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by • janeiro 3, 2015 • ResenhasComments (6)2889

[Resenha] Perdido em Marte, de Andy Weir

Perdido em Marte é uma ficção científica moderna, impossível sem os conhecimentos avançados que possuímos hoje. Espécie de Robinson Crusoe (1719) atual, trocaremos a ilha do náufrago por Marte, ambiente inóspito, e acompanharemos as tentativas de sobrevivência do astronauta Mark Watney no planeta vermelho. Com um título auto explicativo, a trama irá contar os infortúnios de Watney após um acidente no sexto dia do que deveria ser uma missão de um mês. Dado como morto pelos colegas, ele é abandonado no local, sem comunicação com a Terra, e precisa encontrar modos de sobreviver até que uma missão de resgate seja enviada.

Perdido em MarteNão estamos avançados a ponto de viagens tripuladas a outros planetas, ainda assim o autor se vale de toda a sabedoria científica que possui (e acreditem, é muita) para tornar o mais real possível um romance ambientado em um local tão improvável. Fica claro o conhecimento que Andy Weir possui em várias áreas, tanto dos procedimentos e estudos da NASA quanto em diversos campos gerais (química, física, engenharia, etc) necessários para tornar tal romance de ficção científica possível.

Apesar de ser um livro monopolizado quase em sua totalidade por um único personagem, a leitura não se torna tediosa ou cansativa. Há muitas partes em que o autor explica detalhadamente tudo o que o astronauta está fazendo para alcançar determinado fim (e voei total nesses momentos porque sou a pessoa menos entendida no assunto, especialmente em química), mas são passagens necessárias para a credibilidade e força do enredo, e, ainda que eu não entendesse o procedimento em si, sabia para qual finalidade estava sendo executado.

Um dos pontos fortes que  contribuem para a boa fluidez do texto é justamente a voz de Mark Watney, um personagem extremamente carismático e bem humorado que me fez rir alto em diversas partes. Não é um livro de comédia e o personagem passa por situações tensas de vida ou morte, mas a personalidade bem delineada pelo autor nos mostra que estamos diante de alguém extremamente positivo, alegre e irônico, sem que tais passagens soem forçadas ou fora de contexto.

Perdido em Marte (2)

Boa parte do livro é narrada em primeira pessoa através de diários de bordo, entrelaçada pelo ponto de vista em terceira pessoa da NASA que, óbvio, monitora o que está acontecendo, e da nave que outrora Watney fazia parte. Esse revezamento também contribui para a agilidade do enredo, além de nos deixar curiosos pelos procedimentos e planos levantados para a salvação de Watney, com imprevistos o suficiente (tanto na Terra quanto em Marte) para que não pareça fácil demais (e consequentemente inverídico), mas habilidade criativa para propor medidas diversas que nos deixam ainda mais ansiosos pelo que está por vir.

Tão logo finalizada a leitura ficou claro para mim a improbabilidade de qualquer outra pessoa no mundo conseguir escrever tal enredo com a mesma força de Andy Weir. É necessário uma junção de conhecimentos científicos avançados sobre o espaço, adicionados à criatividade de um bom escritor para torná-lo possível, atributos que, em conjunto, são difíceis de encontrar. Com personagens cativantes e um enredo excitante é fácil, uma vez lido, constatar o porquê de Ridley Scott, um dos maiores diretores do momento, tê-lo tornado uma grande adaptação cinematográfica prevista para chegar aos cinemas em 25 de novembro de 2015.

Título original: The Martian
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 336
Ano: 2011 (esta edição: 2014)
No Brasil: 2014
Gênero: Ficção científica
[rating: 5/5]
Cedido em parceria com a Arqueiro

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6 Responses to [Resenha] Perdido em Marte, de Andy Weir

  1. Camila K. disse:

    Adorei a premissa do livro Duda, mas não é um pouco desesperador? Hahahaha
    Acho que se eu lesse ia ficar muito nervosa, querendo que o cara desse um jeito de sair logo dali!
    Mas também gostei muito do fato de ser um texto bastante embasado, o que é essencial pra dar credibilidade à história.

    Beijos!

    • Eduarda Menezes disse:

      É desesperador, mas é bom, Camis haha
      Faz diferença o fato de ser um livro bem humorado. O personagem principal é bem engraçado o que torna o livro mais leve!
      Beijos!

  2. Nessa disse:

    Oi Duda
    Eu curti muito ler este livro, foi uma de minhas leituras top do ano passado.

    Adorei sua resenha!

    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

    Beijinhos

  3. George Araujo disse:

    Olá Duda! Tudo ótimo?

    Nossa, gostei muito da proposta da história! Concordo com a Camila K, parece desesperador e solitário. Me lembra muito o filme Gravidade.
    Perdido em Marte é um nome legal, nada monstruoso como algumas escolhas de títulos por aí, mas o original The Marcian (O Marciano) poderia ter permanecido. Essa mania de querer resumir a história no nome ao invés de deixar o leitor entender o nome pela história me incomoda um pouco. Só uma opinião :p
    Quando um autor pesquisa, se aprofunda numa área antes de escrever, o resultado é, na maioria das vezes, magnífico. Fiquei curioso sobre o Andy Weir. Será que ele já fez química? rS’

    E pra encerrar, Ridley Scott adaptando *—-*. Preciso correr e conseguir logo esse livro, porque novembro já tá quase aí!

    Bjooo Duda!

    • Eduarda Menezes disse:

      George, eu também achei o título original desse livro sensacional. Bem melhor, né? Queria muito que tivesse permanecido. Vamos ver como vão colocar o nome do filme. Tô curiosa pra conferir se vão deixar o original ou optar pela escolha de tradução do livro.
      Na orelha do livro fala que o Andy Weir foi contratado como programador de um laboratório aos 15 anos e desde então trabalha como engenheiro de software, mas sempre adorou tudo relacionado ao espaço, então deve ter acabado aprendendo muita coisa.
      Espero que curta a leitura! =)
      Beijos!

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