MENU

by • janeiro 18, 2015 • ResenhasComments (55)10553

[Resenha] As Cavernas de Aço, de Isaac Asimov

Um dos principais nomes da ficção científica, Isaac Asimov, autor russo naturalizado norte-americano, tornou-se conhecido mundialmente após criar as três leis da robótica (ele também inventou o termo robótica sem ao menos saber que a palavra não existia), famosas diretrizes que todo robô deve seguir para manter a segurança dos humanos. Ao longo da década de 40 e 50, o autor escreveu um conjunto de contos que seria imortalizado no livro Eu, Robô (1950), e foi apenas em 1953 que surgiu o seu primeiro romance: As Cavernas de Aço.

As cavernas de açoInício do que seria uma trilogia e, posteriormente, série estendida, As Cavernas de Aço faz a inusitada mescla de ficção científica com romance policial, trazendo o típico livro de detetive em que os personagens devem seguir rastros e pistas para desvendar um crime misterioso. Ambientada no futuro distante, a Terra sofre com a falta de recursos naturais e as pessoas vivem num racionamento organizado pelo governo que dita regras de moradia, comida e procriação.

Neste mundo futurístico, onde as cidades tornaram-se fechadas Cavernas de Aço, as pessoas não mais vivem ao ar livre e olham com descrença para os extra-terrestres chamados Siderais, descendentes de seres humanos que, no passado, colonizaram outros planetas e agora insistem em permanecer por perto. O preconceito estende-se aos robôs que, mais do que nunca, vêm tomando o emprego dos que necessitam. E é justamente nesses conflitos entre terráqueos, siderais e robôs que a série toma forma e se desenvolve, ambientada neste primeiro volume em Nova York.

” – (…) Há um impulso humano conhecido como misericórdia, um ato humano conhecido como perdão.
– Não estou familiarizado com essas palavras, parceiro Elijah.
– Eu sei – murmurou Baley. – Eu sei.”

O mal-estar gerado entre essas três formas de vida irá desencadear sociedades secretas, planos governamentais e escapes inesperados. O ápice do conflito é atingido com a morte de um Sideral pelas supostas mãos de um ser humano. É quando entra em cena o policial Elijah Baley, encarregado de investigar e desvendar de um vez por todas o caso, com o detalhe que deverá aceitar, sem qualquer outra opção, seu novo parceiro R. Daneel, sideral e robô.

As cavernas de aço (3)

A capacidade imaginativa de Asimov é louvável e divertida. Com personagens interessantes, o autor os insere em um ambiente completamente diferente do nosso e nos seduz com suas descrições de uma Terra em decadência, mas organizadamente evoluída. Desencorajado por um de seus editores, que não acreditava na junção da ficção científica com uma trama de mistério, Asimov mostrou de uma vez por todas que é mais do que possível unir ambos os gêneros e trazer o que há de melhor dos dois mundos.

“A maioria dos Terráqueos eram Medievalistas de um jeito ou de outro. Era fácil ser um Medievalista quando isso significava recordar uma época em que a Terra era o mundo, e não apenas um dos 50 mundos. Ainda por cima o desajustado dentre os 50 mundos.”

Me senti envolvida pelo caso, pelas descrições de cenário, pela indiferença evoluída de R. Daneel e os temores, indagações e reflexões de Bailey sobre o mundo em que vive. O policial irá levantar diversas hipóteses, algumas equivocadas, outras não, incitando o leitor a formular suas próprias conclusões em uma trama tão bem amarrada que é perfeitamente possível montar o quebra-cabeça e solucionar o crime com todas as informações passadas ao decorrer do livro. Ainda que eu não tenha acertado tudo, é evidente a sagacidade e habilidade do autor ao criar um bom mistério: está tudo lá, à disposição do leitor.

Com um dos diálogos finais mais sensacionais que eu já li, Asimov levanta questões inéditas para sua época e demonstra a força de sua influência em tantos outros nomes vindouros do gênero sci-fi. Seu texto evoca preocupação com o futuro da Terra e passeia entre os benefícios e malefícios da ciência no nosso cotidiano, mostrando diferentes lados e pontos de vistas sobre um mesmo assunto e o quanto às vezes buscamos conforto em costumes ancestrais pelo medo do desconhecido.

Robot Series:

1. Eu, Robô (1950)
2. As Cavernas de Aço (1953)
3. O Sol Desvelado (1955)
4. The Robots of Dawn (1983)
5. Robots and Empire (1985)

Título original: The Caves of Steel
Editora: Aleph
Número de páginas: 300
Ano: 1953 (esta edição: 2013)
Gênero: Ficção científica/Romance policial/Thriller
[rating: 5/5]
Cedido em parceria com a Aleph

Related Posts

55 Responses to [Resenha] As Cavernas de Aço, de Isaac Asimov

  1. Nossa, não sabia que a história tinha a parte policial. Não sou muito fã de sci-fi e histórias interplanetárias (nunca assisti Star Wars kk) mas fiquei curioso pra ler.

  2. Nessa disse:

    Oi Duda
    Eu adorei a premissa do livro e estou louca para ler. Pretendo ler em breve, mas eu quero começar pelo Eu Robô, já está na minha lista de compras.
    Gostei muito do contexto deste, estou bem curiosa.

    Beijos

  3. George Araujo disse:

    Oi Duda! Tudo ótimo?

    Gostei muito da resenha e dessa trama que, ao contrário de Eu, Robô, coloca um humano como assassino. Isaac foi mais longe e além das máquinas traz também essas variações de humanos intergalácticos. Por isso as obras de Asimov são ficções de primeira, o cara sabia mesclar as coisas. E nessa capa lindona, a silhueta me lembra muito o Super-homem do desenho da Liga da Justiça rS’. Que vontade enorme de ler!

    Beijos!

  4. Oi Duda

    Mais um livro que eu preciso ganhar desse autor!
    Voce esta me deixando louca já pelo mesmo sem nem ter lido nada AINDA!

    Super beijo

  5. A história desse parece ser bem interessante. Essa premissa de misturar robôs e aliens é uma coisa que eu ainda não vi em livro, até porque, quando fazem ou é só robô ou é só alien.

    • Eduarda Menezes disse:

      É, mas lembrando que os extra-terrestres são os próprios seres humanos. A diferença é que conquistaram outros planetas e acabaram se reproduzindo fora da Terra.

  6. Danielle disse:

    PRECISO ler esse livro *-*

  7. Oi Duda, que resenha bem elaborada. Nunca li nada do autor e assim como sua resenha fez eu me interessar por Eu robô também me fez desejar ler As cavernas de aço.

  8. Roan disse:

    Estou louco para ler a coleção do Asimov, gosto muito de ficção, mas não conheço muito do seu trabalho, sei que é um grande nome dentro da literatura sci-fi.

  9. João Marcelo disse:

    Ótima resenha. Li o primeiro capítulo em pdf e fiquei doido pra comprar. Tou correndo pra acabar com os da prateleira logo.

  10. Ingrid disse:

    Estou muito curiosa. Quero ler esse livro.

  11. MEU DEUS , ficção científica mesclada com romance policial <3 Meus gênero preferidos , surto com um negócio desses kkkk Preciso ler logo os livros do Isaac Asimov. Sempre me falaram muito bem, só não comecei mesmo por ter muitos outros na frente :/
    E adoro quando as pistas me possibilitam dar algum palpite quase que certeiro, vou amar esse também *-*

  12. Natali disse:

    Sci-fi é um dos meus gêneros literários preferidos (ou o mais). Adorei a resenha, me fez querer ler o quanto antes! Haha. Já tinha ouvido falar nesse livro e super já tá na minha wishlist! =) Quero muito ler!

  13. Parece ser um livro que vai além do superficial. Deve causar algumas reflexões interessantes sobre a sociedade.
    Sem contar que a capa é linda e a edição parece ser boa. Quero ler!

  14. Depois de descobrir por você que o livro do Eu, robô na verdade era uma série vim ver todas suas resenhas sobre a mesma e a cada uma mais vontade de ler! Adoro o tema. <3

  15. Max disse:

    Uma das coisas mais interessantes que vejo nas obras do Asimov é sua capacidade de criar personagens memoráveis, tanto humanos como robôs. Bailey é um desses casos e poderia muito bem ser um personagem de Fundação (na minha opinião a obra prima de Asimov).

  16. Ollie Sousa disse:

    Quero muito ler a coleção do Asimov, amo ficção!

  17. Estava curiosíssima pra saber mais desta história. Gostei bastante do que descobri aqui na resenha e vou ver se consigo ler. Adoro temas deste tipo.São empolgantes demais.
    Beijos.

  18. Vi muita gente falando desse livro, apesar de não ser de um gênero que me conquiste, fiquei um pouco interessado.

  19. Thaís Dória disse:

    Eu conhecia o Eu Robô mas esse livro eu não conhecia. Parabéns pela resenha.

  20. Karol disse:

    muito ansiosa pra ler

  21. Mai um livro bom para ler. Boa resenha

  22. Fátima Uane disse:

    Prevejo que vou tietar muito esse autor

  23. Esse livro dá uma aflição… O modo como os seres humanos estão acostumados a viver enclausurados e com uma definição X dos robôs e dos siderais, essa vontade de defender a posição que está mesmo que a posição seja prejudicial, o distanciamento social exagerado e outras coisas que são um reflexo do que a gente já vê hoje em dia, só mostram que Asimov era ou um profeta ou um cara absurdamente observador.
    É um livro super legal, a narração é bem flúida e você devora que nem vê.
    Comecei a criar um carinho por esse jeito que você faz resenha, essas citações que você coloca no meio e as fotos são um recurso maravilhoso, sem falar que você escreve bem pra caramba.

    • Eduarda Menezes disse:

      Obrigada, Alexia! ♥ Fico super feliz em saber que gosta das resenhas! 😀
      Sim, o cara era um grande visionário, né? Os livros dele são incríveis e super bem escritos! Em breve vou ler a trilogia da Fundação e já sei que vou amar!

  24. Shadai Vieira disse:

    Adorei a trama desse. Extremamente original e mesmo sendo futurístico achei que consegue ser bem atual, pois estamos caminhando para racionamento de água, muito em breve teremos pessoas passando um tempo em Marte, e robôs com (um pouco de) inteligência artificial vem sendo feitos.
    E adoro romance policial, então vou tentar conseguir esse livro.

    • Eduarda Menezes disse:

      O cara era um grande visionário, Shadai! E isso há décadas, né? Porque olha a data do livro haha Asimov é incrível!

  25. Amooo ficção cientifica!
    Parabéns Duda pelas resenhas…

    beijos 😉

  26. Mateus disse:

    Ótima resenha, seu blog e seu canal são um dos meus preferidos.

  27. Thiago Roza disse:

    Não conhecia esse autor mas estou com bastante vontade de ler os livros deles. Existe uma ordem?

  28. Marina disse:

    Ótima, sua resenha. Essa junção entre sci-fi e trama policial me convenceu a ler. Adoro essas temáticas futuristas… e os diálogos um tanto filosóficos.

  29. Não faz muito meu estilo de leitura. Parece ser bom, mas prefiro não me arriscar; já que não faz meu estilo.

  30. Lucia Marina disse:

    É interessante como alguns autores realmente conseguem prever o futuro! Mesmo muito longe ainda de colonizar outros planetas, os planos atuais para Marte estão bastante adiantados. A ideia de morar em outro lugar além da Terra não é mais só tema de livro, é algo que pode realmente acontecer. Também sempre temos notícias (umas até meio assustadoras) de novas conquistas no campo da IA. E o planeta tem sofrido tanto com a ação humana que não é nada difícil imaginar um cenário bem distópico para as próximas gerações.

    • Eduarda Menezes disse:

      Sim, Asimov está entre alguns dos autores super visionários que tanto amamos. Esse negócio de Marte só me lembra o Bradbury que é um autor igualmente incrível!

  31. Leila Maciel disse:

    Não sou muito fã de ler sci-fi mas se tem romance policial no meio eu tô dentro.

  32. Os personagens são muito bem desenvolvidos, e a forma que cada um, gradativamente vai se envolvendo com o grande objetivo do livro (descobrir o assassino), é o que mais se destaca.
    Há muitas partes que me espantei, por causa das grandes revelações e revira voltas.

  33. Ariadne disse:

    Duda, parabéns pela resenha!!
    Gosto muito de Asimov, mas infelizmente não li esse ainda. Sua resenha me deixou com muita vontade agora!!!

  34. Fabio Yugo disse:

    Estou louco para ler , imagino que seja tão bom quanto ou até melhor que K.Dick , que li e me fisgou instantaneamente , todas as descrições , ambientação e os personagens , e a junção da ficção científica com o policial fica muito interessante e pela resenha me parece ser exatamente isso !

    • Eduarda Menezes disse:

      É MUITO bom! Maravilhoso, realmente.
      E também adoro o K. Dick. Androides sonham com ovelhas elétricas? é um livro extremamente interessante.

  35. Gabriela Dias disse:

    Não conhecia esse livro, mas adoro romance policial. Participando do sorteio!

  36. Júlio César disse:

    Adorei a resenha, ótima!

  37. Alê Periard disse:

    Gente, como não amar essa capa lindaaaa!
    E como não amar duplamente: ficção científica com romance policial? OMG, preciso desse livro!
    Amei a resenha!! Realmente dá pra perceber que já (infelizmente) vivemos nesse mundo pensado pelo autor.
    Bj

  38. Maria Tayná disse:

    Nunca li nada do autor, PRECISO ler esse livro!

  39. Fiquei babando na história só de ler a resenha. Esse livro reúne elementos imprescindíveis pra me prender à narrativa. Já quero *-*

  40. Muito bom esse livro!!! Realmente, o autor traz questões bem inéditas para a época em que o livro foi escrito. Impressionante!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *