a questão.

      Quanto a questão de mentes limitadas, não se trataria de um preconceito em si, pois não estou julgando antecipadamente, mas sim posteriormente determinada atitude. Busquei fatos que comprovassem que tal atitude não era adequada e, de forma racional, tentei mostrar que algumas pessoas limitam termos apenas porque não estão de acordo com sua realidade. A música funk, que você muito bem mencionou, é um exemplo claro disso. Por mais que eu não goste, não nego, é música.

      Ao externar o quanto detestam, eles podiam simplesmente terem feito de modo pessoal (assim como a autora), e não generalizar com um “você está abusando” ou mesmo “me pergunto que tipo de livro você considera literatura”, como se a autora estivesse completamente equivocada ao montar sua lista.

      Se o preconceito não pudesse ser criticado ainda viveríamos na idade da pedra, pois toda vez que alguém se portasse contra atitudes ou pessoas, de modo geral, estariam salvos de contestações. Não é porque alguém critica algo que tem a mente limitada, tudo vai depender essencialmente de quais argumentos ela usou para tal, se possuem alguma base concreta ou não.

      • Duda adorei o texto e sua resposta ao comentário. Adoro a forma como vc defende suas ideias. Parabéns!!!

        “Toda e qualquer literatura é válida. O importante é ler.”

      • Catarina disse:

        Entendo que o preconceito não é utilizado apenas em relação a pessoas, pois é possível se ter um conceito antecipado e sem fundamento sobre qualquer coisa, inclusive sobre um gênero literário.
        Também acredito que as pessoas que trataram os livros citados pela autora como algo fora da literatura, na verdade não devem ter lido nenhum deles ou leram apenas alguns e não gostaram. Logo, possuem uma opinião preconcebida, que se enquadra perfeitamente no termo preconceito.
        Acho até, pela maneira como os comentários foram escritos,que existiu um pouco de preconceito contra a autora, pelo simples fato dela gostar de livros que os “comentaristas” não gostam.
        Além do mais, o trecho do post “Até porque só mentes limitadas concebem o pensamento de que certo gênero não deve ser levado em consideração” não se trata de preconceito aos críticos, mas sim de uma opinião construída com base em observações e na lógica de um pensamento, o de que desconsiderar um gênero é limitar a mente. Isto é crítica, não preconceito.
        Existem maneiras menos ofensivas de se criticar determinados livros, não é necessário tecer comentários tão exagerados.

  6. Lili disse:

    Pois é Duda, isso me irrita muito!
    Uma frase que eu costumo usar muito é que se for para estimular a leitura, eu acho que é válido até panfleto de propaganda e bula de remédio.

    Eu, particularmente, não curto muito o mundo denominado “auto-ajuda” ou as biografias. Simplesmente porque não são estilo de livros que me agradem, que eu devore. Isso não torna eles melhor ou pior no meu conceito.

    Eu acho que a mania dos humanos de desprezar e segregar tudo é que resulta em ações estúpidas como essa.
    Afinal, pouco me importa no fim se é literatura ou não. Pouco importa o que os outros vão dizer sobre minhas escolhas de passatempo e cultura.
    Acredito que eu deva ser livre para escolher e que ninguém tem que ficar dimuindo nada, em especial os romances de banca.

    Beijos,
    liliescreve.blogspot.com

  7. Oi Duda, tenho que concordar plenamente com o que você disse. Cada vez mais vejo pessoas com esse preconceito ridículo com os gêneros literários que não os agrada, e realmente me tira do sério ler comentários como este que você mencionou, afinal, escrever um livro – não importa sobre o que seja – não é um trabalho nada simples, as pessoas deveriam aprender a apreciar quem consegue publicar um em vez de sair criticando. Não interessa, então porque leu? Não tenho absolutamente nada a acrescentar ao que tu disse, tirastes as palavras da minha boca.

    Roberta Krutzmann | http://www.apenasumtrecho.com

    ps: Eu ia comentar no post do O Circo Mecânico, mas acabei esquecendo: As fotos que você tira dos teus livros são LINDAS, sério! Fico boba aqui olhando elas hahahaha Por curiosidade, qual a câmera que você usa?

  8. Millena disse:

    Essa é uma questão que sempre está rolando entre leitores. Acho engraçado que leitores de clássicos muitas vezes se sentem superiores aos leitores de livros mais atuais. acho que a superioridade está em não julgar o gosto dos outros.

    Eu tinha um certo receio com livros de banca, mas o último que li adorei. Então, como em qualquer coisa, existem os que agradam e os que não agradam.

    Não acredito que existam pessoas aptas a decidirem o que é boa literatura ou não, nem classificar o que vale a pena ser lido ou não. Embora eu já tenha lido um texto antigo que falava sobre isso, sobre a literatura infanto-juvenil, se realmente podia ser chamada assim.

    Concordo que toda leitura é válida.

    Beijocas!!

  9. Gladys Sena disse:

    As pessoas exageram mesmo quando expõem as suas opiniões.
    Não curto certos estilos literários, mas nem por isso posso discriminá-los.
    Boa reflexão, bjo!

    Te espero lá no meu cantinho, =D
    http://meuhobbyliterario.blogspot.com.br/

  10. Luiza disse:

    Adorei a postagem, também acho que o importante é ler, e a pessoa que tem esse preconceito que sai perdendo pois deixa de ler ótimos livros!Eduarda, convido para conhecer Feitiço, este é o meu livro digital lançado pela editora Novo Conceito.Espero que goste da leitura!
    Bjs
    http://lizajoneslivros.wix.com/lizajones
    http://eternamente-princesa.blogspot.com.br/

  11. Adorei o post Duda. Eu também me revolto com esse tipo de preconceito. Principalmente com relação a sagas. Gente! Pelo amor! Cada saga tem sua qualidade e o seu público. Pra que ficar criticando? Queimando os livros… Nossa! Me revolto muito com isso.

    Até compartilhei pra abrir a mente desse povo… rs

    Beijos Duda.

  12. Catarina disse:

    Realmente é um exagero desconsiderar todo um gênero da literatura apenas porque não se gosta dele.
    É bem possível e provável que as pessoas que afirmaram que os tipos de livros mencionados são fazem parte da literatura, na verdade nunca os tenham lido, o que torna seus comentários puramente preconceituosos.
    Acredito que todos têm o direito de escolher os livros que gostam de ler e com certeza aprendem com eles, seja lições de vida, interpretação de textos, gramática ou apenas uma maneira de relaxar. Em outras palavras, mesmo que se considere que esses livros sejam de baixa qualidade literária, o que na verdade nem são, vale lembrar o que disse o escritor Fernando Pessoa: “tudo vale a pena, se a alma não é pequena”.
    Acho importante se manter sempre a mente aberta para ponderar melhor as opiniões.

  13. Lindsay Leão disse:

    É isso mesmo Duda,
    O importante é ler, seja que gênero for. O que não pode acontecer é o prejulgamento das pessoas em apontar esse ou aquele livro como literatura, quando trata-se de algo tão mais abrangente.
    E convenhamos, cada um tem o direito de ler o que quiser e isso não desqualifica o livro, só por ele não ser considerado um clássico pelas grandes massas.

  14. Quequel disse:

    Eita !!
    Concordo com em numero, gênero e grau.
    Onde eu assino? rs

    É tanta baboseira que lemos por aí, e isso serve em varias outras áreas como musica, cinema e até tv. mas é assim, as pessoas gostam de se vangloriar em tudo e ate ostentar que é a palavra da moda! Eu não gosto de todos os gêneros de literatura mas isso não quer dizer que não seja literatura é apenas uma literatura que eu não curto.

    Bjinsss

  15. Mariana Diaz disse:

    Acho q tudo q faça vc ter aquele momento delicioso de introspecção conta. Seja um livro de filosofia, terror ou romance água com açúcar. Não gosto de livros de romance, mas de maneira nenhuma irei menosprezar sua importante como literatura.
    Nó final das contas é simples, cada um tem seu gosto e viva a diversidade literária… E viva a escapadinha para a estante de romance se me der vontade, pq experimentar é sempre bom. kkk 😉

  16. Adorei a reflexão, Duda. Não é raro ver comentários desse tipo, muitas vezes feitos por pseudos intelectuais, que se acham superiores por se restringirem à leitura dos “clássicos”, e consequentemente, inundam-se na esfera do “se todo mundo gosta, tenho que criticar pra ser o foda”. Infelizmente, como você mesmo disse, não sabem o que estão perdendo. Eu acho que se limitar, no que diz respeito à literatura e a descoberta de novos gêneros é uma grande perda.

  17. Dyana Colares disse:

    Oi, Duda!
    Curti muito seu texto! Com certeza o preconceito literário (acho que o preconceito em geral) é algo triste de se ver hoje em dia.. Cara, as pessoas têm direito a ler o que quiserem, sem serem jugadas! Uma vez ficaram reclamando que eu gostava de Nicholas Sparks e etc.. E daí?! Fico triste com essas coisas. :/
    Enfim, amei seu texto! Muito bom! <3

    Bjs!!

  18. Duda, ultimamente esse tem sido realmente um ponto que me deixa muito incomodada. Considerar apenas livros que você gosta, clássicos como literatura é uma falta de respeito. Não importa se você detestou o livro com todas as suas forças, ele continua sendo um livro e tem alguém que gosta. As pessoas confundem a opinião propria com a opinião em massa.
    Outra coisa que me incomoda profundamente, é aquela história que quem gosta de uma saga não pode gostar de outra. Isso é absurdo. Cada pessoa pode gostar de quantas sagas quiser e quantos generos literários quiser.
    Cada pessoa tem gosto literário, e não importa qual ele seja, é necessário respeitar cada um. O importante é ler, é gostar de ler.
    Beijos, adorei o post. Parabéns

  19. Quando vi o título da postagem eu tinha certeza que você iria falar sobre determinado gênero. Acho que ao menos na “blogosfera” isso é natural de se encontrar, principalmente quando encontramos resenhas e/ou divulgações de alguns livros, como os eróticos, por exemplo. No fim estava completamente enganado sobre o tema e tocou em um ponto que tenho visto muito. E infelizmente não apenas na internet.
    Converso muito com algumas pessoas da cidade que têm o gosto completamente diferente do meu. Isso é normal e não é esse o problema. Mas, durante tais conversas, me sinto um peixe fora d’água. É normal vê-las falando sobre um tipo de literatura que não me atrai, e nem vejo problema nisso, mas o problema é quando tratam a literatura considerada filosófica mais importante do que a literatura de entretenimento, que muitas vezes simplesmente rebaixam, ignoram, criticam, etc etc. Até então não tinha visto isso como um “preconceito literário”, mas é realmente muito chato vê-los criticando tudo o que não foi escrito por grandes filósofos (Nietzsche e derivados) e pseudofilósofos. Tem horas que me pergunto: “O que eu estou fazendo aqui?”, mas logo lembro o que você acabou de dizer: “Toda e qualquer literatura é válida. O importante é ler” e se a intenção deles é divulgar a literatura, mesmo de um jeito que considero errado (já que precisamos concordar que o entretenimento vai atrair muito mais leitores), preciso estar no mesmo barco.
    Parabéns pela postagem, Duda. Muito válida e que merece ser lida por muitos.
    Beijos!

  20. Oi Duda,
    Boa reflexão!
    Acho que é preciso se expandir, quando isso acontece o pensamento não se limita tanto, rs.
    Parabéns pelo texto.
    Beijos

  21. Vinicius disse:

    Minha cara, concordo com você sobre o conceito de literatura, e só! no resto, está redondamente enganda. Quando escreve que “ninguém tem o direito de criticar o trabalho de vários autores” é exatamente o contrário! todos tem o direito disso! basta que leiam e conheçam os vários autores e os vários gêneros, para terem opinião própria que seja embasada. E também dizer que “toda e qualquer leitura é válida”, é algo totalmente absurdo! fico surpreso de ler isso de uma pessoa que ama os livros. É desconsiderar que existem autores iniciantes, experientes, brilhantes e também os medíocres (existem muitos autores medíocres sim!) e desconsiderar isso, é como rebaixar os bons e os consagrados, é colocar lado a lador um reles autor e Machado de Assis, Dostoieviski, Garcia Marques, por exemplo. Me vem à memória a comparação com o uso da internet no Brasil, que possui uma das maiores taxa horas/pessoa de navegação, contudo, o conteúdo acessado é em grande parte um grande lixo, que não contribui em nada para aumentar o conhecimento das pessoas, muitas vezes fazendo um papel inverso. Há também uma grande parte de livros que desinformam, enganham, deixam as pessoas tolas, fundam conceitos errados nas pessoas etc, em resumo: prejudicam. Bom, deixo a dica para que repense o que já escreveu no seu post, e, me atrevo, repensar nos livros que anda lendo, pois podem fazer parte da literatura existente que não vale a pena ser lida.

    • Eduarda Menezes disse:

      Exato, Vinícius, é como você disse “basta que leiam e conheçam os vários autores” para que possam criticar, só que não foi isso que aconteceu, não é? Afinal de contas, o que eu faço aqui? Não são, justamente, críticas literárias? Não entendo no que discordamos a respeito disso. Imaginei, por todo o conteúdo do texto, que estivesse implícito que a crítica da qual me refiro é justamente a preconceituosa, sem conhecimento da obra, e, principalmente, opressiva, já que mesmo os que as conhecem se veem no direito de não chamá-las de literatura, apenas porque não se encaixam no gênero que acham válidos.
      É claro que existem livros medíocres, creio que boa parte do que eu disse foi deturpado no seu texto para algo que, se você atentar melhor, não está lá.
      Eu sou a maior defensora de que todo leitor deve ler o que quiser e acho sim, que toda literatura é válida, mas ao falar isso não estou dizendo que todos os livros escritos no mundo são uma obra-prima ou merecem ser lidos. Eu, pessoalmente, avalio de antemão o que quero ler, assim como todo o restante do mundo, mas não saio criticando abertamente o gosto literário de outrem e descaracterizando-o como literatura por não serem similares aos meus. É óbvio que alguns possuem maior valor literário que outros, mas não deixam de ser “literatura” por causa disso e foi basicamente o que eu mais quis enfatizar. Tem público para tudo, até para o que eu não gosto, não consumo, etc. E não vou julgá-los porque o meu gosto é diferente. Não vou rebaixá-los por causa disso. Se eu não gosto, não leio e pronto. Lê quem quiser. Acima de tudo, não vou descaracterizar uma obra se eu nem sequer cheguei a conhecê-la, como posso fazê-lo? A partir do momento que leio algo e não gosto, tenho todo o direito de criticar os pontos negativos, de acordo com a minha opinião. O que existe é um PREconceito de pessoas que nem sequer leem e já vão falando mal. E sim, elas podem falar mal se quiserem, mas o maior ponto ressaltado é que não é por isso que o objeto vai deixar de ser literatura, não é? Que, repito, foi todo o propósito do texto.
      Acho de suma importância não se restringir a gêneros literários. Abrir os horizontes é enriquecedor.
      Quanto ao fato de repensar o que eu ando lendo, fique à vontade! O meu trabalho aqui é compartilhar com as pessoas interessadas a minha opinião sobre livros que gosto ou não. Acompanha quem quiser!
      E não digo que você está redondamente enganado porque sei respeitar o ponto de vista alheio. Agradeço por adentrar à discussão. Verá, caso confira nos comentários, que os pontos de vista são diversos, como não poderia deixar de ser.

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