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by • novembro 13, 2014 • ResenhasComments (6)2138

[Resenha] Ligeiramente Casados, de Mary Balogh

Adoro um bom romance água com açúcar. Daqueles que sim, sabemos como vai terminar, mas queremos apenas um bom desenvolvimento para desfrutar algumas horas de suspiro e puro prazer. A editora Arqueiro vem publicando séries muito boas nesse sentido, com pano de fundo épico (conheça Os Bridgertons e Os Hathaways ), e é nesta linha que segue Ligeiramente Casados, mais novo lançamento do gênero e primeiro volume da série Os Bedwyns.

Ligeiramente casadosÉ justo dizer logo de cara que não gostei tanto deste quanto das outras séries épicas da editora, mas sim, curti a leitura e a finalizei em menos de 24h. Ansiosa como sou, preciso do final feliz da mocinha; neste caso, a obstinada e amorosa Eve Morris, irmã do falecido colega do coronel Lorde Aidan Bedwyn. Impelido pelo senso de dever, o Lorde se sente responsável pela mocinha, pois jurou ao seu irmão, no leito de morte, que cuidaria de tudo que ela precisasse, ainda que nem a conhecesse.

Então mais uma vez temos um caso de casamento por conveniência. Clichê, I Know! No entanto, diferente do que às vezes acontece, a autora conseguiu passar veracidade nesse aspecto. Ambos os envolvidos não possuem a menor vontade de se ligarem ao outro (e isso é muito aparente), ou seja, não vemos aquele “quero, não quero” onde o romance está à espreita, pois ele não está. O desenvolvimento de uma relação conjugal entre eles é extremamente lenta. O mesmo acontece no quesito amoroso – este último devagar quase parando.

É sempre bom acompanhar um romance onde as coisas não acontecem de forma relâmpago, e sim realistas. Contudo, apesar de ter ficado ansiosa pelo que viria a seguir e torcido pelo romance dos dois, não senti aquela centelha de química irresistível, ainda que tenha gostado da personalidade dos protagonistas; da postura amorosa e solidária de Eve, que entra num verdadeiro dilema e é praticamente obrigada a se casar com um homem que mal conhece pelo bem de sua família, e da carranca taciturna e distante, porém honrada, de Aidan.

“(…) – Mas isso existe mesmo, Aidan? O felizes para sempre, quero dizer?
– Não – retrucou ele, o sorriso agora terno. – Existe algo infinitamente melhor do que felizes para sempre. Há a felicidade. Que é algo vivo, dinâmico, Eve, e tem que ser cuidada a cada momento pelo resto de nossas vidas. É umas perspectiva muito mais empolgante do que a ideia tola e estática de um felizes para sempre. Não concorda?”

Talvez o fato de ambos relutarem muito em abrir o coração para o outro, mesmo quando isso era pedido, e daquelas velhas suposições clichês com diálogos mal entendidos (apenas falem, pessoas!), tenha me afastado de sentir uma maior conexão com a história. Mas outro fato que tenho como essencial para o livro não ter se tornado um queridinho é justamente a falta de humor. Não é bem um pecado, ou totalmente necessário, mas já percebi que quando as autoras me envolvem em situações cômicas me sinto mais conectada pela leveza da atmosfera e, por extensão, aos personagens.

Ainda assim, há histórias em que tal característica está ausente, compensadas por outro lado que neste caso não encontrei. A família Bedwyn, com exceção de Aidan, me parece esnobe e sem graça. Talvez a curiosidade em saber sobre o calado e autoritário irmão mais velho me faça gostar do último volume, mas até lá não me senti particularmente interessada por nenhum outro, ainda que eles tenham se redimido em sua postura atrasada com a Eve, recebida com extremo desagrado por todos, apenas por não ser nobre e sim filha de um pedreiro rico. Há certas posturas honrosas na família; aliás, a única coisa que os salva é justamente o total senso de dever com a honra e os bons costumes.

Enredo à parte, vale ressaltar os problemas de revisão desta edição – que não são culpa da autora, claro. Além de vários errinhos ao longo do livro (com nome de personagem trocado por outro), a própria sinopse descreve a família formada por três irmãos e três irmãs, quando, na verdade, são quatro irmãos e duas irmãs. O mesmo erro foi repetido no interior do livro e até embaralhou minha cabeça, achei que não sabia mais contar ou que tinha deixado algo passar.

No mais, eu posso até ter colocado alguns contras na resenha, mas a verdade é que Ligeiramente Casados é um bom livro de entretenimento para os apreciadores do gênero, apenas não é dos melhores. O fato de tê-lo devorado rapidamente deve dizer algo a seu favor e houve aspectos no romance que me agradaram bastante pois provaram que ambos estavam recebendo o outro com o coração aberto, sem julgamentos e com total respeito pelas diferenças. Além de um quote muito fofo e amor que usarei para finalizar o texto:

Título original: Slightly Married
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 288
Gênero: Romance épico
[rating: 3/5]
Cedido em parceria com a Arqueiro

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6 Responses to [Resenha] Ligeiramente Casados, de Mary Balogh

  1. Vanessa Dark disse:

    Oi, adorei sua resenha e por mais que ganhou 3 estrelas, fiquei mais ansiosa pra ler ele, pois amo livros de época e sei que esse vai ser mais um na minha lista de livros favoritos.
    To adorando seu blog e seu canal no youtube, obrigado e adoro mais ainda por sermos conterrâneas.
    PS: li essa resenha com sua voz, enquanto tava lendo, parecia que era vc kkk

  2. Camila K. disse:

    Duda, tô com o livro lá em casa, na fila eterna de leituras. Fiquei meio decepcionada depois de ler sua resenha, principalmente por conta da questão ‘humor’, que a gente vê tanto nos livros de Lisa Kleypas.
    E sobre a revisão… Acho que as editoras em geral tem ficado cada vez mais desatentas, talvez pela pressa de lançar o livro logo. Lendo ‘A última vítima’, de Tess Gerritsen, encontrei diversos problemas, inclusive erros de português bem grotescos (‘descubrir’). Por favor, editoras, mais atenção!

    Beijos

    • Eduarda Menezes disse:

      Poxa, uma pena isso, Camis. Adoro os livros da Tess, eles deviam atentar mais para essas coisas, afinal, revisão é essencial.
      Eu também senti falta do humor em Ligeiramente Casados, mas o livro é legal. Espero que goste! 😉

  3. Isabella disse:

    Acabei o livro ontem… comecei na sexta-feira e terminei no domingo… depois de Orgulho e Preconceito, nunca quis devorar um livro tão rápido como fiz com esse, eu definitivamente amei…. notei alguns errinhos que vc falou, mas confesso que o livro me cativou. O último que tinha lido era Sombras de Loungborn e não sei pq demorei meses para terminá-lo, acho que porque se atem a detalhes desnecessários demais. Eu sou do tipo que prefere mesmo um romance água com açúcar do que aqueles cheios de dramas terríveis… acredita que não consegui terminar Outlander? Me fazia chorar demais! Muita emoção pra mim…Gosto dessas histórias leves onde a honra e o bom caráter falam mais alto, mulheres teimosas e perfeitos cavalheiros que se apaixonam num mundo onde o amor e a paixão não eram levados em conta ou seria bem improvável. Confesso que fiquei até triste quando o livro chegou ao fim. Achei que a autora desenvolveu bem a personalidade de todos sem ficar naqueles extremos detalhes irritantes e dramáticos demais… vc sabe que o valete dele é sistemático com organização, que o menino órfão carrega os efeitos de ter sido passado de mão em mão, consegue entender bem o temperamento do Duque e acho que deixou o mocinho e a mocinha bem reais, embora sejam cheios de virtudes, já tinham experimentado alguma coisa na vida, tudo sem ficar forçando as histórias de forma muito melodramática, mas natural, como acontecia e sempre vai acontecer no mundo. Eu iria amar se transformassem um dia esse livro em filme.

    • Eduarda Menezes disse:

      Essas histórias levinhas são sempre muito boas de acompanhar, Isa.
      Se você gostou desse, então também vai amar as séries Os Bridgertons e Os Hathaways, publicadas pela editora Arqueiro, super fofas e apaixonantes.

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