MENU

by • junho 4, 2015 • ResenhasComments (2)1749

[Resenha] Mentiras de Verão, de Bernhard Schlink

É de autoria do escritor alemão Bernhard Schlink o consagrado romance O Leitor (1997), adaptado para os cinemas com Kate Winslet e Ralph Fiennes nos papéis principais. Em Mentiras de Verão (2010), seu último livro publicado, o autor traz sete contos ambientados em diferentes lugares e países que abordam momentos de impasse e indecisão na vida de seus personagens.

Mentiras de verãoConfrontados com situações, seus personagens adotam variadas formas de agir que acentuam a característica humana de procurar entender ou justificar suas atitudes quando nem sempre são as corretas. O autor faz uso de diferentes formas de mentira: aquela que contamos para nós mesmos e acabamos por acreditar; que outros nos contam e teimamos em não ver; quando somos enganados e mal percebemos; e mesmo aquelas que contamos para outras pessoas.

Adoro quando indagamos a veracidade do relato, como é o caso de um dos contos no qual um panorama é apresentado e não sabemos exatamente no que acreditar. Estaria um desconhecido numa viagem de avião mentindo descaradamente ao testar sua história ou tudo aquilo seria a mais pura verdade? Em O Estranho na Noite, por exemplo, tal homem revela os fatos da morte de sua esposa nos levando a questionar sua culpa ou inocência.

Em Baixa Estação um homem recebe a oportunidade de uma mudança radical em sua vida ao se envolver amorosamente durante as férias, mas deixa de lado quase tudo sobre si ao tentar separar seu cotidiano de um amor de verão, adotando quase uma outra persona. Em A Casa na Floresta, um dos meus favoritos, Schlink monta uma atmosfera intrigante ao apresentar um amoroso pai de família que se torna cada vez mais obcecado em ter a filha e a esposa só para si, isolando-os do mundo tão eficazmente que sua companheira quase não percebe a armadilha.

“Ele estava feliz – ou será que mais uma vez apenas queria ser feliz? Será que pensava novamente que tinha de ser feliz por que tudo estava nos eixos? Será que a felicidade que sentia era apenas os ingredientes dela?”

Há pontos altos na escrita do autor como sua capacidade de prender em poucas páginas e a familiaridade do cotidiano quebrado por decisões nem sempre racionais, mas devidamente explicadas pela mente de seus personagens. Diria apenas que pela organização dos contos há uma certa quebra na progressão dos melhores pouco após a metade do livro, com os dois menos interessantes e mais parados próximo ao final da obra, salvo apenas pelo último que tem sua parcela de intriga ao mostrar uma avó idosa que perde o amor pelos filhos.

Independente dos meus preferidos (2º, 3º e 4º do livro), é certo que a escrita do autor traz uma boa escolha de palavras tornando a leitura rápida e de fácil compreensão, sem que haja qualquer perda de valor pela forma que descreve o psicológico de seus personagens e defeitos puramente humanos. São contos de aproximadamente 40 páginas apresentados como pequenas histórias de verão, com personagens comuns e outros nem tanto em situações ambientadas na estação, mas não restritas a ela.

Título original: Sommerlügen
Editora: Record
Número de páginas: 288
Ano: 2010 (esta edição: 2015)
Gênero: Contos
[rating: 4/5]
Cedido em parceria com a Record

Related Posts

2 Responses to [Resenha] Mentiras de Verão, de Bernhard Schlink

  1. Laís disse:

    Oi Duda

    Nunca fui muito de ler livro de contos, eu achava que em poucas páginas seria difícil o autor construir uma história que prendesse e que conseguisse passar sua mensagem, mas acho que subestimei o talento de vários autores que tem essa capacidade de em poucas páginas escreverem histórias incríveis. Recentemente li um livro de contos do Oscar Wilde O príncipe Feliz e outros contos, e eu me arrependi de não ter lido antes, nossa fiquei encantada com a maioria dos contos , O Reizinho foi sensacional pra mim porque achei bem atual
    Fiquei bastante interessada em Mentiras de Verão como você mesma disse o foco é bem no psicológico o que eu adoro e as histórias parecem bem intrigantes mostrando alguns aspectos do ser humano que apesar de não gostarmos de ver, porque não é politicamente correto, mas fazem parte de quem somos né.

    Beijos

    • Eduarda Menezes disse:

      Quero muito ler contos do Oscar Wilde! Aliás, estou em dívida com ele porque apesar de conhecer bastante a história de Dorian Gray pelos filmes, nunca cheguei a ler o livro D:
      Tem autores que arrasam nos contos, adoroo! Espero que você goste de Mentiras de Verão, caso o leia =)
      beijão

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *