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by • maio 3, 2014 • ResenhasComments (12)1104

[Resenha] A Garota Silenciosa, de Tess Gerritsen

Me apaixonei pela narrativa da Tess Gerritsen quando li Gélido. A Garota Silenciosa faz parte da mesma série de romances policiais independentes, sendo estes o oitavo e nono volume, respectivamente, protagonizados pela detetive de polícia Jane Rizolli e sua amiga médica legista Maura Isles. Ambas aparecem em todas as histórias, apesar de revezarem a intensidade e nível de importância em cada trama específica. Em Gélido, por exemplo, Maura está bem mais em destaque do que Jane, já neste em questão acontece o contrário.

A Garota SilenciosaO livro é ambientado na exótica Chinatown de Boston, bairro predominantemente chinês. Há anos um crime hediondo aconteceu num pequeno restaurante da localidade, e a polícia fechou o episódio como um surto psicótico do cozinheiro que, após assassinar quatro pessoas, tirou a própria vida. De alguma forma, esse antigo caso parece estar relacionado com um recente homicídio misterioso ocorrido no telhado de um prédio próximo à chacina. E quando pelos esquisitos relacionados a uma antiga lenda chinesa são encontrados na cena do crime, os policiais não sabem no que acreditar.

A mitologia chinesa e todo o misticismo das lendas folclóricas, entremeadas a uma séria e meticulosa investigação criminal, foi algo que me ganhou desde o início. Os personagens (suspeitos ou vítimas) carregam uma certa magia com seus costumes e bagagens orientais, principalmente quando relacionado à escola de artes maciais administrada pela misteriosa Iris Fang, dando a impressão de que, por trás da calmaria, são muito mais do que aparentam e podem levantar uma espada e cortar sua cabeça a qualquer momento.

Além da investigação envolvente, fui cativada pelas fábulas antigas que fortalecem o mistério atual, levando-nos a questionar qual a real ligação entre um Rei-Macaco vingador milenar, com um terrível crime inesperado, um assassinato no telhado e um número considerável de garotas desaparecidas. Tess menciona ao final que nenhum outro romance de sua autoria foi tão pessoal quanto este (ela é filha de imigrante chineses), algo que percebemos em sua forma reverente ao discorrer sobre a cultura de seu país ancestral.

À parte o caso principal, os dilemas da médica legista Maura também são acompanhados. Tomamos conhecimento de um pequeno impasse que ocorreu em sua vida entre o livro anterior e atual. Apesar da leitura cronológica não ser obrigatória, alguns desdobramentos de Gélido são mencionados de passagem.  Nada muito comprometedor, mas vale atentar para quem curte descobrir tudo no devido tempo.

Com um ótimo domínio de tramas, sub-tramas e personagens, Tess Gerritsen é o tipo de escritora que sabe como cativar o leitor e fazê-lo virar páginas e mais páginas em apenas algumas horas. O mistério é interessante e vai se revelando aos poucos com direito a vários desdobramentos. Além de me surpreender em relação ao desfecho inesperado, ela ainda reservou uma surpresinha adicional, e muito bem vinda, próximo ao final.

Título original: The Silent Girl
Editora: Record
Número de páginas: 368
Gênero: Thriller/Romance policial
[rating: 4/5]
Cedido em parceria com a Record

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12 Responses to [Resenha] A Garota Silenciosa, de Tess Gerritsen

  1. Fiquei com muita vontade de ler esse livro depois da resenha. Vi que são romances independentes, mas você acha que dá para ler apenas este livro e compreender bem narrativa e personagens? Abraços

    • Eduarda Menezes disse:

      Dá sim! O mais importante é o caso atual do livro, e ele em si não está interligado com nenhum outro. Pode ir sem medo! 🙂

  2. Oi Duda!

    Se me lembro bem já li os cinco primeiros volumes dessa série da Tess Gerritsen e sou completamente apaixonada pela narrativa dela. O enredo é sempre muito bem construído e Jane e Maura são duas personagens incríveis. Espero conseguir ler o restante em breve.

    Beijo,
    Naty.

  3. Priih disse:

    Oi, Eduarda!
    Acabo de conhecer seu blog, mas adorei!
    Suspense policial é um dos meus gêneros literários favoritos e eu adorei conhecer essa autora através da sua resenha. Dica anotada! =)
    Beijos,

    Priscilla
    http://infinitasvidas.wordpress.com

  4. Aline T.K.M. disse:

    Essa é a primeira resenha que leio do livro, e confesso que não sabia muito sobre ele, apesar de tê-lo ganhado recentemente numa cortesia do Skoob. Gostei do que li por aqui, e achei interessantíssimo o fato de haver algo de mitologia permeando a trama. Adoro mistérios policiais e acredito que vou curtir essa leitura; essa “surpresinha adicional” que você mencionou me deixou master curiosa hehehe.

    Beijoooo, Livro Lab

  5. Camila K. disse:

    Duda, adoro seu blog e adorei a resenha também! Li o livro e tive as mesmas impressões que você. Provavelmente esse é o melhor de Tess Gerritsen que li até hoje. Você conhece O Pecador? É um pouco mais antigo, mas é fantástico! Recomendo muito!
    Bjs

  6. Amanda Melo disse:

    Eu amo Romances policiais.São interessantes pois a maioria tem ação do começo a fim e pelo que li na resenha deve haver bastante ação.Li um livro recentemente que tinha ação do começo ao fim, me apaixonei pelo livro.
    Beijos e Parabéns pela resenha.
    http://addictiononbooks.blogspot.com.br/

  7. Fran Lelis disse:

    Amo os livros da Tess! Esse ainda não li, mas li Gélido e todos os anteriores. Ela escreve muito bem, consegue manter o suspense e nos deixa cada vez mais curiosos!
    Mas o que eu mais gosto é que as protagonistas são mulheres muito verídicas, com problemas, angústias, sonhos, lutas pessoais, são personagens complexas que evoluem no decorrer dos livros, que tomam decisões corajosas sobre suas vidas, que se precipitam, que se desesperam. São personagens incríveis, que rompem totalmente com o estereótipo da donzela indefesa que alguns livros de investigação propagam.
    Recomendo muito todos os outros livros!

    Linda resenha e lindo blog!
    Beijos!

    • Eduarda Menezes disse:

      Obrigada, Fran! ♥
      Concordo com você sobre as personagens da Tess. Gosto da forma que a autora as desenvolve. E a investigação, então, nem se fala. Instigante e bem conduzida.
      Beijo!

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