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by • dezembro 29, 2013 • ResenhasComments (6)1074

[Resenha] Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

Fahrenheit 451Fahrenheit 451 é hoje considerada uma das distopias mais famosas e comentadas do mundo. Publicado em 1953, o livro é a grande obra prima de Ray Bradbury, e fala sobre um futuro não tão distante (correspondendo, aproximadamente, ao nosso presente) onde os livros são estritamente proibidos e queimados em grandes fogueiras.

Livros que abordam o poder dos livros sempre me causam certo fascínio. A distopia de Bradbury é uma das mais interessantes pois ele se mantém próximo ao mundo real. O autor não cria aparatos tecnológicos extremamente avançados ou costumes destoantes daqueles que a própria cultura de massa consome atualmente.

“Quanto mais poros, quanto mais detalhes de vida fielmente gravados por centímetro quadrado você conseguir captar numa folha de papel, mais “literário” você será. (…) Os bons escritores quase sempre tocam a vida. Os medíocres apenas passam rapidamente a mão sobre ela. Os ruins a estupram e a deixam para as moscas”.

Objetivando a alienação total do povo, prometendo-os uma felicidade artificial, a população vive constantemente submersa no entretenimento raso da televisão, robotizando o pensamento e mantendo-os reféns da própria rotina. Passeios despretensiosos, reuniões na calçada com a família ou qualquer distração e lazer que possam, de algum modo, estimular uma reflexão mais profunda, não são vistos com bons olhos. A posse de livros, porém, é a pior das transgressões.

Numa época onde os bombeiros são pagos para começar incêndios, e não apagá-los, o protagonista Guy Montag, até então feliz com o seu emprego, vivencia dois acontecimentos que o põe em dúvida de suas ações. A centelha já estava lá, prestes a ser acesa, e sua rebelião e crescente revolta contra o governo estabelecido o fará questionar, indagar e raciocinar, junto ao leitor, sobre as consequências devastadoras de um mundo sem livros.

“Talvez os livros possam nos tirar um pouco dessas trevas. Ao menos poderiam nos impedir de cometer os mesmos malditos erros malucos”.

Por mais distante que estejamos de uma realidade banida de livros, a reflexão (e comparação) do autor é uma das mais interessantes e não se mostra tão discordante assim. Apesar da não proibição, é certo que os próprios são muitas vezes deixados de lado por grande parte da população, ação deliberadamente imaginada e mencionada no livro pelo Bradbury ao enfatizar que o governo apenas se aproveitou da situação.

Dividido em três partes, A Lareira e Salamandra, A Peneira e a Areia e O Brilho Incendiário, Fahrenheit 451 possui um enredo bem estruturado, personagens interessantes, uma clara mensagens de reflexão e um final digno e não previsível, com destaque para a comparação dos seres humanos com a phoenix nas últimas páginas que resume muito bem o caráter falho, porém esperançoso que o autor procurou destrinchar nas poucas páginas da sua maior obra literária.

Título original: Fahrenheit 451
Editora: Biblioteca Azul
Número de páginas: 215
Gênero: Distopia/Clássicos
[rating: 5/5]
Cedido em parceria com a Biblioteca Azul

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6 Responses to [Resenha] Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

  1. Millena disse:

    Oi, Duda! Eu gostei e não gostei desse livro, achei a narrativa muito desgastante e tantas vezes me pareceu desconexa :/
    No mais, traz uma excelente reflexão e, além disso, o autor conseguiu prever bem a realidade, porque o que ele apresenta em seu texto está evidente na futilidade e efemeridade dos dias atuais. Nisso, amo as distopias clássicas.

    Minha mãe é pedagoga e ela vive reclamando que as crianças não são estimuladas e incentivadas a pensar. Que é exatamente o que acontece em Fahrenheit 451.

  2. Oi Duda!
    Li e adorei!
    Tentei ler “1984”, mas não me estimulou tanto quanto F451.
    A escrita é mais simples e direta o que deixa a leitura mais agradável. Além de reflexiva!

  3. Claudia disse:

    Oi Duda

    No fim a edição que eu tenho não tem o texto do rapaz aquele 😀
    Eu tenho muita curiosidade em ler esse livro pela distopia e pelos livros. Fico pensando na associação coma influência do mercado/consumo/popularidade no que é ou não lançado.

  4. Bah, eu estou muuito afim de ler esse livro. Desse ano não passa! É uma história que não tem como passar batida, principalmente para nós, leitores.
    Bjs!

  5. Nilsen disse:

    Nossa, você me convenceu a ler esse livro! Já adicionei na minha meta de leitura desse ano <3

  6. Iure Carvalho disse:

    Adorei a resenha… nunca vi nada sobre este livro. Vou comprar logo!

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