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by • julho 17, 2015 • ResenhasComments (8)3689

[Resenha] Minotauro, de Benjamin Tammuz

Relato de um amor obsessivo, Minotauro, de Benjamin Tammuz, é dividido em quatro partes e tem como ponto alto sua estrutura narrativa. A trama possibilita pontos de vista distintos, a começar pelo surgimento de uma paixão relâmpago e o que seriam anos de espionagem à distância feita pelo agente secreto israelense Alexander Abramov direcionada ao objeto de seus sonhos, uma garota bem mais nova do que ele, impossibilitada aos seus braços pelas convenções tradicionais.

MinotauroHá pouca sustentação num amor platônico, algo que não me atrai, especialmente conduzido por meios duvidosos e intrusivos. Dito isso, fiquei intrigada pelo rumo dos acontecimentos desencadeados pela troca de cartas do espião à Téa, sua amada (extremamente desconcertantes, ao meu ver), e, apesar de não torcer por nada no quesito romântico, algo que, creio, pode agradar alguns, fiquei curiosa para saber até onde aquilo os levaria.

Um sentimento vai surgindo aos poucos, ainda que a distância (e o absurdo da situação) conspire contra. Algumas situações na vida da personagem são relatadas ao leitor, como a morte súbita de seu noivo, por exemplo, e nos deixam pensando se o tal agente teria algo a ver com o caso. Buracos temporais que serão devidamente esclarecidos nas demais partes do enredo ao mostrar ângulos distintos e um pouco mais da história de quatro estranhos que se esbarram pelo tempo.

“Mas uma imagem feita de palavras e de tempo, não podia ser aniquilada (…) Nenhuma realidade é capaz de afastar um sonho. Nenhum ser vivo pode vencer um fantasma.”

Foi curioso constatar o quão mal situada eu me encontrava no tempo nas três primeiras etapas da história – não sei se por falta de atenção a algum detalhe ou mesmo por uma atmosfera atemporal, quebrada pelo autor na quarta e última parte quando finalmente conheceremos sobre a vida do protagonista oculto, o homem por trás das cartas, numa etapa pontuada por diversos acontecimentos históricos reais, como I e II Guerras Mundiais, ou mesmo o período que marcou a independência de Israel do controle britânico em 1948.

Essa última e quarta parte, apesar de interessante, arrefeceu um pouco do entusiasmo que vinha sentindo até então no quesito clímax. Na expectativa de um plot-twist, o final não me ofereceu nada muito além do que o já mostrado ao fim da terceira parte. Há, talvez, uma beleza poética, romântica (?), na linha do tempo dos amantes, um elo transcendental que, se visto por esse lado, apela ao sentimentalismo do leitor. Mas foi nos caminhos tortuosos, ausências e possibilidades que me senti envolvida, ou mesmo pelos vislumbres da cultura árabe e um pouco sobre os conflitos antigos e intermináveis no Oriente Médio.

Tammuz, russo naturalizado israelense, e também jornalista, crítico, escultor e pintor, foi um dos grandes expoentes culturais de seu país adotivo, falecido em 1987. O romance, de 1980, foi amplamente elogiado pelo consagrado escritor britânico Graham Greene e ganhou um filme em 1997. Lançado no Brasil em 2015 pela editora Rádio Londres, a edição possui alguns erros de revisão que merecem correção, mas nada tão sério que prejudique a leitura. Como spy-novel traz uma abordagem interessante, ainda que, para mim, careça de algo que sustente a edificação do amor presente no âmago do enredo.

Título original: Minotaur
Editora: Rádio Londres
Número de páginas: 208
Ano: 1980 (esta edição: 2015)
Gênero: Romance
[rating: 3.5/5]
Cedido em parceria com a Rádio Londres

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8 Responses to [Resenha] Minotauro, de Benjamin Tammuz

  1. Nessa disse:

    Oi Duda!!
    Não conhecia o autor e nem o livro, mas ele tem uma premissa bem interessante. Ma so que eu gostei mesmo foi dessa capa, achei bem legal!

    Fiz um post lá no blog sobre a Maratona 24h, se quiser dar uma olhada Link: http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/2015/07/maratona-literaria-24h.html
    Se tiver alguma informação errada, pode me falar para eu arrumar no post.

    Super beijo

    • Eduarda Menezes disse:

      Passei lá e comentei como visitante (acho que foi) porque nunca consigo de outro jeito kkkkk
      Minotauro é interessante. Espero que goste, caso o leia!
      beijão

  2. Mariana Fieri disse:

    Oi Duda!
    Eu sempre achei que os autores devem tomar muito cuidado na hora de escrever uma história que a passagem do tempo não fica muito bem definida. Isso irrita o leitor… Pelo menos a mim. Mesmo assim, vou ler essa obra para ver quais as minhas conclusões.
    Ah! Você que gosta de filmes também, veja o posta que coloquei ontem no meu site por causa do dia do amigo: Top 5 filmes sobre amizade entre mulheres.
    Espero que goste!
    Bjos e uma ótima semana!

  3. Lygia disse:

    Fiquei com o mesmo sentimento que vc, Duda. Não estava torcendo para o “casal”, nem nada. Fiquei curiosa pelo desenrolar dos fatos e tbm amei a estrutura narrativa! Bem diferenciado! 🙂

  4. Tamara Costa disse:

    Cheguei a ver o video onde você teceu alguns comentário acerca desse livro mas comentando a resenha eu também achei meio bizarra essa história no quesito romântico rs mas leria mesmo assim por pura curiosidade para saber afinal no que deu todo esse absurdo

    =*

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