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by • dezembro 21, 2014 • ResenhasComments (4)2552

[Resenha] Um Cântico de Natal (Livro e HQ), de Charles Dickens

Grande clássico natalino desde sua publicação em 1843, Um Cântico de Natal tornou-se sucesso imediato e há anos vem ganhando diversas adaptações. Ao debater sobre o verdadeiro significado do Natal, Charles Dickens ganhou a fama de ter reacendido o espírito natalino na Inglaterra vitoriana, algo que vinha sendo perdido com o passar do tempo. Por ter vivenciado na própria pele quando criança, Dickens abordava muito sobre temas como pobreza e injustiça social. O autor utilizou esses assuntos para contar a história do ranzinza e sovina Sr. Scrooge, velho cruel e implacável que não demonstra amor por ninguém e só pensa em arrecadar mais fortuna.

Um cântico de Natal

Sem enxergar sentindo algum no Natal, ou em qualquer tipo de solidariedade, Scrooge destrata o convite para jantar do único sobrinho e prefere passar a noite sozinho na sua gélida mansão. Dessa vez, porém, receberá a visita de seu antigo sócio, morto há 7 anos, que irá lhe alertar sobre um terrível futuro, caso o velhinho não mude as atitudes. Para tal, ele receberá a visita de três fantasmas do Natal: passado, presente e futuro, que lhe mostrará algumas coisas perdidas, ignoradas e surpreendentes.

É difícil encontrar alguém que ainda não conheça a história, já tão difundida. Portanto, o mais interessante não é exatamente como irá terminar – já sabemos disso – mas acompanhar a mudança de Scrooge, que passará por alterações fortes com tudo que lhe é mostrado. Tornar alguém tão rude e cruel numa pessoa mais sensível e altruísta poderia parecer forçado, especial numa novela de poucas páginas, mas Dickens consegue criar situações tão tocantes e bonitas que me senti convencida com o que foi mostrado.

Percebemos que o protagonista não é de todo ruim, mas foi se embrutecendo com o tempo. Tais revelações farão enxergá-lo sua vida de modo diferente, causando uma mudança transformadora que me soou natural. Me senti sensibilizada durante várias passagens e me emocionei com algumas coisas mostradas ao Scrooge, torcendo para que ele conseguisse mudá-las logo e, consequentemente, enxergando-o com outros olhos, desta vez mais ternos.

Um Cântico de Natal (4)

A essência do livro, puramente natalina, passa uma mensagem positiva de esperança e mudança. Vemos pessoas com pouco ou quase nada, passando necessidades, mas, ainda assim, encontrando pelo que agradecer e percebendo nas pequenas coisas a verdadeira importância da vida, como a presença da família e amigos por perto. Em contrapartida, temos Scrooge, um velho rico, mas solitário e infeliz, resgatado através dos sentimentos ternos difundidos especialmente nesta época do ano, porém igualmente importantes em todos outros.

No quesito edição brasileira, alerto sobre esta da Landmark que possui um dos piores trabalhos de revisão e tradução que já vi, chegando até mesmo a atrapalhar a leitura. Felizmente, é bilíngue, então o leitor ainda tem ao menos a opção de escapar para a versão em inglês (que possui nível avançado). Caso possam, recomendo fortemente adquirir qualquer outra, pois a experiência com o Dickens não merece ser diminuída ou atrapalhada por conta de algo tão básico.

Um Cântico de Natal (1)

O autor publicou vários outros contos e novelas sobre o Natal, mas apenas Um Cântico de Natal sobreviveu ao tempo. Além da mensagem, Dickens criou uma ambientação vívida e confortável, que contagia até os mais indiferentes. Sua escrita elaborada engradece a leitura e torna-a gostosa de acompanhar. Um conto de fadas atemporal que resgata os sentimentos que devem prevalecer nesta época do ano, especialmente agora, em tempos de consumo desenfreado, onde a data tornou-se marcada pelo alto volume de compras e nem tanta solidariedade assim.

Título original: A Christmas Carol
Editora: Landmark
Número de páginas: 144
Ano: 1843 (esta edição: 2010)
Gênero: Novela/Clássicos
[rating: 4/5]

HQ – Um Conto de Natal

Um Conto de Natal HQ (2)

Por tê-la lido tão logo terminei o livro, percebi exatamente quais aspectos positivos e negativos senti em relação a adaptação do livro para Graphic Novel. A ambientação, cores e clima natalino foram muito bem expressados nos traços do desenhista. Foi interessante ver tudo que eu havia acabado de imaginar e perceber algumas diferenças de perspectiva aqui e ali.

Por mais que eu tenha gostado (num nível intermediário), a experiência com a HQ não foi tão satisfatória quanto a do livro (em relação ao conteúdo, claro). Ainda que fiel em muitas partes, algumas pequenas mudanças de roteiro não me agradaram. É coisa pequena, mas, para mim, prejudicaram a história, no sentido que não “comprei” exatamente as alterações de personalidade do Scrooge por elas terem parecido abruptas e rasas demais nos quadrinhos, algo que não senti durante o livro.

Um Conto de Natal HQ (4)

Duas passagens diferentes da original foram as principais responsáveis por isso e explico sobre uma delas um pouco mais no vídeo abaixo. Outro quesito que pode até ser bobo, mas me incomodou, foram as expressões embrutecidas de personagens que deveriam demonstrar um rosto mais alegre e terno em cenas supostamente emocionantes. Eu simplesmente não consegui me conectar aos desenhos, que me pareciam fora de contexto, então fui mais uma leitora indiferente, experiência completamente oposta a que senti com o livro.

No entanto, o trabalho da HQ em si é caprichado – folhas, diagramação, etc – e a edição possui extras interessantes ao final (rápida biografia sobre o autor e sua obra e um pouco mais sobre a história do Natal), tudo muito pertinente ao conteúdo passado.

Um Conto de Natal HQ (3)

Um Conto de Natal HQ (1)

Graphic Novel
Título original: Le Conte de Noël
Autor: Charles Dickens
Adaptação e roteiro: Patrice Buendia
Desenhos: Jean-Marc Stalner
Cores: Caroline Romanet
Editora: L&PM
Número de páginas: 60
[rating: 2.5/5]

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4 Responses to [Resenha] Um Cântico de Natal (Livro e HQ), de Charles Dickens

  1. Lindsay Leão disse:

    Li recentemente “Um Conto de Natal” pelo Kobo e felizmente a edição estava boa e compreensível. Fiquei muito desapontada em saber que essa edição da Landmark é tão ruim assim. Acredite, eu estava cogitando comprá-la já que tenho “O Retrato de Dorian Gray” da mesma editora. Enfim, vou procurar outro então, pois gostei bastante do enredo e não quero perder a oportunidade de ter esse clássico.
    Quanto aos seus comentários sobre a HQ, eu senti a mesma coisa com relação as expressões embrutecidas quando assisti o filme, tanto que o que era para ser uma experiência agradável, se tornou angustiante, pois me vi praticamente assistindo um filme de terror de tanto susto que levei.
    Ainda bem que ao menos o livro vale a pena ser lido.
    Beijos

    • Eduarda Menezes disse:

      Eu queria muito ter lido numa edição melhor. Antes já soubesse disso haha
      Qual filme você assistiu? Os Fantasmas de Scrooge? Lembro de ter visto esse há muito tempo, mas apaguei totalmente da memória. Quero muito assistir novamente. A feição do protagonista até precisa ser dura, sabe? Mas não a dos outros personagens, que estavam vivenciado algo terno e especial rs Não consegui entrar no clima com a HQ, mas o livro é ótimo!
      Beijos e Feliz Natal! 🙂

  2. Camila K. disse:

    Esse livro é TÃO a cara do meu Natal. Lembro de assistir, pequena, a adaptação da Disney com o Tio Patinhas no papel de Scrooge e o Mickey no papel de sobrinho dele, e amoooo esse desenho!
    Acho essa história linda, e vou procurar alguma edição dela. Triste ver que a da Landmark tá com problemas.. Normalmente são livros mais caros e tão bonitos que a gente fica esperando um trabalho mais caprichado.

    Beijos, Duda!

    • Eduarda Menezes disse:

      Todo mundo falando dessa versão da Disney com o Mickey e eu aqui boiando. Não lembro de tê-la assistido sequer uma vez haha Vergonha isso. O pessoal parece amar tanto.
      Pois é, triste mesmo essa questão com a Landmark. Tô até com medo dos que já comprei!
      Beijos, Camis, e Feliz Natal!

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