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by • abril 4, 2014 • ResenhasComments (3)584

[Resenha] O Canto das Sereias, de Val McDermid

O canto das sereias

A cidade de Bradfield enfrenta uma série de crimes horrendos que vem atemorizando a população gay local. Chamado de assassino de bonecas, o nome pelo qual é conhecido transparece o preconceito arraigado em boa parte da população em meados da década de noventa, quando o livro foi escrito. O criminoso não deixa pistas e possui um modus operandi extremamente cruel matando suas vítimas com aparatos de tortura utilizados na época da Inquisição.

Originalmente publicado em 1995, O Canto das Sereias dá início a uma série independente protagonizada pela dupla Tony Hill e Carol Jordan, em que o Hill  atua como analista criminal contratado para traçar o perfil do assassino e auxiliar a polícia nas investigações, e Jordan, por sua vez, a inspetora responsável pelo caso. Os dois são bem diferentes, mas a dupla funciona bem em conjunto, talvez justamente por isso. O casal possui a química necessária para a construção de uma boa parceria, além da autora sugerir a possibilidade de um romance nos livros seguintes.

Gostei da forma como a McDermid desenvolveu a personalidade dos personagens. Dar voz a um serial killer não é fácil, mas a autora consegue convencer e possui talento para transmitir veracidade tanto pelo ponto de vista de uma mente distorcida, quanto em relação aos membros destoantes da força policial com a sua dose de servidores preconceituosos, não só em relação a homossexualidade, mas também a cargos importantes executados por mulheres.

O Tony Hill foi um personagem bem interessante. Por mais que o conheçamos aos poucos, a autora nos deixa entrever que há muito mais complexidade por baixo de sua aparente calmaria, como se o fato de caçar assassinos fosse uma das únicas coisas que o impedisse de tornar-se um deles. No entanto, ainda que tenha começado a tarefa de desvendá-lo ao leitor, o resultado permaneceu pouco aprofundado, imagino que propositalmente, visto que a série conta com oito volumes publicados no exterior, tendo o último saído em 2013.

Apesar de ter curtido o cotidiano da investigação policial, um dos maiores méritos da autora, para mim, está no modo como ela consegue traçar tão bem um perfil concreto e completamente aceitável da mente de um serial killer baseado nos fatos apresentados ao longo do livro. Por mais que eu não tenha ficado exatamente surpresa com o desenrolar dos acontecimentos, especialmente em relação ao clímax que trouxe um fato que eu já imaginava muito antes da metade do livro, ela, ainda assim, conseguiu me surpreender de outra forma com uma informação adicional inesperada.

A dupla serviu de inspiração para a série televisiva britânica Wire in the Blood que foi ao ar de 2002 a 2008, e teve seu episódio de estreia baseado em O Canto das Sereias. Com uma ambientação propícia e característica do gênero, o clima noturno repleto de cafeína e noites insones é instigante. Assim como em Sombras de Um Crime, minha primeira experiência com a autora, fui novamente tragada para o universo de crimes, assassinatos e mistérios, e certamente pretendo repetir a dose com vários outros livros da autora.

Título original: The Mermaids Singing
Editora: Bertrand Brasil
Número de páginas: 490
Gênero: Thriller/Romance policial
[rating: 4/5]
Cedido em parceria com a Bertrand Brasil

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3 Responses to [Resenha] O Canto das Sereias, de Val McDermid

  1. Mariana FS disse:

    Oi Duda!
    Eu adoro a Val! Na verdade, só li um livro dela, mas já bastou, hehe.
    Fiquei super interessada em conferir como a autora desenvolveu a mente desse serial killer. Realmente não é fácil deixar o leitor acompanhar os pensamentos de um personagem assim (quem faz isso muito bem é o John Verdon, né?)
    Não sabia sobre a série de TV. Vou procurar para tentar assistir.
    Achei horripilantemente linda essa capa 😉
    Beijos
    alemdacontracapa.blogspot.com

  2. Um novo livro que não conhecia; um novo livro que achei interessante e que agora pretendo ler. Acho que o mais bacana nesse caso é essa questão de traçar o perfil do assassino, o que ao menos na literatura – ou nos livros que já tive o prazer de ler – é pouco utilizado e algo espetacular. A relação com o preconceito também pode ser uma grande jogada, quando bem trabalhada, o que parece ser o caso.

    Beijos, Duda!
    Ricardo – http://www.overshockblog.com.br

  3. Lindsay Leão disse:

    Oi Duda,

    Achei a capa belíssima e cheia de mistério. Não conhecia a autora, mas achei o enredo bastante interessante. Acho que vale a pena dar uma chance a essa leitura.
    Beijos

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