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by • janeiro 14, 2014 • ResenhasComments (17)3042

[Resenha] Mary Poppins, de P. L. Travers

Mary PoppinsA leitura de Mary Poppins remete, inevitavelmente, à infância. Brincadeiras, lençóis, tardes preguiçosas, passeios e aventuras mirabolantes, tudo ganha vida nas páginas de P. L. Travers, atiçando a imaginação.

O universo é fantasioso. A vida dos garotos, Jane e Michael, antes normal e sem muitas emoções, muda completamente com a chegada de uma nova babá única e esquisita. Espantados por estranhas situações que parecem rodeá-la, as crianças se afeiçoam rapidamente e passam a viver acontecimentos extraordinários e especiais.

Entrar na pintura de um quadro, tomar chá no teto da casa, descobrir o que se passa por dentro dos portões de um zoológico durante a madrugada, entre outras várias situações excitantes para o imaginário infantil, com ela por perto tudo pode acontecer. A magia está sempre presente e sem muitos questionamentos, afinal, não é sábio irritar Mary Poppins, os irmãos aceitam felizes e obedientes o presente maravilhoso posto em suas vidas.

“You’ll forget because you just can’t help it. There never was a human being that remembered after the age of one – at the very latest – except, of course, Her. (…) She’s different. She’s the Great Exception. Can’t go by her”.

A autora dá asas à imaginação e, com linguagem apropriada para o público infantil, utiliza o tipo de situação que toda e qualquer criança gostaria de vivenciar, um dos pontos que certamente mais contribuiu para tornar este livro um dos maiores clássicos infantis de todos os tempos. Ao mesmo tempo que recebem o que desejam, a babá nunca deixa de impor sua autoridade ensinando, educando, impondo obediência e dando-lhes lições sobre o que acontece quando eles não se comportam.

O aspecto mágico e instrutivo lembrou-me a Nanny McPhee, personagem adaptada da série de livros infantis Nurse Matilda criada pela Christianna Brand em 1964, que possui claras semelhanças com a Poppins, apesar de originalmente idealizada pela autora como uma enfermeira. Propositalmente ou não, já que não encontrei nenhuma menção ao assunto, imagino que a Brand tenha se inspirado na famosa babá criada pela Travers em 1934.

À parte o apelo óbvio ao público infantil já mencionado, o maior mérito de Travers foi a criação da grande protagonista da história que, vaidosa, lacônica e de poucas palavras, rouba todas as cenas em que aparece e inspira grande simpatia no público seja ele juvenil ou adulto. Com capítulos rápidos e separados tal como aventuras isoladas onde tudo pode acontecer, Mary Poppins é um convite ao exercício da imaginação com situações impossíveis para o senso comum, mas desejáveis e, até mesmo, corriqueiras dentro da cabeça de uma criança.

Título original: Mary Poppins
Editora: Harper Collins
Número de páginas: 192
Gênero: Infantil/Clássicos
[rating: 5/5]

Informações adicionais

Mary Poppins (1934) é o primeiro de uma série de oito volumes, sendo eles: Mary Poppins Comes Back (1935), Mary Poppins Opens the Door (1943), Mary Poppins in the Park (1952), Mary Poppins From A to Z (1962), Mary Poppins in the Kitchen (1975), Mary Poppins in Cherry Tree Lane (1982) e Mary Poppins and the House Next Door (1988).
O livro foi adaptado para os Cinemas pela Disney em 1964.
O filme tornou-se o maior sucesso de bilheteria do ano, arrecadando um total de US$ 28,5 milhões. À frente de grandes clássicos do cinema como A Noviça Rebelde (US$ 20 milhões), Goldfinger (US$ 19,7 milhões) e My Fair Lady (US$ 19 milhões).
Com os lucros do filme, Walt Disney comprou 27,5 mil acres de terra na Flórida e financiou a construção do Walt Disney World.
O volume resenhado nesta postagem foi comprado no Book Depository, site de compras britânico que oferece frete grátis para o mundo inteiro.

 

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17 Responses to [Resenha] Mary Poppins, de P. L. Travers

  1. O livro deve ser muito bom mesmo para poder dar origem ao Walt Disnew World! Realmente fiquei impressionado. Como minha professora de Arte que dizia que deveríamos explorar o mundo lúdico, Mary Poppins parece ser um grande convite que vai agradar à todas as idades. Deve ser um clássico incrível. Parabéns pela resenha, Duda, me cativou mais uma vez.
    PS.: existe edição em português?

    • Eduarda Menezes disse:

      Obrigada, Samuel!
      Eu já ouvi pessoas mencionarem sobre edições antigas em português, mas nunca vi nenhuma e, caso tenha existido, devem estar esgotadas hoje em dia.

  2. Primeiramente a capa é lindíssima, e devo confessar que foi o fator que me fez procurar pela resenha. Adoro livros infantis bem inscritos é claro, eu acho muito legal essa coisa de coisas mágicas existirem simplesmente por que existem e nada mais precisa de explicação. Parabéns pela resenha, uma pena que o livro é em inglês, tem uma versão em português?

  3. Lygia disse:

    Oi Duda! 🙂
    Já estava de olho nesse livrinho seu desde que vc mostrou no Instagram…coisa linda! <3

    Como boa amante de juvenis e sua magia, e seu comentário sobre remeter à Nanny McPhee (amoo os filmes..na verdade, o primeiro bem mais que o segundo).
    Ótima indicação! Eu quero! *__*

  4. Tay disse:

    Nossa, eu adoro literatura infantil, e especificamente amo o filme Mary Poppins, e a sua resenha me deu mais vontade de ler! A minha lista de livros a ler será sempre interminável, tenho que aceitar esse fato, haha.
    Beijos!

  5. Tiago Vieira disse:

    Oi Duda, tudo bem?!

    Estava ansioso por essa resenha desde quando você anunciou a compra, ou ganho dele em um vídeo. Depois vi no Instragam uma foto da capa e fiquei esperando mais ainda pela resenha.

    Gosto muito da história de Mary Poppins. Assisti ao filme tem muito tempo mesmo, mas me lembro vagamente de algumas coisas e principalmente das músicas tão engraçadas que tocam no decorrer do longa.

    Eu também acho Mary Poppins muito parecida com a Nanny Mcphee! Aliás, acho que a autora das histórias da Nanny se inspirou sim em Mary Poppins.

    Duda, você sabia que vai estrear o filme sobre os bastidores da adaptação da história de Mary Poppins pro cinema? Assisti ao trailer e gostei muito! O título do filme aqui no Brasil ficou um pouco extenso, mas mesmo assim gostei: WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS.
    O filme vai contar que a autora do livro não queria que adaptassem o longa. Assim o Walt Disney tenta convencê-la, e nesse meio tempo ela conta a verdadeira missão de Mary Popins que não é contada no livro.

    Bem, vou parando por aqui porque já falei muito coisa rs.
    Parabéns pela resenha! Gostei muito!

    Até a próxima!

  6. Mais um filme que eu não sabia que era livro! Será que existe tradução? Imagino que sim…

    Bjs

  7. Adorei!! Sempre gostei de Mary Poppins, e ainda não li os livros de Travers.
    Mas Queria saber se você Duda, sabe se ainda existem esses 8 livros? em sebos talvez?

    Beijinhos

  8. Parabéns pelo texto, Eduarda! Se já era apaixonada pelo filme, agora fiquei ainda mais interessada no livro!

  9. Bruna Luzzi disse:

    Olá Eduarda, adoro o teu blog e as tuas dicas..Acredito que vc já tenha visto, mas recentemente saiu uma edição especial da Mary Poppins da Cosac Naify, acredito que seja referente ao 1° volume!
    http://editora.cosacnaify.com.br/ObraSinopse/2349/Mary-Poppins—Edi%C3%A7%C3%A3o-Especial.aspx

    Muito fofa!

    Beijos

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