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by • novembro 18, 2014 • FilmesComments (12)5857

O que eu gostei (e não gostei) na adaptação de Garota Exemplar para os cinemas

Lembrei que ainda não havíamos conversado sobre a adaptação do livro Garota Exemplar para os cinemas e pensei em escrever um Roteiro Adaptado. Só que a ideia de escrevê-lo da forma tradicional não me animou, então resolvi ir direto aos principais pontos e discutir com vocês os prós e os contras que senti em relação ao filme.

Ps. Este post conterá SPOILERS a partir do tópico “Meus problemas”

garota exemplar

Atuações:

Rosamund Pike está DIVA neste filme. Ponto. Eis um dos motivos pelo qual tudo funcionou de forma tão sensacional. Ela É a Amy e personificou a personagem extremamente bem. O Ben Affleck, como o Nick, também funcionou. Ele conseguiu exaltar aquela vulnerabilidade do personagem e vontade de agradar a todos. Sinto que sua interpretação me ajudou a entender melhor o Nick, como se de forma complementar ao que eu já sabia.

Garota exemplar (3)

Ambientação:

O David Fincher é mestre em criar um ótimo clima de suspense (vide o que ele fez com a adaptação hollywoodiana de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres). As boas escolhas se repetiram em Gone Girl, um livro introspectivo e psicológico, de difícil adaptação. Gostei das escolhas de enquadramento, dos flashbacks bem apontados, da narração por cima das cenas, até da coloração utilizada no filme.

Considerações gerais:

roteiro foi muito bem adaptado e fiel (a roteirista é a Gillian Flynn, própria autora do livro). Além de claramente ter agradado aos que leram, é um filme que facilmente conquista a todos, independente de nunca ter pego o livro na vida. Ou seja, funciona bem, seja como filme ou livro, algo que a gente subestima às vezes porque vemos com os olhos de quem já leu. A realidade é que eu posso amar adaptação X e Y, mas muitas vezes o não-leitor não sentirá um apreço tão grande pelo que foi passado pois muita coisa que fez sentido para mim, pode não ter feito para ele, que é o ser imparcial nessa história. Garota Exemplar pertence aos dois mundos. Funciona de forma independente.

Garota exemplar (1)

MEUS PROBLEMAS:

Filme ou livro? O filme é ótimo. Estamos precisando de bons roteiros de suspense nos cinemas, sejam eles adaptados de livros ou não. A experiência do livro, no entanto, ainda é muito superior. Principalmente no entendimento mais elevado que experimentamos do perfeccionismo de Amy: o fato da personagem ter pensado em todo e qualquer aspecto (que a Flynn nos detalha tão maravilhosamente bem), comprovando que a protagonista é um ser meticuloso, extremamente inteligente e levemente psicopata. A Pike fez o que pôde, claro, – e, por tal, o buraco não é tão grande – mas a ausência de coisas tão próprias do texto detalhista de um livro se faz sentir em alguns momentos, algo facilmente perdoável, afinal, um filme não pode e nem deve ser exatamente igual a um livro. No entanto, algumas escolhas não me agradaram:

→ Por que raios a personagem passa pelo hospital, é examinada, concede uma coletiva de imprensa, e, ainda assim, chega em casa banhada de sangue, sem ao menos tomar um banho? Que hospital não lava sequer o corpo ensaguentado da paciente? Imagino que tenha sido para tornar a cena dos dois no chuveiro ainda mais impactante. Achei desnecessário, mas vai, problema meu.

Garota exemplar (4)

→ Câmeras everywhere.

Não lembro especificamente do ponto em que a autora menciona as diversas câmeras na casa do lago (e meu livro está emprestado, então me ajudem aqui), mas, caso o tenha feito, podemos ficar com a ideia que seria apenas algo externo, pois creio não ter sido mencionado vigilância na parte interna da residência – e isso faz TODA a diferença. Quem leu o livro sabe que não existe a cena em que a Amy interpreta para as câmeras de vigilância (a parte da garrafa e etc está lá, mas essa não). Então vejamos os seguintes cenários:

– Se estavam filmando o tempo todo, não é fácil para a polícia ir lá nas gravações dar uma olhadinha e constatar que Amy chegou na casa por livre e espontânea vontade, muito depois de ter sido oficialmente sequestrada? No livro, mesmo com a presença das câmeras externas (se for o caso), não há menção sobre a presença de vigilância interna na casa e as câmeras são pouco ou quase nunca mencionadas, então podemos ir com a hipótese que, caso seja assistido, o carro entrou dentro da garagem e apenas lá, sem câmeras, a Amy saiu do veículo e deu início a sua hospedagem, longe de quaisquer olhares posteriores.

– No filme, no entanto, a gente acompanha a Amy olhando para tais câmeras – enfatizadas o tempo inteiro no longa (algo totalmente ausente no enredo original) – e vemos quando ela vigia a garagem esperando a saída de Desi Collings para pôr seu plano em ação. Sendo assim, percebemos que o local inteiro está sendo vigiado e gravado por um elaborado sistema de seguranças – se ela interpretou para as câmeras com o intuito que assistissem, por que a polícia também não assistiria as diversas outras cenas em que ela deveria necessariamente aparecer (ou não aparecer)?

– Mas Duda, ela apagou. E não seria suspeito alguns vídeos faltando na coleção, ou gravações misteriosamente apagadas, mas outra extremamente incriminadora intacta para todos verem?

– Fora a possibilidade de constatarem a completa ausência de movimentos na casa do lago ao longo de vários dias, já que com aquela vigilância toda seria possível ver o carro de Desi chegando e saindo sempre que acontecesse, e aquela não era a sua morada oficial – ele nem sequer estava por lá antes de oferecê-la como abrigo à Amy.

Não que sejam erros terríveis e imperdoáveis. Só fiquei com a sensação de que o final do livro – tão odiado por alguns leitores – ficou ainda mais amargo no filme devido as zilhões de possibilidades investigativas. A sensação que fiquei ao assistir – e não fiquei ao ler – é que a polícia é idiota e simplesmente aceitou tudo que a personagem falou, mas não se deu ao trabalho de ao menos conferir o básico, algo imperdoável já que um assassinato havia sido cometido – ainda mais quando alguém rico e influente está envolvido (porque é assim que funciona o mundo). Desta forma, o final, que me pareceu totalmente possível e original no livro, soou improvável e levemente forçado no longa.

Ainda assim, gostei bastante do filme e é uma adaptação que recomendo sem pensar duas vezes a todos que me perguntam. Só achei que essas escolhas bobas – precisava colocar essas câmeras? – poderiam ter sido descartadas para fechar de forma mais satisfatória.

Para mim, a principal diferença foi:

Nós, que lemos o livro, sabemos que a Amy pensou em todos os aspectos e, independente da polícia acreditar nela ou não, eles não teriam como provar. Já no final do filme ficou tudo muito corrido e a minha impressão é de que sim, poderiam ter provado de diversas maneiras, bastariam investigar. Esta foi a principal diferença que eu senti entre ambos.

E vocês, o que acharam da adaptação?

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12 Responses to O que eu gostei (e não gostei) na adaptação de Garota Exemplar para os cinemas

  1. Aline T.K.M. disse:

    Não li a parte dos spoilers porque, bem, agora surgiu de fato a chance de eu ler o livro! Ganhei-o numa promo recentemente e fiquei master feliz =) (o melhor é que ganhei com a capa antiga, que eu gosto mais). Não fui conferir o filme no cinema, apesar de querer muito mesmo sem ter lido o livro. Mas certamente não perderei esse filme quando estrear nos Netflix/Now/afins da vida. Parece realmente sensacional.

    Beijão, Livro Lab

    • Eduarda Menezes disse:

      Ainda bem que você não leu os spoilers, Aline. Vale MUITO mais a pena descobrir durante a leitura 😉
      Também prefiro a capa antiga haha
      E vai ser melhor conferir o filme depois de ter lido o livro também. Boa leitura!
      Beijos!

  2. Camila K. disse:

    Duda, concordo com TUDO que você falou, sem tirar nem pôr. Essa questão das câmeras realmente incomoda e, provavelmente, se tivessem mantido apenas as externas, a história ficaria muito mais plausível no filme. Acredito que no filme tenham considerado que a polícia não faria perguntadas porque ‘ah coitadinha, sofreu tanto e ainda teve que matar o homem’, como se não fosse cogitada qualquer outra possibilidade que não sequestro.
    Inclusive uma amiga minha, depois que assistiu, veio me perguntar “Mas Cami, fiquei confusa! Por que não investigaram?”. E ela não leu o livro. Então, talvez, pra quem não conhece a história original, esse fim pareça confuso e um buraco difícil de tapar.
    Mas no geral, eu gostei muito! Rosamund Pike divou muito! No trailer achei que ela ia ser fraquinha, mas fiquei bastante surpreendida. Ela conseguiu extrair a essência da Amy do livro.

    Beijos, Duda!

    • Eduarda Menezes disse:

      Isso mesmo, Camis!
      No livro a gente entende o sentimento geral, as possibilidades levantadas, e concordamos com aquilo porque os motivos são bem explicados. Já no filme fica pra lá de estranho esse apatismo por parte dos policiais em simplesmente acatarem tudo que a Amy falou como verdade e causa certo estranhamento.
      A Rosamund arrasou demais haha
      Beijos!

  3. Lise disse:

    Concordo muito contigo. Em especial sobre esses aspectos fim. E bom, eu acho que eles ainda deixaram algumas coisas meio soltas no começo que poderiam ter ficado amarradas como no livro.

    A verdade é que eu vi o filme como leitora. E esse fim eu consigo justificar, porque sei que no fim a ideia foi “ele é queridinha da mídia, existem fios soltos só que depois de tanto tempo sumida, de ter sofrido tanto e ser de família influente, não vamos futucar demais esse caso”. E isso funcionou no livro, até na compreensão da escolha do Nick, ele chega a essa conclusão também (e outras razões). Só que no filme, bom ficou tipo “policiais são paspalhos mesmo”.

    Enfim…

    liliescreve.blogspot.com

    • Eduarda Menezes disse:

      EXATO, Lili!
      A gente, como leitora, consegue justificar os motivos porque eles foram muito bem destrinchados no livro, mas no filme ficou muito estranho toda essa aquiescência tão atípica da polícia.

  4. .bah disse:

    Duda, acho que agora você já deve ter checado. Mas fui dar uma olhada no livro e não menciona as câmeras mesmo, só a senha do portão.
    Esse detalhe acabou por ser um furo que empobreceu pra caramba o filme, realmente.
    Não senti o tempo do filme, mas assistir um suspense já ‘sabendo’ do que viria tira o gostinho, né, rs
    :*

    • Eduarda Menezes disse:

      Eu ainda não tinha checado, Bah. Meu livro saiu numa fila de empréstimos desde que terminei de lê-lo e ainda não retornou para mim haha Obrigada por avisar. Bem que eu não lembrava mesmo.
      Pois é, desnecessário ter colocado isso no filme, né?
      E a gente sentiu o gostinho do suspense no livro haha Pensemos pelo lado positivo. Vimos o filme só esperando a cara de surpresa das pessoas ao lado kkkk

  5. Juliana disse:

    Eduarda,eu não entendi muito bem a proposta do filme,vc poderia me explicar?ela já era meio psicopata quando conheceu o Nick e era tudo fingimento?e ele pq motivo ficaria com ela mesmo depois de tudo,só por causa da criança,ou porque no fundo os dois não conseguiam ficar um sem o outro?Agradeço desde já se puder responder Beijos Juliana

    • Eduarda Menezes disse:

      Oi, Juliana!
      É isso mesmo, ela já era psicopata bem antes, a vida inteira, na verdade rs Creio que o livro explique melhor, mas vamos lá rs
      Quando o Nick começa a pesquisar sobre o passado da Amy descobre várias coisas chocantes que ela havia feito com outras pessoas, manipulando a opinião geral para pensar que ela era a certa e os outros é que tinham problema. Além de louca, ela era extremamente inteligente, por isso conseguia sempre manipular a todos tão bem.
      O Nick fica com ela primordialmente por causa do filho – e isso no quesito que, se não fosse pelo filho, ele pretendia desmacará-la – mas ele também se sentia atraído de um modo nada saudável pela inteligência e intensidade da esposa, e comenta sobre isso no livro. Já a Amy, por mais louca que fosse, também era louca pelo Nick.
      Espero que tenha esclarecido um pouco rs Mas pra informações mais completas, te indico a leitura do livro que é muito bom 😉

  6. Acabei de ver o filme e gostei muito, só que gostaria de saber se o final do livro é diferente do final do filme. Me arrependi um pouco de ver o filme, porque certamente ficaria muito mais embasbacado com tantas reviravoltas ao lê-lo do que assisti-lo. Agradeço sua atenção e peço uma dica literária sua. Um livro de suspense ou terror que me tire da zona de conforto. Boa noite e adorei seu blog.

    • Eduarda Menezes disse:

      O final é o mesmo, Diego. A diferença é que no livro é melhor explicado do que no filme, então a gente entende melhor os motivos.
      Um dos meus thrillers de suspense favoritos é O Tribunal das Almas, de Donato Carrisi. É um livro interessantíssimo e te deixo como dica já que gosta desse gênero.
      Fico feliz que tenha gostado do blog! Obrigada!

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