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by • outubro 11, 2013 • ResenhasComments (8)988

[Resenha] O Palácio da Meia-Noite, de Carlos Ruiz Zafón

Capa O palacio da meia-noite.inddQuem nunca quis formar uma sociedade secreta quando criança com os amigos (ou nem tão criança assim) que atire a primeira pedra. Pois os garotos de O Palácio da Meia-Noite não apenas conseguiram, como também acharam um local ideal para os encontros da Chowbar Society: um casarão abandonado. Os jovens órfãos costumam se encontrar regularmente ao redor de uma fogueira e se divertem apreciando a camaradagem que os une e testando a coragem alheia ao contar histórias de terror. Até o fatídico dia em que acabam bem no meio de uma.

O toque sombrio de Zafón, comum a todos os seus livros, está muito presente no segundo romance que escreveu. O Palácio da Meia-Noite faz parte da chamada Trilogia da Névoa. Os livros não possuem ligação entre si, nem mesmo de personagens, apenas uma base similar formada por crianças/adolescentes aventureiros, submersos em uma trama sinistra permeada de suspense e leves toques de horror.

“Entre ruínas e recordações, aquele lugar emanava uma aura de magia e ilusão que só pode sobreviver na memória nebulosa dos primeiros anos de nossas vidas. Mas não importava que fosse apenas por uma última noite: desejava pagar o preço da admissão na quase extinta Chowbar Society”.

Além de infanto-juvenil, terror é um dos gêneros que melhor caracterizam o livro. A figura maligna, enigmática, com poderes maquiavélicos e assustadores é recorrentemente usada pelo autor, ainda que abordada de forma distinta, mas não menos aterrorizante, como neste volume e no que o antecede (O Príncipe da Névoa). Ainda assim, Zafón permanece em terreno juvenil, atenuando certos momentos que, de outra forma, poderiam chocar num livro adulto.

Os personagens são adoráveis. Os garotos, com seus ideais de amizade e lealdade acentuados pela juventude, são encantadores e remetem aos amigos de infância que o tempo não consegue apagar, por mais que os anos emitam seus esforços. A chegada de uma ameaça sem rosto e, aparentemente, invencível, trará revelações inesperadas, principalmente para o jovem Ben, líder não proclamado da trupe, e colocará a coragem dos meninos à prova.

Zafón, com seu inigualável dom narrativo, demonstra a capacidade de trazer magia às ruas e recônditos de uma cidade, desta vez, deixando sua Barcelona de lado (lembrando que, pela ordem de escrita, Barcelona veio depois) e passeando pelas vielas sombrias da mágica Calcutá, na Índia. As metáforas e comparações poéticas se fazem presente, ainda que atenuadas pelo que a experiência viria a moldar posteriormente numa beleza de estilo único e envolvente.

“Os lugares que abrigam a tristeza e a miséria são o lar predileto das histórias de fantasmas e aparições. Calcutá guarda em seu rosto obscuro centenas dessas histórias, que, embora ninguém tenha a coragem de confessar que acredita nelas, sobrevivem na memória de gerações como a única crônica do passado. (…) A gente que habita suas ruas compreende que a verdadeira história desta cidade sempre foi escrita nas páginas invisíveis de seus espíritos e de suas maldições caladas e ocultas”.

Com idas e vindas narrativas, o presente entremeando-se ao passado em flashbacks de revelações que ora levam o leitor a pensar de determinada forma, apenas para depois surpreendê-lo com informações ocultas deixadas propositalmente fora de seu alcance, O Palácio da Meia-Noite é entretenimento certo e de qualidade para jovens de 9 a 90 anos, parafraseando o próprio autor. Eu costumava ansiar loucamente para entender como seria o magnetismo de um livro do Julián Carax (personagem de A Sombra do Vento), até compreender que é isso. Carax está presente em O Príncipe da Névoa, O Palácio da Meia-Noite e Marina, do começo ao final.

Título original: El Palacio de la Medianoche
Editora: Suma de Letras
Número de páginas: 272
Gênero: Infanto-juvenil
[rating: 5/5]

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8 Responses to [Resenha] O Palácio da Meia-Noite, de Carlos Ruiz Zafón

  1. Tiago Vieira disse:

    Oi Duda!

    Um livro com toque de terror e suspense com personagens jovens é tudo que um amante da literatura quer!
    Fiquei curioso em conhecer esse livro, pois me pareceu ser uma boa fonte de entretenimento.

    Parabéns pela resenha! Até a próxima!

  2. Lih_maria disse:

    Oiii!!
    Nossa eu estou louca pra chegue logo meu livro *-*
    Eu comprei pq sou mto fã do Zafón e só vi elogios desse livro \O/
    Adoorei sua resenha viiw =DD
    Bjoos
    http://chacombolacha.blogspot.com.br/

  3. Todas as características que costumo apreciar em um livro, somado ao fato de ser um autor que você ama e recomenda desde sempre. Acho que isso basta para eu repetir que tenho muita curiosidade em conhecer alguma obra do autor, e acho que, após Marina, esse é o livro que mais chamou a atenção.
    Sério que o livro se passa em Calcutá? Quando você diz que o autor leva “magia às ruas e recônditos de uma cidade”, fico imaginando como pode ter sido esse “casamento”. Acho que faz total diferença vê-lo saindo da “zona de conforto”. Ou não?

    Beijos, Duda!

  4. Mariana FS disse:

    Oi Duda!
    Dessa vez li só a primeira frase da sua resenha, rsrs. É que como eu ainda não comecei a ler a trilogia da névoa, tenho evitado ler as resenhas. Zafón é Zafón…sei não existe nenhuma possibilidade dos livros serem qualquer coisa menos que maravilhosos 🙂
    Beijos
    alemdacontracapa.blogspot.com

  5. Neto Robin disse:

    Sempre fico com uma vontade enorme de ler os livros da trilogia da névoa, mas me bate um receio. ouvi falar muito sobre o livro e todas as palavras foram positivas, mas mesmo assim continuo resistindo a compra-los, mas sua resenha me deixou um pouco curioso espero em breve poder ler os três…

  6. Cris Aragão disse:

    Eu adoro a narrativa do Zafón, preciso desse livro para ontem.

  7. Oi Duda,
    Eis aí um autor pelo qual tenho imensa curiosidade para ler, rsrs
    Nunca vi uma pessoa sequer falar mal de algum livro dele! ;D
    Está na minha lista,
    Beijos!

  8. Viviane disse:

    Oi Duda!
    Faz tempo que não passo por aqui, também precisei dar um tempo! Comecei a ler O Palácio da Meia-Noite e apesar de estar bem no início, estou gostando muito!
    E como vc disse em seu vídeo, também já comprei as Luzes de Setembro e também quero guardá-lo para não ficar sem nenhum livro de Zafón para ler! Eu entendo sua loucura!
    Um grande beijo e Boas Festas!

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